sábado, 5 de dezembro de 2009

A actividade económica em Portugal

Depois de ter lido alguns autores do início do século XX,aliás,ao Harms da cidade do sossego deparou-se-lhe a mesma questão ao ter lido outros autores do séc.XX,só posso ficar chocado com o que me é dado a conhecer.Pensava eu que o desequilíbrio financeiro e a destruição da actividade económica tradicional era um facto relativamente recente,mas, depois de ler algumas obras antigas,afinal, estava bem enganado!
Este processo destrutivo já vem de longa data,foi cozinhado há muitos anos,provavelmente bem antes dos alvores do republicanismo temporal.Continua a existir uma fúria incontrolável por parte daqueles que supostamente mandam,querem destruir à força a tradição,a respeitabilidade social,a descentralização de poderes e outras coisas mais de grande sentido espiritual.Passados cem anos,um século e continuamos na mesma,pior,se contarmos que vivemos na era do globalismo apátrida em que a omnicentralização de tudo conduz inevitavelmente à auto-destruição.
É tal como o nosso republicanismo,que não passa de uma fábula.Em 100 anos de história nada fez,o republicanismo,de visível pelo país,ou pela nação para ser mais abrangente,e o culpado segundo os cânones oficiais do bacoquismo,é o desgraçado do salazar.
O pobre infeliz que herdou uma situação de bancarrota quase total,é claro que Salazar comenteu erros,mas,pretenderem imputar-lhe as culpas dos problemas do país é falso.Soa a manobra de diversão,como aliás convém aos sectores republicanistas,a não passarem de agentes ao serviço de outros apetites.
O Salazar foi muito mais vítima do que algoz,mas isso é algo totalmente incompreensível para uma boa parte dos Portugueses sujeitos que estão ao massacre massivo da máquina propagandística.E como os portugueses vão perdendo a faculdade de pensar,a capacidade de análise crítica e o discernimento,isso poderá dar origem ao aparecimento de um novo "Salazar".Mas este a surgir,será muito pior do que o anterior.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O estado e a nação

«Para bem definir o sentido desta frase que exprime em síntese todo um programa nacionalista-é necessário pôr em relevo a distinção profunda que em Portugal se manteve sempre entre o estado e a nação e salientar ainda certas características destas duas entidades.
É curioso notar desde já,que cabendo ao estado o papel primacial de manter a ordem, tem sido ele o principal agente provocador de todas as desordens e de todas as revoluções.
Viu alguém por acaso,nesses combatentes de rua com que periodicamente damos ao mundo o mais vergonhoso dos espectáculos, envolvidas as forças produtoras da nação:a indústria,o comércio,a agricultura?
Quem prepara as revoluções e nelas colabora é sempre o estado,representado pelas suas forças políticas e pelas suas forças militares. A nação assiste intimamente perturbada e triste, o desenrolar dos acontecimentos,procurando sempre manter a sua actividade através das dificuldades e dos perigos da luta armada,mas abstendo-se sistematicamente de tomar parte nela.Após a revolução vem a suspensão de garantias, as violências, os vexames, as leis de excepção, as medidas económicas restritivas.Para os revolucionários? Não.Para o país inteiro que à revolução se manteve alheio e lhe sofreu as consequências, sempre desastrosas, eos encargos sempre pesados.Podia o estado, após a desordem que ele próprio criou,fomentou e fez explodir com ruído, manter intactas as liberdades individuais e resolver as suas lutas intestinas e cevar os ódios mesquinhos dos seus elementos representativos, sem perturbar e ferir a nação que tranquilamente quer trabalhar e viver. Pois é precisamente contra a nação inocente, que se volta a sua fúria de vingança.
Os que à sombra da revolução alcançaram o cobiçado exercício de poder logo tratam de reorganizar ministérios e repartições para que novos lugares surjam, onde se acomodem os seus agentes de confiança,sem que perturbadas sejam as comodidades dos adversários vencidos, ilegitimamente ganhas nas revoluções anteriores.A onda de novos funcionários públicos cresce a cada nova revolução e com ela a das despesas públicas.
Ao banco dos reús é chamado só o país inocente, para pagar as custas do processo com o produto das suas liberdades individuais,duramente conquistadas em séculos de evolução, e com as pobres migalhas do seu incansável e persistente labor.Este tem sido e há-de ser sempre um dos aspectos do estado, comum a todas as cores e bandeiras.É o estado desordeiro,perdulário e tirano, que se olha a si próprio como indivíduo independente, estranho e superior à nação».



