Mostrar mensagens com a etiqueta história. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta história. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Democracia, vira casacas e credo liberal-maçónico

«O que mais será de admirar-se é o servir de corochéu da edificação da nova cidade o modo de compreender a fé nos princípios e a dignidade ou a inteireza e fidelidade no credo partidário.
Sólidas nos poucos que se mantiveram legitimistas, sucessores dos corcundas, firmes na devoção à realeza de D. Miguel, vanguejaram nos sucessores dos malhados para as dobrezas, versatilidades e inconstâncias, para aquele espírito voltívolo representado no friso de «as 52 caras políticas de Saldanha».
Redunda disso assaz dificultoso, quase inescrutável, o apanhando, a descrição e a explicação da contradança em que os homens volteavam da cá para lá, de aquém para além em confusão babélica.

(...) em nossos dias um saliente republicano, desntabulou-a ao defender o mudadiço na política, preconizando a versatilidade de tão natural como nos próprios fenómenos geológicos. «que até os penedos mudam de lugar». Provieram dessas concepções situações antinómicas, paradoxais, surpreendentes.
Não há estranhamento, por conseguinte, com as mutações, por mais recentes e afloradas após a chegada da República.
(...)

Ninguém se emburrará perante os contrastes de aquele Dr. Afonso Costa, jurista, autoritário, o homem do gato dos nove rabos, o Robespierrot no humorismo do jornal O Dia chefiar a esquerda do regime, ou de o Dr. António José de Almeida, estruturalmente democrata, brilhante tribuno popular, político de boa fé e ingénuo a quem Homem Cristo, Pai, chamava o St. Just português, colocar-se à direita, ou ainda de o citado Dr. Camacho, «O Marat sem banheira, o cabrito macho de O Povo de Aveiro», um intelectual e confesso livre pensador, tomar lugar no centro e entreter a conspícua tertúlia dos seus afeiçoados.

Também aos menos versados na história do Liberalismo e ignorantes das defecções no realismo e verdadeiro êxodo do campo legitimista parecerá coisa nunca vista a avalanche de chegadiços republicanos, dos adesivos (daquele Brito Camacho) engrossando a cohorte da República, principalmente saídos da direita da monarquia, representada pelo partido Regenerador.

Em Trás-os-Montes a passagem dos Regeneradores foi quase em massa, e - espantosa é a contradição - a grande maioria dos Progressistas, dos da esquerda ficaram a esperar pelo regresso da constitucional Monarquia acéfala, embora do seio do partido saíssem os primeiros republicanos.
(...)


Seus apóstolos e guias, a alguns dos quais Garrett mimoseou com o humilhante chamadoiro de «calças de coiro», enfarados do cheiro da plebe afastaram-se do povo para entrarem de ocupar os lugares dos privilegiados banidos, usurpando-lhes as posições, macaqueando a presença, ademanes e costumes aristocráticos, e aparentando o viver da elegância moral, distinção natural e atributos daqueles que nasciam à parte. Bem confirmavam o dito de António Sardinha que a mão leva cem anos a aristocratizar; e uma vez aristocratizada já não são precisos pergaminhos, mesmo respançados ou de nova indústria química, valorizam e afidalgam os de papel do Prado.

Em contra-prova alguns homens deixaram públicas demonstrações de inteireza e coerência democráticas. Alexandre Herculano tomou como padrinhos do seu casamento o sacristão da igreja em que casou e um mendigo que o acaso lá levou, e , nos tempos mais recentes, o Dr. Teófilo Braga, se bem que haja, cá e lá fora, quem o coloque a grande distância de Herculano, sobraçando repolhudo guarda-sol, de fraque de gato pingado e sentado no carro do Chora, entre hortaliçeiras e varinas, assim se encaminhava para o palácio da presidência do governo provisório da República.


Transcrição feita do livro Aspectos da Nossa Guerra dos Cem Anos de Francisco Malheiro.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Novo rombo no mito abrilino - os números não enganam

Falta muito para essa data tão ignaramente comemorada, mas antecipando o próximo feriado a ser abolido no nosso país, vou apresentar aqui alguns números respeitantes às Sínteses das Contas Públicas que provocam um novo rombo na credibilidade democrática do 25 de abril. É que a história não se faz apenas de liberdades, direitos e igualdades, faz-se também de números sujeitos à manipulação dos interesses e dos ideais e assim sendo, a fábula político-económica que nos tem sido contada é falsa e não corresponde em nada à realidade que vivemos presentemente.
 
