sexta-feira, 6 de junho de 2014

Adam Weishaupt - Os graus dos Iluminados

A seita teve desde o seu início uma colectânea de graus diferentes da maçonaria especulativa o que era aliás, comum a todas as lojas de rectaguarda. Os graus dos iluminados dividem-se em duas partes. A primeira parte destina-se à "preparação" dos membros e subdivide-se em oito graus, "Noviço", "Minerval", "Iluminado Menor", "Iluminado Maior" e três "graus de intrusão", que a seita foi buscar à maçonaria e que poderia ser qualquer um dos doze primeiros graus, e por último, o grau de Cavaleiro Escoçês ou Iluminado director. A segunda parte, chamada de "Grande Mistério", tem apenas dois graus, "Mago ou Filósofo" e "Homem-Rei". 

Havia também um grau muito importante, reservado apenas a um pequeníssimo número de membros, que era o do "Irmão Insinuador" ou o "Enrolador". Deste grau em particular, dependeu em muito a força e a organização da seita, é este grau que fabrica a (anti)doutrina e se encarrega de dar sentido e busca a cada um dos graus. Este "Irmão Insinuador" como a própria etimologia o dá a entender, insinuava o Iluminismo e insinuava-se a si mesmo no fim de arrebanhar o maior número possível de membros.

De grau em grau até ao de Homem-Rei, título muito sugestivo, este plano iluminista representa o ódio de Weishaupt ao mundo e à civilização, tal como a maçonaria, que faz do homem a medida material de suprema importância, sem lei nem freio, ao sabor das paixões desonestas e do materialismo redutor.

Alguns deste graus transitaram depois, durante o século XIX, para a maçonaria sob outros nomes. A coisa mais monstruosa e anti-natural que jamais foi inventada.


Adam Weishaupt - O Spartacus da Maçonaria

A seita dos Iluminados, que nada tem a ver com os antigos Iluminados, foi uma loja maçónica oculta, ou da rectaguarda como também lhe chamavam. O seu sistema filosófico era uma amálgama muito estranha baseada nos mistérios desorganizativos do Maniqueísmo.

O Iluminismo nascido sob os auspícios de Weishaupt era freneticamente ateísta e anarquista. Não se sabe quase nada sobre a infância de Weishaupt, nem tão pouco sobre a sua juventude. Personagem enigmático e anti-social, o mesmo detestava toda e qualquer teologia ou teosofia, para além de não reconhecer qualquer lei política ou civil. Tinha igualmente um ódio de morte a todos os tronos.

Os primeiros membros desta loja foram Massenhausen, Merz e o Barão de Knigge. Este último viria a desempenhar um papel importante apoiando financeiramente os Jacobinos aquando da Revolução Francesa.
Em pouco tempo, os três primeiros integrantes da seita iluminista tornam-se tão ímpios e tão ateístas quanto Weishaupt que, passados poucos dias, os considerou dignos de admissão nos mistérios. Foi-lhes conferido o mais alto grau: «consultores do Aerópago».

A igualdade e a liberdade começam a ser pregadas nas lojas maçónicas a partir de 1730, bem antes da revolução de 1789, o que levaria Weishaupt a declarar o seguinte: «A igualdade e a liberdade são os direitos essenciais que o homem, na sua perfeição original e primitiva, recebeu da natureza; o primeiro atentado contra a igualdade deve-se à propriedade privada e o primeiro atentado contra a liberdade deve-se às sociedades políticas e aos governos. Os únicos suportes da propriedade privada e do governo são as leis civis e religiosas; assim sendo, para restabelecer ao homem os seus direitos primitivos de igualdade e liberdade é necessário começar a destruir a religião, a sociedade civil e abolir toda a propriedade privada.»

O discurso é absurdo, recheado de ignorância e de fanatismo ateísta. Weishaupt era um misto de comunista, gnóstico e naturalista. O que hoje poderíamos talvez apelidar de NeoDarwinista.

A seita em si, tornou-se uma central de espionagem. Todos os novos membros tinham instruções precisas dos seus superiores para procurarem novos membros, anotando num caderno fornecido pela seita, todos so pormenores sobre os seus conhecidos, amigos, família, inimigos e vizinhos. Deviam registar todas as particularidades de tudo e de todos. 
Esta monstruosa seita deu forma a uma radical reinterpretação da história, onde a impiedade e o ateísmo fanático eram norma.

Continua.  

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Para que serve um tribunal constitucional ? - II

Se das minhas afirmações no post anterior ficou implícito que eu defendo a não existência do tribunal constitucional e que o mesmo não serve para nada, devo esclarecer que na verdade não defendo tal posição. Mas vejamos bem o que está em causa: a constituição está bem feita? A constituição adapta-se aos tempos actuais? A resposta é não para as duas perguntas. A nossa constituição precisa urgentemente de uma revisão. 
Portugal vive tempos muito conturbados que exigem medidas muito difíceis e a constituição não permite que certas medidas sejam tomadas. 

