terça-feira, 24 de novembro de 2009

Discursos de desgovernação

Quando ontem à noite num telejornal,ouço a pomposa figura do (des)governador do banco de portugal,vir dizer que os impostos deveriam ser aumentados nem queria acreditar.É muito fácil para um senhor nessas funções dizer uma coisa dessas,não fosse ele um dos que mais ganha no mundo por essas funções.Já não há vergonha nem decoro.Deve estar com medo que lhe acabe o tacho.

«... na sincera preocupação de salvar o país,é afinal a si próprios que procuram salvar-se,ou para conservar as suas posições conquistadas,ou para melhorar de posição à custa dos outros.É assim o estado quem -sem o saber e sem dar por isso-prepara e fomenta a miséria nacional;quem,guiado por um critério falso,benéfico na aparência,rouba à nação os meios de vida, não tanto pelo que consome em administrações perdulárias,mas pelas fontes de riqueza que destroí na prática de medidas violentas,anti-económicas e ruinosas.»
Economia nacionalista-J.Perpétuo da Cruz

domingo, 22 de novembro de 2009

A monarquia universal:Dante

O poeta incontornável da divina comédia escreveu um tratado de política intitulado:De monarchia(1311) que deve ser traduzido em linguagem moderna por:«Do império».
Dante considera o império como um «principado único tornando-se com o tempo extensivo a todas as gentes». Em três livros o poeta propõe-se «examinar primeiro se o império é necessário ao bem estar do mundo; em segundo lugar se o povo romano teve razão em assumir o exercício da monarquia; em terceiro lugar se a autoridade monárquica provém directamente de Deus ou de qualquer ministro ou vigário de Deus».A resposta às duas primeiras questões é positiva.Quanto à terceira ,Dante pensa que a autoridade temporal e política,independente da autoridade do Papa e da igreja,depende directamente de Deus.Dante introduz assim a doutrina do direito divino dos reis. Para esse efeito elimina os argumentos simbólicos (a alegoria da lua e do sol) , os argumentos tirados das sagradas escrituras ( o poder de Pedro para ligar e desligar as coisas na terra) e tradicionais («a doação de Constantino»). O soberano temporal não está dependente do soberano espiritual no que diz respeito aos assuntos públicos. Só lhe deve respeito em virtude da sua qualidade de guia para alcançar a vida eterna.
Concretamente Dante,exilado político refugiado na Itália do norte, vira-se para o imperador alemão. Pede auxílio contra o papado, que apoia em Florença o partido dos guelfos.O apelo,que mais tarde Maquiavel dirigirá ao príncipe libertador, dirige-o Dante ao imperador pela «Itália escravizada , onde reina a angústia». [...]


Os guelfos eram os partidários dos papas,na idade média,contra os gibelinos,defensores dos imperadores da alemanha. Os guelfos,apoiados pelas cidades toscanas e lombardas que lutavam pela independência, combateram,nos Sécs.XII e XIII, contra os imperadores Frederico de Hohenstaufen, o seu filho Henrique II e contra o filho bastardo deste,Manfredo.
Após numerosas derrotas, conseguiram a vitória ao chamarem em seu auxílio Carlos de Anjou(1266)


In as doutrinas políticas de Marcel Prélot.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Corruptos e corrupções

Começa a ser recorrente falar-se de corrupção e de corruptos.Mas em Portugal a coisa está a atingir tal ponto,que se torna dolorosamente inquietante este silêncio ensurcedor.
Nestes casos mediáticos de corrupção,são propositadamente omitidos certos factos,que em muito ajudariam para que houvesse melhor justiça e melhores leis.O mais recente caso das escutas representa um flagrante exemplo disso mesmo.E quando justificam a nulidade dessas mesmas escutas pelo facto de não se ter agido legalmente perante o que chamam de "processualidade",estamos perante o maior desvio dos princípios elementares do estado de direito,que está bem torto para nossa desgraça,e da democracia.A imunidade política de que gozam,desdobra-se num leque infindável de influências e falcatruas que permitem o desvirtuamento das leis e a proliferação de decretos de lei que servem,com toda a naturalidade,para aplicar as leis conforme as conveniências.Já sabemos que o cidadão comum está fora deste esquema,para este existem outros princípios e leis.
E esta imunidade é estendida a outras figuras decorativas da ripública,como sejam,o PGR,o Bastonário da ordem dos advogados,o (des)governador do banco de Portugal,e outros mais.
O que me deixa apreensivo é que parece que não há volta a dar.Ontem uns,hoje estes e amanhã outros,o saque continuará.E com a letargia bem instalada na sociedade portuguesa,amorfa e vencida pelo peso de uma máquina estatal autofágica,começo a duvidar do futuro deste nosso país.
Quando tantos conhecidos meus emigraram e continuam a emigrar,não é em vão que o fazem.Fazem-no porque estão fartos de ser roubados e mal tratados no seu país.Pelo menos lá fora há mais justiça social,conseguem trabalhar e viver sem o credo na boca,existe ainda algum respeito pelo ser humano,coisa que em Portugal,infelizmente já é coisa rara...