Falar deste tema em Portugal é um "pecado" sem direito a absolvição: Quem não comunga da ditadura pantocrática é apelidado de fascista ou salazarista do primeiro ponto de matéria da cabeça ao último ponto do pé. Mas mais uma vez, os números mostram-nos que a realidade aparente está muito longe de ser o que parece ser. A mentira vai naturalmente engrossando, mas como diz o velho ditado: «Se uma mentira durar o tempo suficiente, a mesma passa a ser tida como verdade».
 
 
Ano 1834-1835  [em milhares de contos]
 
Despesa efectiva: 14   receita fiscal:  8  saldo: -6
 
Ano 1843-1844
 
Despesa efectiva: 12   receita fiscal: 10  Saldo: -2
 
Ano 1863-1864
 
Despesa efectiva: 20   receita fiscal: 15  saldo: -5
 
Ano 1893-1894
 
Despesa efectiva: 44   receita fiscal: 44  saldo: 0
 
Ano 1918-1919
 
Despesa efectiva: 271   receita fiscal: 101   saldo: -170
 
Ano 1919-1920
 
Despesa efectiva: 347   receita fiscal: 159   saldo: -188
 
Ano 1922-1923
 
Despesa efectiva: 1187  receita fiscal: 537   saldo: -649
 
Ano 1933-1934
 
Despesa efectiva:1973   receita fiscal: 1983  Saldo: +10
 
Ano 1973
 
Despesa efectiva: 47609   receita fiscal: 45182   saldo: -2427
 
Ano 1975
 
Despesa efectiva: 84850   receita fiscal: 58396   saldo: -26454
 
Ano 1977
 
Despesa efectiva: 155582  receita fiscal: 109904   saldo: - 45678
 
Ano 1985
 
Despesa efectiva: 1202886   receita fiscal: 779114   saldo: -423772
 
Ano 1995
 
Despesa efectiva: 4865022   receita fiscal: 4116477   saldo: -748545
 
Ano 1998
 
Despesa efectiva: 5918724   receita fiscal: 5530641   saldo: -388083
 
 
Estes números são públicos e quem se der ao trabalho poderá encontra-los facilmente. Quanto a estes números propriamente ditos, se bem analisados, os mesmos poderão ajudar a desmontar alguns dogmas pré-adquiridos.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Desmontem-se os mitos

O "ansiolítico" perfeito para as mentes adormecidas dos nossos dias é a Democracia. O conceito de democracia é muito dúbio, muitos foram os autores que disseram que o conceito carecia de uma certa base essencial em si, para que a mesma pudesse de facto gerar uma democracia no verdadeiro sentido da palavra. Discordo do termo democracia quando o mesmo se refere à democracia representativa ou parlamentar. A existir democracia, só se for a democracia directa pois pela amostra tida com a representativa, isto caminha em direcção ao pior Totalitarismo.
 
A democracia pós-modernista do século XXI é a maior "fábrica de doentes mentais e de loucos" de sempre da nossa história contemporânea. Caminhamos para um progressivo esvaziamento ideológico, de sentimentos fortes, e por outro lado, esquecemos a história, menosprezamos as nossas origens em favor de uma subcultura fundada nos mitos panteístas da pantocracia reinante desde a malfadada revolução de 1789. No meio de todo este caos, onde as ideologias são reduzidas à sua condição mais esfarrapada, o homem vê-se confrontado consigo próprio isolado num mundo onde o virtual impera [mais que não seja para gratificação dos sentidos da populaça] sobre o real. O fantástico dá lugar ao escandaloso.
 
Tudo é normal numa sociedade de anormais; não interessa mais se uma coisa é ou não natural, se pode ou não existir. Havendo vontade, tudo se transforma, nem que para isso se tenha de pôr em causa uma série de códigos morais e leis intemporais.   