Não estou aqui de forma nenhuma a defender o actual governo, nem nenhum outro, mas é notório que a actual coligação pretende, com o tempo, "mexer com as infindáveis regalias" de certas classes, não o conseguindo por via precisamente da constituição. Qualquer medida que não esteja "em linha" com o que afirma a constituição é chumbada, pois a lei é para ser respeitada. Até aqui tudo certo. Mas quem fez (ou faz) as leis? E que espécie de critérios são considerados válidos e em que se baseiam esses mesmos critérios? 

Situações excepcionais tendem para medidas excepcionais, e a lei, neste caso, é cega! Não existe nenhum parâmetro que permita a inclusão de situações excepcionais, e a nossa actual situação é excepcional. Nunca se resolverá sem medidas ditas anti-constitucionais. É este, na minha opinião, o grande problema. Não se trata de forma nenhuma de desvalorizar o tribunal constitucional e considerá-lo inútil e sem sentido, mas sim de estabelecer um "revisionismo" com a integração de algumas alíneas ditas "inconstitucionais" para fazer face a situações excepcionais como já mais acima ficou dito.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Para que serve um tribunal constitucional?

Dá que pensar, numa democracia, existir órgãos específicos para fiscalizar o cumprimento da constituição. A existência desses órgãos pressupõe um não cumprimento da lei e da constituição, e isto é devido a dois factores independentes entre si, mas só na aparência. Se não se cumpre a constituição é porque no subconsciente das pessoas está bem claro que a constituição está completamente desactualizada e por outro lado, esta desactualização serve na perfeição o modelo de corrupção que hoje impera. 
Ninguém se atreve a mexer na constituição porque existe um "pacto de silêncio e de atitude" sobre o qual se fundou a democracia coxa do pós-Abril. Há muitos interesses em jogo. O saque do país não aconteceu fortuitamente nem por "imponderáveis políticos". É sintomático a "dita constituição e o dito tribunal" nunca tenham feito nada para impedirem ou limitar os estragos! É evidente que o que estou aqui a dizer é que o tribunal constitucional é parcial, muito forte, como todos os outros tribunais, com os fracos e muito fraco com os fortes. 
Um tribunal deste tipo e nas actuais condições político-sociais não fiscaliza nada nem faz cumprir qualquer constituição, pois, ao ficar-se apenas pelo que está escrito, não tem em conta uma série de outros factores. Para interpretar a constituição não é necessário aquela bátega de juízes a ganhar milhares e milhares de euros por ano. 

Já sabemos que tudo isto tem a ver com o direito positivo que minou a própria justiça por dentro. A ética ficou na penunbra e o que conta doravante são as normas e a "fenomenologia" associada à feitura das leis e da própria constituição. Isto é quase a mesma coisa como se a constituição não existisse, ela apenas serve os interesses duvidosos, semeia a insustentabilidade social derivada de uma falsa democracia e serve, como sempre os poderosos.



terça-feira, 3 de junho de 2014

Pode estar iminente um golpe de Estado em Portugal?

Depois da ressaca das eleições sobra realmente muito pouco. Da grande vitória socialista, a não passar na frieza dos números de uma derrota, segue-se o discurso mais ou menos previsível da actual coligação governamental. Nada que não fosse já expectável. A social-democracia comporta-se como um "navio em alto-mar, que a qualquer momento pode afundar". O navio tem um dilema, por um lado, precisa de uma certa carga para melhor estabilização mas, por outro lado, precisa, do mesmo modo, aliviar certa carga para não correr o risco de partir a meio. A social-democracia encontra-se precisamente numa situação destas.

Com o recente chumbo do tribunal constitucional, o governo prepara-se agora para mexer na tabela do IVA. Quer parecer que, a acontecer a subida do IVA, a medida revelar-se-à inconsistente e infrutífera. Portugal não aguentará mais subidas de impostos, pode ser o fim de milhares de empresas.

Por tudo isto começo a desconfiar da actuação do tribunal constitucional. O que é mais importante? a constitucionalidade ou não de determinada medida, ou o efeito que ela poderá ou não produzir? Não parece que se tenha em conta o que acima acaba de ser questionado. A lei e a constituição estão bem feitas?, estão bem formuladas? Existem muitas dúvidas e não se compreende que um tribunal recuse sistematicamente "isto e aquilo" escudando-se apenas na constituição. É preciso ir mais fundo nas questões e o tribunal constitucional não o faz. O que pressupõe que o mesmo está ao serviço de ideais não muito claros.

Há anos que a constituição precisa de ser mudada, ou mais especificamente, revista. Mas ninguém  quer tomar esse passo. De quem têm medo? De ser chamados "reaccionários"?