In Doutrina nacionalista-J.Perpétuo da Cruz (1928)

O papão comunista-retalhos de um bolchevismo à portuguesa

«Muito se apregoa que somos um povo sem acção,vivendo na eterna esperança de um messias salvador,e ninguém repara que emigrando para outros meios,bem demonstramos de quanto é capaz a nossa actividade.Em messias se arvoraram o estado e os municípios,senhores absolutos e omnipotentes, que a si chamaram o monopólio de todas as actividades.
Messias vemos nós a cada passo, na aldeia mais sertaneja como no centro mais populoso e a todos caracteriza a mesma preocupação absorvente de dominar os múltiplos aspectos da actividade individual,para salvar a nação,dizem eles.
Ora um país em que a actividade do estado assim vence e asfixia a actividade individual caminha para o comunismo.
O papão comunista, que o estado vê e persegue por toda a parte,não é mais do que o pálido reflexo, a imagem fugidia do seu próprio perfil.
A trajectória da actividade económica e social dos povos, que começou pelo comunismo, concretizado no poder supremo, espiritual e temporal, dum chefe caminha num sentido de individualismo progressivo para o extremo inatingível do individualismo puro ou anarquia.
Fazer reviver formas comunistas-sejam elas expressas pelo poder absoluto dum chefe ou pelo poder igualmente absoluto de classes ou de sindicatos(sindicalismo,bolchevismo) ou ainda representada por um número reduzido de indivíduos ( socialismo)-é regressar aos períodos bárbaros do passado.
Deixar as sociedades entregues à pura actividade individual,só compatível com a absoluta perfectibilidade humana,seria rematada loucura.Entre os dois extremos existe um termo médio, ou antes uma série de termos médios,cada um deles adaptado às características dos indivíduos a cada momento, mas todos eles tendendo para um progressivo individualismo.
A relação, entre as quantidades de actividade individual e de actividade do estado, que melhor correspondem ao perfeito equilíbrio a cada instante, que se chama a liberdade, tem um valor máximo constante, não podendo por isso a liberdade de um indivíduo aumentar, sem que uma diminuição correspondente sofra a liberdade dos outros.
Quando o estado tenta ampliar a sua acção, imediatamente restringe, por esse facto, as acções individuais.Ora o estado não vive da actividade dos indivíduos que o servem, mas tão somente da actividade dos indivíduos que constituem a nação».

In Doutrina nacionalista-J.Perpétuo da Cruz(1928)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A palavra-um mau transmissor de ideias e verdades

A história existe muito antes de ter havido qualquer escritor digno de relatar factos e ocorrências,não sendo até de excluir pensar-se que o homem enquanto contemporâneo de evos e evos de evoluções,o que quer dizer muito justamente,que a história é muito mais antiga do que afirma a história oficial.Bem sei que isto dito assim e sem provas é muito rebuscado,é a mítica teoria conspirativa,mas o grande facto é que não é preciso ser-se um expert para se chegar à conclusão do óbvio,que é a história ser muito mais antiga do que usualmente se supõe.
Mil milhões de anos de evolução microbiana para se chegar aos primeiros organismos celulares e somente alguns milhares de anos para se chegar aos vanguardistas do reino animal seria e é,uma coisa altamente improvável.E o grande erro aqui não advém simplesmente de uma teorização certa(parcialmente...) em termos científicos e menos certa em termos metafísicos.O grande problema da humanidade é ontológico,donde o grande teorema incompreendido da criação em seis dias,significando cada dia desses um valor completamente diferente para a intuição humana,e digo bem,intuição,é mesmo disso que se trata, está para além da generalidade daquilo que a humanidade tão moderna dos nossos dias está disposta a compreender.
A humanidade hoje demitiu-se de pensar por si própria,delega esses poderes para outros que daí vão retirando vantagens,e centrando-se num estilo conformista-consumista vão-se tornando bestas (desculpem esta palavra) , em que o sentido de si próprias e dos outros se torna mero objecto de circunstância.Tudo corrompido e desvirtuado pela ambiguidade da palavra.
Os grandes mestres do passado sabiam perfeitamente da natureza ambígua da palavra e por isso mesmo já naquelas épocas diziam: tudo o que merece ser ouvido não pode ser dito por palavras...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O estado e a indústria