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Verdades sobre a monarquia

O príncipe pertence à ordem de princípios universais, não depende de sufrágios políticos, nem de nenhuma opinião pública, nem da confusão política gerada pela partidocracia encarniçada e nem tão pouco dos críticos desculturizados que em nome do progresso (!?) se esquecem muito convenientemente destas simples verdades. A revolução de 89 já tinha sido "plantada e cultivada" na Renascença e assim sendo, Rousseau limitou-se a aproveitar o momento político que favorável a uma espécie de "redivinização" do homem, aspirava  ao domínio do mundo. Tal utopia forjou os direitos humanos que viriam a condicionar fortemente as sucessivas tentativas de tal "redivinização".

«Que cousa he Revolução? Revolução he huma mudança desgraçada do bem para o mal, na ordem política, de que resulta alguma vantagem para os Scelerados, que a fazem». [A Genealogia do Pensamento Nacionalista - Fernando Campos, pág. 21].
«Todo o transtorno da ordem estabelecida he huma desgraça verdadeira; toda a mudança repentina é perigosa, e muito mais quando se passa de hum estado para outro estado diametralmente oposto. Se os hábitos políticos, e moraes arraigados profundamente pelo lapso dos séculos, se tem convertido em natureza, sem fazer a esta extrema violência, não se podem mudar, ou destruir, para adquirir outros em todo o sentido contrários. Eis-aqui o que intentão fazer as revoluções políticas, que se devem considerar como flagelos da Justiça Divina para punir os delictos dos homens. Sempre houverão revoluções em todos os povos antigos na ordem política, mas limitavam-se unicamente entre os Romanos á forma do seu governo, e ás pessoas que sustentavam as rédeas destes mesmos governos; revoluções moraes nunca existirão. Erão imudáveis as Leis, imudável a Religião, invariáveis os costumes, tudo era Romano até á expulsão dos Tarquinios, tudo foi Romano no Governo Consular, e passando o governo ao Estado Monárquico, não houve mudança alguma na ordem moral. (...) Com o ódio aos monarcas, apareccêo, não só o desprezo, mas ódio á religião, e aos costumes formados pela sua moral, o ódio ás Leis mais Sagradas da humanidade, ás instituições consagradas pelos séculos em que os Povos tinhão conservado a sua felicidade». [Ibidem, págs. 21 e 22]






 

terça-feira, 18 de junho de 2013

O sonho "sindical-comunista"

O que é que se conseguiu com estas greves aos exames? Nada. Um rotundo zero. Continua tudo na mesma, porque os planos de deseducação são para levar por diante, custe o que custar. Não se compreendem as declarações dos sindicatos, de que tal feito fazem uma vitória.
Pior do que a situação não ter evoluído favoravelmente à classe docente com esta greve aos exames, é a total imobilidade e insensibilidade dos diversos governos perante a greve, o que quer dizer que não vão lá com greves. O sonho "sindical-comunista" começa a desmoronar-se perante as evidências, e como se costuma dizer, só não vê quem não quer..
 
Como sempre acontece, os que nada têm a ver com isto são os mais prejudicados, mas a ter em conta pelas amostras, nem governo nem sindicatos estão minimamente ralados que sejam os alunos os mais prejudicados. De um lado, greves e manifestações, do outro, insensibilidade e desinteresse pelas greves dos "charlatães ideológicos". Os sindicatos fazem jogo duplo, alguns dos seus elementos auferem ordenados verdadeiramente incríveis, e depois, tal como o lobo se disfarçou de frade para entrar no convento, o mesmo aconteceu à democracia com a ascensão do sonho "sindical-comunista", de índole antidemocrática primária, de resto, tal como os seus parentes próximos.
 
 
 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ao que chegou a democracia

Quando se chega a um ponto em que se pretende justificar tudo o que existe, seja bom ou mau, com a democracia é sinal de que não existe democracia. É paradoxal esta afirmação pois, como pode uma coisa não existir se se diz que ela existe? Analisando com alguma profundidade esta questão, a democracia existe formalmente mas nunca existe num patamar do qual as simples "massas" possam retirar daí algum provento. E como muito bem sabemos, a democracia dita parlamentar, que é mais ou menos a que vigora por todo o lado, baseia-se numa série de pressupostos e teses que nunca foram muito democráticos. A história explica muito bem porquê.
 