domingo, 15 de novembro de 2009

A maldição do individualismo

Na república,a sociedade não é mais um corpo geral, mas uma reunião de indivíduos:como a vontade geral não é mais que uma soma de vontades particulares. A conservação geral,que é o objectivo,não é mais do que a felicidade individual; e vemos com efeito o bem estar físico do homem compensar algumas vezes nas suas repúblicas,a sua degradação moral,e o sacrifício da sua liberdade social: tudo se individualiza,tudo se canaliza e concentra na vida actual; o presente é tudo para a república;não têm futuro. Tudo o que é eterno na religião, tudo o que é permanente na sociedade é por sua vez,destruído ou desconhecido,nega-se a eternidade das penas e das recompensas,a vida futura,até a existência de Deus.E ao mesmo tempo a pena de morte,o primeiro meio de conservação de uma sociedade,é trocada por uma pena temporária,sendo as distinções hereditárias confundidas com funções amovíveis,a propriedade essencial,tudo é subvertido.O homem torna-se inconsciente,e Deus não é mais do que a junção dos seres.Observo o progresso sucessivo dastas opiniões desoladoras;e censurando não alguns anos,mas séculos,não uma ou duas sociedades,mas todas as sociedades,constato com pavor a marcha combinada do ateísmo,do materialismo e do republicanismo.


Louis de Bonald-«Teoria do poder político e religioso.» (1796)

O homem só e o homem de Deus

Estamos todos enganados[...] devido a um sofisma tão natural que escapa totalmente à nossa atenção.Porque o homem age,e pensa que age só,e porque ele tem consciência da sua liberdade,ele esquece a sua dependência.Na ordem física,ele compreende a razão;e o que ele possa fazer, por exemplo,plantar uma árvore,regá-la,etc,no entanto,ele sabe e é conveniente que o saiba,que ele não faz árvores,nem folhas ou flores.Ele vê perfeita e indistintamente a árvore crescer,ganhar e perder folhas,flores e frutos sem que o poder humano faça qualquer diferença sobre o assunto; mas na ordem social onde ele está presente e é agente,ele acredita que é realmente o autor directo de tudo o que é feito por ele: é em certo sentido,a pá que se acha o arquitecto.O homem é inteligente,é livre,é sublime sem qualquer dúvida; mas não deixa de ser um instrumento de Deus.


Joseph de Maistre «Ensaio sobre o princípio gerador das constituições políticas e das outras instituições humanas.»(1809)

O Homem social instrumento de Deus

A natureza do homem é estar unido em grandes sociedades sobre toda a superfície do globo:[...] a natureza de um ser é existir tal como o criador quis que ele existisse.[...] Assim sendo a sociedade não é obra do homem,ms o resultado imediato da vontade do criador que quis que o homem fosse o que hoje é,sempre e em todo o lado.[...] O estado da natureza humana é então ser o que hoje é e o que sempre foi,ou seja,ser sociável:todos os anais do universo estabelecem esta realidade.


Joseph de Maistre «Estudos sobre a soberania».

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A micro e a macro-corrupção

Este post vem a propósito de uma série de artigos de opinião que tenho lido em diversos jornais.
Um deles dizia resumidamente,mais ou menos o seguinte:-Em Portugal existe uma micro-corrupção para que a macro-corrupção possa campear à vontade.
O que é mais do que verdade,diga-se desde já.Empola-se propositadamente a micro-corrupção tentando desviar as atenções dos grandes escândalos da macro-corrupção.E quanto mais escandalosos forem os personagens e os cenários,como é o caso Português,mais a micro-corrupção é apontada,denunciada e mais serve de bode expiatório.
Agora querem discutir na assembleia da "ri"pública novas leis anti-corrupção.Mas essas leis serão para a micro ou para a macro-corrupção?Alguém sabe a resposta?
Cuidado,não se deixem enganar,essa resposta depende de dois factores diferentes,ou seja,depende dos cenários e dos personagens,e também sabemos que os nossos personagens reduziram os cenários à incertitude da lei,aos impedimentos legais e às prescrições temporais.
Pensem bem no triângulo recém-formado aquando deste último escandâlo de corrupção.
Um deles é um excelente cão de fila.Espera e trabalha em prol de um exílio dourado em algum pseudo-organismo humanitário,de resto,tal como alguns camaradas seus de partido.
Outro deles está ali encravado no meio,o gesticulador verbal de serviço,mas que sabe que a manivela só gira para um lado.Quanto ao outro o último,é o salteador de organismos,é o que transporta as influências.