«As indústrias do estado nem sequer publicam relatórios,pois se os publicassem,veria a indústria particular quanto dinheiro o estado lhe vem arrancando pelo imposto,para se bater com ela em concorrência.E não se julgue que a indústria do estado,quando trabalha só para o próprio estado,deixa de ser um concorrente directo da indústria particular.É,e dos mais temíveis,pois rouba a esta o seu melhor cliente,que é precisamente o estado.
Seguindo o exemplo nefasto do estado (todos os maus exemplos são facilmente imitados) vêm agora as câmaras municipais,criando indústrias privativas e municipalizando os serviços públicos,não com o propósito de melhorá-los ou barateá-los- propósito este louvável embora ilusório,pois que a administração pública é por sua natureza incompetente e perdulária- mas com a intenção declarada ou oculta, de obter elevadas receitas para os municípios,mesmo que para isso seja necessário atrofiar a actividade particular.
Querendo obter lucros na própria energia vendida,e em todos os serviços municipalizados,o preço dos custos são tão elevados que não podem bater em concorrência o análogo produto estrangeiro e a indústria morre por falta de mercado.
Não lhes basta porém asfixiar a indústria pelo encarecimento da energia primária.Pela concorrência de indústrias privativas,roubam-lhes os mercados,a mão de obra e o capital e acabam por desacreditá-la chamando-lhe rotineira,improgressiva e parasitária.
Num país em que o estado e os municípios assim atrofiam e esmagam a actividade individual,será por acaso de admirar que a agricultura,o comércio e a indústria,não se desenvolvam e antes caminhem para a ruína?



In-Economia nacionalista-J.Perpétuo da Cruz

Discursos de desgovernação

Quando ontem à noite num telejornal,ouço a pomposa figura do (des)governador do banco de portugal,vir dizer que os impostos deveriam ser aumentados nem queria acreditar.É muito fácil para um senhor nessas funções dizer uma coisa dessas,não fosse ele um dos que mais ganha no mundo por essas funções.Já não há vergonha nem decoro.Deve estar com medo que lhe acabe o tacho.

«... na sincera preocupação de salvar o país,é afinal a si próprios que procuram salvar-se,ou para conservar as suas posições conquistadas,ou para melhorar de posição à custa dos outros.É assim o estado quem -sem o saber e sem dar por isso-prepara e fomenta a miséria nacional;quem,guiado por um critério falso,benéfico na aparência,rouba à nação os meios de vida, não tanto pelo que consome em administrações perdulárias,mas pelas fontes de riqueza que destroí na prática de medidas violentas,anti-económicas e ruinosas.»
Economia nacionalista-J.Perpétuo da Cruz

domingo, 22 de novembro de 2009

A monarquia universal:Dante

O poeta incontornável da divina comédia escreveu um tratado de política intitulado:De monarchia(1311) que deve ser traduzido em linguagem moderna por:«Do império».
Dante considera o império como um «principado único tornando-se com o tempo extensivo a todas as gentes». Em três livros o poeta propõe-se «examinar primeiro se o império é necessário ao bem estar do mundo; em segundo lugar se o povo romano teve razão em assumir o exercício da monarquia; em terceiro lugar se a autoridade monárquica provém directamente de Deus ou de qualquer ministro ou vigário de Deus».A resposta às duas primeiras questões é positiva.Quanto à terceira ,Dante pensa que a autoridade temporal e política,independente da autoridade do Papa e da igreja,depende directamente de Deus.Dante introduz assim a doutrina do direito divino dos reis. Para esse efeito elimina os argumentos simbólicos (a alegoria da lua e do sol) , os argumentos tirados das sagradas escrituras ( o poder de Pedro para ligar e desligar as coisas na terra) e tradicionais («a doação de Constantino»). O soberano temporal não está dependente do soberano espiritual no que diz respeito aos assuntos públicos. Só lhe deve respeito em virtude da sua qualidade de guia para alcançar a vida eterna.
Concretamente Dante,exilado político refugiado na Itália do norte, vira-se para o imperador alemão. Pede auxílio contra o papado, que apoia em Florença o partido dos guelfos.O apelo,que mais tarde Maquiavel dirigirá ao príncipe libertador, dirige-o Dante ao imperador pela «Itália escravizada , onde reina a angústia». [...]


Os guelfos eram os partidários dos papas,na idade média,contra os gibelinos,defensores dos imperadores da alemanha. Os guelfos,apoiados pelas cidades toscanas e lombardas que lutavam pela independência, combateram,nos Sécs.XII e XIII, contra os imperadores Frederico de Hohenstaufen, o seu filho Henrique II e contra o filho bastardo deste,Manfredo.
Após numerosas derrotas, conseguiram a vitória ao chamarem em seu auxílio Carlos de Anjou(1266)


In as doutrinas políticas de Marcel Prélot.