A democracia hoje, serve todo o tipo de torpezas inimagináveis, serve ambições sarcásticas e propósitos muito duvidosos. É ver como qualquer político de qualquer partido utiliza hoje o termo democracia: "uma muleta muito útil para outros voos". Enquanto o simples eleitor é "esfolado" no simples acto de se ver constrangido ao direito de voto, é "esfolado" economicamente e "esfolado" psicologicamente. A democracia actual sustenta-se sobre dois pilares que lhe dão forma, os interesses económicos monopolistas mundiais (Plutocracia internacional) e a agenda muito antiga de "passar a tratar a humanidade como gado" (governo único mundial de inspiração maçónico-satânica).
 
Todo aquele que manifestar "frescura de espírito" denunciando o óbvio, e volto a referir, O ÓBVIO, é acusado de antidemocrata, inimigo da liberdade. A democracia é ré e carrasco ao mesmo tempo, conforme as conveniências e a flutuação das opiniões. A cada nova investida, uma deslocação massiva de rebeliões democráticas, como não podia deixar de ser, tratam de anular dissidências lançado para a frente as palavras de ordem´: «Estamos em democracia», e como estamos em democracia vale tudo, até retirar legitimidade democrática a todos os que não concordam com a agenda globalista, sobretudo a que diz respeito à transgressão gravíssima da genealogia e da biologia intrínseca do ser humano, sem esquecer o aborto, a eutanásia, o utilitarismo radical e a inversão da moral e dos costumes.
 
Não existe democracia, porque a democracia tem de ser muito mais do que um jogo perverso, onde uma agenda inimiga dos povos pretende ditar leis.
 
 
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

A incompatibilidade jurídica entre o povo e a democracia

Em um post anterior fez-se a transcrição de um excerto do livro O Culto da Incompetência de Émile Faguet, livrinho escrito há mais de cem anos mas com uma actualidade impressionante! De seguida segue mais um excerto desse livro que é, na minha opinião, arrasador!: «A fábrica das leis é um verdadeiro armazém de novidades; talvez, melhor ainda, um jornal. E, senão, vejamos. Todos os dias se faz uma interpelação, é o artigo da polémica; interrogam-se os ministros várias vezes no mesmo dia, acerca de pequenos casos que se deram em diversos pontos, é o romance de folhetim ou o conto da secção literária, faz-se uma lei a propósito de um caso passado na véspera, é o artigo de fundo; há murros nas carteiras e às vezes nos próprios deputados, são os acontecimentos do dia. Tal é a mais exacta representação do país, a sua imagem fiel; tudo que se passou de manhã é tratado no parlamento à tarde como no café de Casteltartarin; é a lupa do país tagarela. Ora uma Câmara Legislativa não deve ser a imagem do país, mas sim a sua alma e o seu cérebro; contudo, pelas razões já expostas, a representação nacional, representando apenas as paixões do país, não pode deixar de ser o que é, ou, por outros termos, a democracia moderna não é governada por leis, mas por decretos, por isso é que as leis de ocasião são simples decretos e nunca leis. Uma lei é uma disposição antiga, consagrada para uso prolongado, a que se obedece quase sem se dar por isso, disposição essa que faz parte de um conjunto meditado, coerente, lógico e harmonioso de prescrições. A lei baseada em circunstâncias de momento não é mais do que um decreto.»
 
Estas palavras, para quem ler o excerto com atenção, são não só proféticas como se ajustam na perfeição à nossa sociedade actual. Existe uma grande incompatibilidade entre o que afirma a democracia em termos de leis e a sua efectivação no plano social, para além de que com "uma qualquer fábrica de leis" qualquer tara e vício perverso passam por lei a ser legais e muito recomendáveis. É a lei *à la carte.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A democracia detesta a perfeição

