domingo, 22 de novembro de 2009

A monarquia universal:Dante

O poeta incontornável da divina comédia escreveu um tratado de política intitulado:De monarchia(1311) que deve ser traduzido em linguagem moderna por:«Do império».
Dante considera o império como um «principado único tornando-se com o tempo extensivo a todas as gentes». Em três livros o poeta propõe-se «examinar primeiro se o império é necessário ao bem estar do mundo; em segundo lugar se o povo romano teve razão em assumir o exercício da monarquia; em terceiro lugar se a autoridade monárquica provém directamente de Deus ou de qualquer ministro ou vigário de Deus».A resposta às duas primeiras questões é positiva.Quanto à terceira ,Dante pensa que a autoridade temporal e política,independente da autoridade do Papa e da igreja,depende directamente de Deus.Dante introduz assim a doutrina do direito divino dos reis. Para esse efeito elimina os argumentos simbólicos (a alegoria da lua e do sol) , os argumentos tirados das sagradas escrituras ( o poder de Pedro para ligar e desligar as coisas na terra) e tradicionais («a doação de Constantino»). O soberano temporal não está dependente do soberano espiritual no que diz respeito aos assuntos públicos. Só lhe deve respeito em virtude da sua qualidade de guia para alcançar a vida eterna.
Concretamente Dante,exilado político refugiado na Itália do norte, vira-se para o imperador alemão. Pede auxílio contra o papado, que apoia em Florença o partido dos guelfos.O apelo,que mais tarde Maquiavel dirigirá ao príncipe libertador, dirige-o Dante ao imperador pela «Itália escravizada , onde reina a angústia». [...]


Os guelfos eram os partidários dos papas,na idade média,contra os gibelinos,defensores dos imperadores da alemanha. Os guelfos,apoiados pelas cidades toscanas e lombardas que lutavam pela independência, combateram,nos Sécs.XII e XIII, contra os imperadores Frederico de Hohenstaufen, o seu filho Henrique II e contra o filho bastardo deste,Manfredo.
Após numerosas derrotas, conseguiram a vitória ao chamarem em seu auxílio Carlos de Anjou(1266)


In as doutrinas políticas de Marcel Prélot.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Corruptos e corrupções

Começa a ser recorrente falar-se de corrupção e de corruptos.Mas em Portugal a coisa está a atingir tal ponto,que se torna dolorosamente inquietante este silêncio ensurcedor.
Nestes casos mediáticos de corrupção,são propositadamente omitidos certos factos,que em muito ajudariam para que houvesse melhor justiça e melhores leis.O mais recente caso das escutas representa um flagrante exemplo disso mesmo.E quando justificam a nulidade dessas mesmas escutas pelo facto de não se ter agido legalmente perante o que chamam de "processualidade",estamos perante o maior desvio dos princípios elementares do estado de direito,que está bem torto para nossa desgraça,e da democracia.A imunidade política de que gozam,desdobra-se num leque infindável de influências e falcatruas que permitem o desvirtuamento das leis e a proliferação de decretos de lei que servem,com toda a naturalidade,para aplicar as leis conforme as conveniências.Já sabemos que o cidadão comum está fora deste esquema,para este existem outros princípios e leis.
E esta imunidade é estendida a outras figuras decorativas da ripública,como sejam,o PGR,o Bastonário da ordem dos advogados,o (des)governador do banco de Portugal,e outros mais.
O que me deixa apreensivo é que parece que não há volta a dar.Ontem uns,hoje estes e amanhã outros,o saque continuará.E com a letargia bem instalada na sociedade portuguesa,amorfa e vencida pelo peso de uma máquina estatal autofágica,começo a duvidar do futuro deste nosso país.
Quando tantos conhecidos meus emigraram e continuam a emigrar,não é em vão que o fazem.Fazem-no porque estão fartos de ser roubados e mal tratados no seu país.Pelo menos lá fora há mais justiça social,conseguem trabalhar e viver sem o credo na boca,existe ainda algum respeito pelo ser humano,coisa que em Portugal,infelizmente já é coisa rara...

domingo, 15 de novembro de 2009

A maldição do individualismo

Na república,a sociedade não é mais um corpo geral, mas uma reunião de indivíduos:como a vontade geral não é mais que uma soma de vontades particulares. A conservação geral,que é o objectivo,não é mais do que a felicidade individual; e vemos com efeito o bem estar físico do homem compensar algumas vezes nas suas repúblicas,a sua degradação moral,e o sacrifício da sua liberdade social: tudo se individualiza,tudo se canaliza e concentra na vida actual; o presente é tudo para a república;não têm futuro. Tudo o que é eterno na religião, tudo o que é permanente na sociedade é por sua vez,destruído ou desconhecido,nega-se a eternidade das penas e das recompensas,a vida futura,até a existência de Deus.E ao mesmo tempo a pena de morte,o primeiro meio de conservação de uma sociedade,é trocada por uma pena temporária,sendo as distinções hereditárias confundidas com funções amovíveis,a propriedade essencial,tudo é subvertido.O homem torna-se inconsciente,e Deus não é mais do que a junção dos seres.Observo o progresso sucessivo dastas opiniões desoladoras;e censurando não alguns anos,mas séculos,não uma ou duas sociedades,mas todas as sociedades,constato com pavor a marcha combinada do ateísmo,do materialismo e do republicanismo.