Uma das bandeiras do povo deveria precisamente ser esta: "Ninguém vota enquanto não houver revisão constitucional participada pelo povo". Tal decisão política iria dar cabo de uma série de regalias, tal como por exemplo, as "dos ratos" do palácio de Raton. É talvez isto que os membros do tribunal receiam, o fim das suas "plebugices" e "regalias sem fim". As deles e de toda a seita democrática, os fazedores de leis estúpidas, os fazedores de opinião, os fazedores de toda a merda em que acreditamos desde as falsificações históricas ao despotismo democrático.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O "Papão da direita" ao serviço da desinformação

O pré-anunciado discurso de vitória do PS esvaziou-se à medida que os resultados definitivos iam sendo conhecidos. Pouco mais de 3%, cerca de 100000 votos a mais, em relação aos sociais-democratas. Se isto é uma grande vitória!? Para quem vive do eterno "papão direitista" que não existe na realidade, não pode aspirar a muito mais e poderá ser uma questão de tempo o "ajuste de contas entre o povo e os socialismos".

Não podemos de todo desconsiderar esta jogada do ás de "trunfo" António Costa, precisamente como tentativa de mudança radical na "estética e na ética do discurso". Aproximam-se as legislativas e como sabemos em Partidocracia vale tudo, inclusive os partidocráticos decidirem que lugares serão ocupados e por quem. Os outros mais à esquerda do PS e começando pelo velhinho PCP ou CDU, diga-se que o mesmo mantém-se "em plena posse das suas faculdades", com uma linha dura actuante na sombra e uma linha renovada a dar a cara. Não partilho do ideário comunista , mas claro que dentro das suas limitações doutrinárias, o mesmo mantém-se dentro de uma lógica "nacionalista" da qual consegue retirar dividendos.
O outro partido, BE, irá desaparecer tal como apareceu, aos fogachos, o que está já a acontecer. Da aridez ideológica ao deserto de ideias e propostas válidas, passando pela incúria psicológica e pelo panteísmo biológico, demonstra bem que tipo de partido é este. Um partido de causas sem sentido, de políticas desconexas relativamente aos dados sensíveis que a experiência diária nos demonstra. 

O "Papão da direita" serve todos os propósitos e todos os fins mais ou menos anunciados, e sempre de uma eleição, quando os partidos ditos de direita têm resultados menos bons, lá cantam eles: «vitória, a direita foi derrotada!» 
Logo depois do grande orgasmo, que foi a derrota do "Papão da direita", vem a desilusão e um sempre crescente sentimento de impotência, perante a cada vez mais longínqua «certeza do futuro».

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eleições Europeias - Portugal e a Europa

Começando pelo nosso país, diga-se que os resultados em si não surpreendem de todo, exceptuando o caso do MPT. Como sempre acontece a massa amorfa de votantes vai recompensando os que causam os maiores distúrbios. O povo tem memória curta, cada vez mais curta, e o cenário para as próximas legislativas está já traçado! Digno de nota o resultado da CDU e de nota igualmente o progressivo "afundamento" do BE. Estes estão a pagar pelas ingerências biológicas e sociais.
Quanto ao MPT eu não sei se foi o efeito "mediático" do Marinho Pinto que levou a esse resultado, é provável que sim, mas de qualquer modo pode ser um bom sinal. A política portuguesa precisa de partidos de fora do arco do governo, do clube dos cinco se preferirem. É preciso "partir o sistema", provocar um rombo nos interesses partidocráticos instalados na camarilha que relampeia pelos corredores e assentos do parlamento.

Na Europa os resultados eleitorais ao contrário de Portugal, mostram grandes "cartões vermelhos aos governos", sobretudo aos socialistas, a dita extrema-direita ganha relevo, fruto como bem sabemos não do racismo e da xenofobia, mas sim da revolta dos naturais perante o desrespeito pelo que é seu de direito e por uma política de emigração totalmente descontrolada e com os recursos para a sobrevivência dos povos  a começarem a atingir o limite. Quer se queira quer não, são estes, no momento, os únicos partidos que "falam ao coração dos povos", que apresentam soluções (se viáveis ou não, isso é outro assunto) que vão de encontro aos desejos de muitas pessoas. Que ninguém se admire de ver a dita extrema-direita crescer ainda mais nos próximos anos. 

Isto é de certa forma consequência da falência do socialismo, que se revela ao fim de quase dois séculos de existência uma falácia em permanente estado de Ad Novitatem. Quanto à sua forma abastardada, a social-democracia, diga-se que a mesma perdida nos labirintos de uma direita que não o é e em permanente rebelião consigo mesma por ser considerada de direita, a mesma tem tido, pelo menos em Portugal e desde o 25 de abril, um papel quase sempre subalterno, situação que impediu que a social-democracia portuguesa atingisse outros níveis. Todos os governos da social-democracia tiveram de reparar os erros das gestões socialistas anteriores. Mas parece que esta tónica não é só portuguesa, em boa parte dos países da actual União Europeia todos os governos de social-democracia estiveram sempre condicionados pelos erros dos socialistas. 

Não faço aqui, de forma nenhuma, a apologia da social-democracia em detrimento do socialismo, porque ambos são socialismos e não servem. O que quero deixar claro é que nunca vimos qualquer governo socialista condicionado por erros da social-democracia, foi sempre ao contrário, e isto tem evidentemente um preço que uma grande parte dos votantes não tem em conta ou então manifestam uma grande falta de bom senso e análise minimamente cuidada dos factos.