«O que o povo quer, após a tarântula democrática o picar? Primeiro, quer que todos os homens sejam iguais e, portanto, deseja que todas as desigualdades desapareçam, quer essas desigualdades sejam artificiais, quer naturais. Não quer desigualdades artificias ou convencionais, como a nobreza de nascimento, mercês do rei, riqueza de nascimento, e é partidário da abolição da nobreza, da realeza e das heranças; também não gosta das desigualdades naturais, isto é, não gosta que um homem seja mais inteligente, mais activo, mais valente, mais hábil que outro.
Não pode, é certo, o povo destruir estas últimas desigualdades; mas pode neutralizá-las, torná-las inúteis, afastando dos empregos públicos todos aqueles que as possuam. Portanto, o povo é levado natural e, por assim dizer, forçadamente a afastar os competentes, precisamente por serem competentes, ou, se quiserdes assim e como ele diria, não como competentes, mas como desiguais, ou, como o povo ainda diria se quisesse desculpar-se, não como desiguais, mas como suspeito de anti-igualitários, uma vez que são desiguais, o que, no fundo, vem a ser tudo a mesma coisa. Foi isto que levou Aristóteles a dizer que a democracia estava onde quer que houvesse desprezo pelo merecimento.»
 
 
Este pequeno trecho pertence ao livro de Émile Faguet, O Culto da Incompetência, livro escrito por volta de 1896, e passados mais de um século dessa data, não podemos deixar de ficar estarrecidos com a actualidade do que acima se descreveu.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O contributo judaico da maçonaria segundo Pessoa

«A idealidade judaica manifesta-se de três formas diferentes, todas elas eivadas do materialismo central da raça, ritmo do pêndulo da vida que a anima. A primeira forma é o seu patriotismo tradicionalista: e pratiotismo tradicionalista, seja de que nação for, é o modo mais material do sentimento da pátria ou da raça. A segunda forma é a especulação cabalística, em que, embora se pretenda subtilizar, por interpretações de três ordens, o conteúdo do Pentateuco, e de mais que o Pentateuco, nunca se atinge uma vera abstracção ou uma espiritualidade, verdadeira: material, considerando o que pretende ser, é ainda o Nome Inefável, materiais os Sephiroth, os Arcanjos, os Anjos e as Esferas Celestes, através de quem vem até nós a Sua emanação. A terceira forma - não mais recente, mas sim recentemente sensível - é o idealismo social em todos os seus modos, desde o igualitarismo até ao naturismo; e essa é material por sua mesma natureza. (...)
 
 
O problema das origens da maçonaria, e sobretudo do Grau de Mestre, que é o seu fulcro, é confuso e obscuro, ao último ponto: ninguém fora da ordem ou dentro, se pode orgulhar  de ter achado para ele uma solução, simples ou composta, que satisfaça senão a quem a deu. Uma coisa, porém, se pode afirmar: a Maçonaria não é uma ordem judaica, e o conteúdo dos graus fundamentais, que vulgarmente chamam simbólicos não é judaico em espírito, mas só em figura. Se se quiser dar um nome de origem à Maçonaria, o mais que poderá dizer-se é que ela é, quanto à composição dos graus simbólicos, plausivelmente um produto do protestantismo liberal, e, quando à redacção deles, certamente um produto do século dezoito inglês, em toda a sua chateza e banalidade. (...)
 
 
O protestantismo foi, precisamente, a emergência, adentro da religião cristã, dos elementos judaicos, em desproveito dos greco-romanos; por isso se serviu ele sempre abundantemente de citações, tipos e figuras extraídas do Velho Testamento. Ninguém crê, porém, ou diz que a Reforma, pense-se dela o que se pensar, fosse um movimento judaico».
 
 
 
A Maçonaria vista por Fernando Pessoa - José Ribeiro

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A "Carta de Bolonha" - O mais antigo documento maçónico?

Contrariamente ao que se pensava, a maçonaria (pré-operativa) não surge em Inglaterra, mas sim em Itália, país que não sofreu a "desconstrução protestante" e se manteve essencialmente católico. Segundo um documento recentemente divulgado, a "Carta de Bolonha", datado de 1248, a maçonaria nasceu na cidade de Bolonha. Este documento está redigido em latim por ordem do magistrado (tabelião) da cidade, Bonifaci de Cario.
 
Este documento foi propositadamente ignorado durante séculos, o motivo está à vista; reforçar a origem inglesa da maçonaria, que mais tarde, sob os auspícios do protestantismo, viria a degenerar no "monstro da maçonaria especulativa", já desfigurada e a caminho da barbárie actual.
 