Louis de Bonald-«Teoria do poder político e religioso.» (1796)

O homem só e o homem de Deus

Estamos todos enganados[...] devido a um sofisma tão natural que escapa totalmente à nossa atenção.Porque o homem age,e pensa que age só,e porque ele tem consciência da sua liberdade,ele esquece a sua dependência.Na ordem física,ele compreende a razão;e o que ele possa fazer, por exemplo,plantar uma árvore,regá-la,etc,no entanto,ele sabe e é conveniente que o saiba,que ele não faz árvores,nem folhas ou flores.Ele vê perfeita e indistintamente a árvore crescer,ganhar e perder folhas,flores e frutos sem que o poder humano faça qualquer diferença sobre o assunto; mas na ordem social onde ele está presente e é agente,ele acredita que é realmente o autor directo de tudo o que é feito por ele: é em certo sentido,a pá que se acha o arquitecto.O homem é inteligente,é livre,é sublime sem qualquer dúvida; mas não deixa de ser um instrumento de Deus.


Joseph de Maistre «Ensaio sobre o princípio gerador das constituições políticas e das outras instituições humanas.»(1809)

O Homem social instrumento de Deus

A natureza do homem é estar unido em grandes sociedades sobre toda a superfície do globo:[...] a natureza de um ser é existir tal como o criador quis que ele existisse.[...] Assim sendo a sociedade não é obra do homem,ms o resultado imediato da vontade do criador que quis que o homem fosse o que hoje é,sempre e em todo o lado.[...] O estado da natureza humana é então ser o que hoje é e o que sempre foi,ou seja,ser sociável:todos os anais do universo estabelecem esta realidade.


Joseph de Maistre «Estudos sobre a soberania».

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A micro e a macro-corrupção

Este post vem a propósito de uma série de artigos de opinião que tenho lido em diversos jornais.
Um deles dizia resumidamente,mais ou menos o seguinte:-Em Portugal existe uma micro-corrupção para que a macro-corrupção possa campear à vontade.
O que é mais do que verdade,diga-se desde já.Empola-se propositadamente a micro-corrupção tentando desviar as atenções dos grandes escândalos da macro-corrupção.E quanto mais escandalosos forem os personagens e os cenários,como é o caso Português,mais a micro-corrupção é apontada,denunciada e mais serve de bode expiatório.
Agora querem discutir na assembleia da "ri"pública novas leis anti-corrupção.Mas essas leis serão para a micro ou para a macro-corrupção?Alguém sabe a resposta?
Cuidado,não se deixem enganar,essa resposta depende de dois factores diferentes,ou seja,depende dos cenários e dos personagens,e também sabemos que os nossos personagens reduziram os cenários à incertitude da lei,aos impedimentos legais e às prescrições temporais.
Pensem bem no triângulo recém-formado aquando deste último escandâlo de corrupção.
Um deles é um excelente cão de fila.Espera e trabalha em prol de um exílio dourado em algum pseudo-organismo humanitário,de resto,tal como alguns camaradas seus de partido.
Outro deles está ali encravado no meio,o gesticulador verbal de serviço,mas que sabe que a manivela só gira para um lado.Quanto ao outro o último,é o salteador de organismos,é o que transporta as influências.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um desafio diferente-Para quebrar o ritmo

Quero aqui propor a todos os interessados um desafio interessante.
Construam a vossa equipa ideal de futebol.Adaptem-lhe um modelo táctico,escolham os jogadores a até os 7 suplentes.As únicas condições são:1-Só podem ser seleccionáveis jogadores que tenhamos visto jogar,em directo quero eu dizer e não de ter visto em reportagens ou registos.Eu no meu caso não vi eusébio,pélé,Beckenbauer e outros tantos.
2-A segunda condição não tem condições,não interessa as nacionalidades nem quaisquer outras referências.

A minha equipa ideal: Modelo 4-3-3(aprox.)-Dassaev; Gerets,Baresi,Ricardo Gomes e Roberto Carlos;Matthaeus,Robson e Platini; Maradona,P.Futre e Van Basten.

Suplentes:Schmeichel(G.R.),Maldini,Jorge Costa,Patrick Vieira,Rijkaard,Lineker,Klinsmann e Rui Costa(são 8 suplentes afinal..)

E quem gostar de ver um grande espectáculo desportivo,não se esqueça de ver o França-Á frica do sul em rugby de preparação,sábado às 19,45 na Sport TV.Parece que é à mesma hora de Portugal-Bósnia,lamento muito mas prefiro o rugby.