Apenas em 1899 António Gaudenzi no Boletim nº21 do Instituto Histórico Italiano lhe faz referência, mencionando os seus estatutos e os seus membros. Depois desta data, só em 1982 se conhece nova referência à Carta de Bolonha, feita pelo Irmão Eugénio Bonvicini na revista Pentalfa (Florença), e em 1986 num livro escrito por Carlo Manelli com o título Maçonaria em Bolonha.
 
Ora assim sendo, a Carta de Bolonha é 142 anos mais antiga que o poema Regius (1390) e cerca de 160 anos mais antiga que o manuscrito Cook (1400-1410), contrariando desta forma as origens inglesas da maçonaria. A maçonaria foi criada num país bem católico e que manteve esse catolicismo até à actualidade.
 
O historiador espanhol, Padre Ferrer Benimeli, fez um comentário sobre a Carta de Bolonha muito interessante que diz o seguinte: «Tanto no aspecto jurídico como no aspecto simbólico e representativo, os estatutos da Carta de Bolonha põem em evidência uma experiência construtiva que era totalmente desconhecida à historiografia internacional, ultrapassando em antiguidade o Regius e desmentindo categoricamente as origens inglesas da maçonaria operativa».
 
De seguida transcrevo a introdução da Carta de Bolonha:
 
Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis
 
Carta da Bolonha, 1248 e. v.
 
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amem.
 
Ano de nosso Senhor Jesus Cristo de 1248.
 
Estatutos e Regulamentos dos Mestres Maçons e mestres Carpinteiros, feitos em honra de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os Santos, para a honra e felicidade da cidade de Bolonha e da sociedade dos ditos Mestres, em respeito aos actuais e futuros dirigentes da comuna de Bolonha. E que todos os Estatutos abaixo entrem em vigor a partir de hoje, oitavo dia do mês de Agosto de 1248.
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

A (des)evolução da maçonaria

A evolução da franco-maçonaria devia-se em larga medida, às ideias e desejos revolucionários da sociedade inglesa do século XVII. O Catolicismo tinha sido vencido, persecutado, marginalizado. Apesar de tudo, a Igreja Anglicana oficial não era exemplo nenhum, sempre submetida e vigiada pela coroa inglesa, tutelada e não raramente repreendida pela alta nobreza, não apenas anti-católica mas cada vez mais anti-cristã, algumas vezes vagamente deísta e muitas vezes ateísta. (...)
 
Segundo Bernard Fay, «os deístas obedeciam a duas tendências complementares e frequentemente contraditórias: a necessidade da lógica rigorosa e o profundo instinto erudito, que se prolonga até aos cultos do mistério e do obscuro». Quando o gosto e o sentido do Cristianismo são perdidos, continua-se a luta da Reforma Protestante bem para lá dos objectivos iniciais. (...)
 
O universo intelectual maçónico onde a interpretação simbólica é possível, a realidade dos factos não tem grande importância. No entanto, de tudo o mais, é inegável que a reunião das 4 principais lojas macónicas em 1717 na cidade de Londres, e que tenha tido lugar ou não no dia de S. João [24 de Junho], precede a afirmação de uma ruptura deliberada e ideologicamente desejada com a antiga maçonaria operativa e católica das Old Charges. Tal acontecimento é considerado como o da fundação da maçonaria actual,dita especulativa.
 
Segundo mais uma vez Bernard Fay, «tinha início a grande cruzda laica dos tempos modernos».
Um dos grandes impulsionadores da maçonaria especulatica foi o influente e enérgico franco-maçon John Theophilus Desaguliers e também o pastor da Igreja Prebisteriana James Anderson, cujo nome titularia a constituição da maçonaria especulativa.
 
 
 
 
Tradução feita do livro Vérités sur la Franc-Maçonnerie de Bernard Antony
 
 

sexta-feira, 22 de março de 2013

A maçonaria católica das "Old Charges"

Não existe referência alguma à maçonaria antes do século XIV e em mais nenhum país exceptuando Inglaterra. Os textos mais antigos conhecidos da maçonaria, em número de 80, são as "Old Charges", que podem ser traduzidas por "Deveres Antigos". Existem também dois manuscritos: o manuscrito Regius datado de 1390 e o manuscrito Cooke datado de 1400-1410. Estes dois manuscritos foram escritos no dialecto falado nessa época no centro sudoeste de Inglaterra.
 
O Regius é um poema com 794 versos estruturado da seguinte forma:
 
1) - O recital histórico, ou seja, lendário (1 a 84). É narrada a fundação da maçonaria no Egipto por Euclides e também é descrita a sua introdução em Inglaterra durante o século XIV, em que os Deveres são fornecidos aos maçons.
 
2) - Os Deveres (87 a 496), constituem um guia dos deveres recíprocos, profissionais e morais sob o lema de "amar a Deus e a santa Igreja", no receio das "grandes desordens que poderiam surgir do ignóbil pecado mortal". Desenvolve-se toda  a vida profissional no respeirto da moral católica.
 
3) - O apêndice, constituído por diversos elementos: o recital das quatro coroas - A torre de Babel - as sete artes liberais fundadas por Euclides e a forma de as estudar após as invocações aos dons do Espírito Santo - uma instrução sobre as orações do dia e da noite, a participação na missa - um ensino de boas maneiras, de boa educação e das relações de caridade com outrém.
 
No manuscrito Regius lê-se o seguinte: «E agora rezemos a Deus todo poderoso e à sua mãe, a radiosa Maria, para nos ajudarem a guardar estes artigos e seus ensinamentos, tendo como fundamento os quatro Santos mártires que sempre foram tidos em consideração nas sete artes liberais.
 
O Regius termina assim: «Que o Grande Cristo, pela sua graça celeste, vos dê o espírito e o tempo necessário para ler e compreender, e obter o ceú em recompensa. Amen! Amen! Amen! Assim seja! Diremos todos pelo amor de Deus.»
 
Este manuscrito afirma igualmente que todos os que queiram pertencer à maçonaria, devem antes de tudo Amar Deus e a Santa Igreja e todos os Santos e os seus mestres e companheiros, como se fossem seus próprios irmãos. Também é dito que todos os maçons devem ser leais ao rei de Inglaterra e ao reino.
 
O que acima precede, prova claramente a impregnação católica da antiga maçonaria das "Old Charges", estreitamente ligada às confrarias francesas, que estavam por sua vez, ligadas à autoridade espiritual e moral dos clérigos definidores da programação arquitectural dos edifícios.
 
Esta antiga maçonaria impregnada de fé católica, não era ainda a operativa já sem a cultura das sete artes liberais. Para além deste pormenor refira-se que a Idade Média das grandes épocas de Citeaux e Cluny, foi rica em disputas intelectuais assim como em confrontações com as heresias, os mitos gnósticos em cosntante renascimento, e o fascínio pela alquimia.
 
Esta maçonaria iria manter o seu teor altamente católico até à reforma protestante. A partir da reforma de 1517, um turbilhão de ideias neoplatónicas, neopitagóricas, cabalísticas e herméticas, vieram subverter a tradição católica da mesma, transformando-a gradualmente em especulativa já destituída de qualquer sentimento ou tradição católica.
 
Continua.
 
Tradução feita do livro Vérités sul la Franc-maçonnerie de Bernard Antony

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro de 1143- Tratado de Zamora

«O convénio de Zamora é a consequência última de uma série de lutas entre Afonso I de Portugal e Afonso VII, de Leão e Castela. Com efeito, ao mesmo que, habilmente, preparava a organização eclesiástica do estado português, Afonso Henriques não cessava de inquietar o monarca leonês, invadindo-lhe, com fortuna vária, os territórios.
(...) durante mais de 150 anos, os reis de Portugal secundados pelos ricos homens e infanções, pelos seus homens de armas e ainda pelos homens do povo, agremiados nos concelhos , vão conquistando e ocupando o território palmo a palmo, consolidando a posse, povoando, repovoando, ou assegurando regalias, pela concessão de forais, aos núcleos de população já existentes.
(...) a nação, que se constitui e organiza, vai ganhando a pouco e pouco a base geográfica em que há de desenvolver-se e perdurar. E a personalidade do rei, em volta da qual se congregam os elementos mais significativos da população, os valores reais como forças políticas, que hão de dar eficiência à ideia nacional, é a consubstanciação da nova comunidade que se organiza- a nação portuguesa.»


História de Portugal- Edição monumental da portucalense editora- Volume II