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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Restauração da Independência de Portugal - ano 374 - continuação

«Emquanto os fidalgos corriam dos aposentos do secretario aos da vice-rainha, para onde já se haviam encaminhado D. Miguel d´Almeida e outros, emquanto o verdadeiro povo, soltando gritos d´enthusiasmo acompanhava D. João da Costa, D. Luiz d´Almada, D. Rodrigo e D. Antonio de Menezes que atravessaram o terreiro bradando «Liberdade», a canalha que mancha sempre todos os triumphos, que insulta todos os vencidos, que arrasta na lama hoje os que a opprimem, àmanhã os que a libertam, essa enxameava emtorno de Vasconcellos, arrancando-lhe a barba e os olhos, arrastando-o por sobre as pedras, e rindo torpemente das truanices infames com que um mouro, que fôra escravo da victima, sentado em cima do seu cadaver, escarnecia e vilipendiava quem o azorragára em vida, Teriboulet sem alma d´esse potentado criminoso e infeliz! 
(...)
Emquanto um troço dos fidalgos se dirigira oas aopsentos do secretario, ia outro aos da duqueza de Mantua. O conde Bayneto, estribeiro-mór da vice-rainha, morava no andar superior. Para o impedirem de descer, para isolarem completamente a duqueza dos seus conselheiros habituaes, foram alguns dos conjurados guardar a ante-camara dos quartos da princesa D. Margarida, emquanto D. Antão d´Almada occupava a sala de cima e a varanda. A duqueza já sentira os rumores da revolução, e, com mais intrepidez do que se poderia esperar d´uma senhora, a brira as janellas da sala das galés, e bradava ao povo, agglomerado: «Que é isto, Portuguezes? Onde está a vossa lealdade?» Neste momento invadiram-lhe a sala D. Miguel d´Almeida, Fernão Telles de Menezes, D. João da Costa e outros, e, sem se affastarem nem um instante das leis da cortezia, obrigaram-n´a a recolher-se. Conservando toda a sua serenidade, apezar de já saber da morte do secretario d´estado, fallou com altivez aos fidalgos, ordenando-lhes que se aquietassem, dizendo-lhes que percebia que os excessos de Vasconcellos tivessem irritado a nobreza, mas que amorte d´elle devia ter satisfeito a sua colera, que ella se obrigava a obter de Philippe IV o perdão para esse explosão illegal d´uma vingança aliás justa. Ouviram-n´a com respeito, mas, quando o arcebispo de Braga, que se viera juntar à duqueza, julgou que podia tambem com impunidade fazer a sua monitoria, mandaram-n´o calar asperamente, lembrando-lhe D. Miguel d´Almeida que lhe custára muito o livral-o de sorte igual à do secretario, mas que não abusasse da clemencia dos conjurados. Pallido de susto, D. Sebastião de Mattos retirou-se, e a duqueza, tomando como respeito pela sua autoridade era apenas deferencia pela sua qualidade de senhora, continuou a invocar o nome de Philippe IV. Responderam-lhe que  rei de Portugal era o duque de Bragança. Encolerisada, a duqueza correu à janella, querendo fallar ao povo; então D. Carlos de Noronha, mancebo impaciente e assomado, pôz termo a esta scena que ameaçava prolongar-se, dizendo-lhe que os não obrigasse a perderem-lhe o respeito. 
- A mim, como? perguntou a duqueza - Obrigando vossa alteza, se não quizer entrar por esta porta, a sair por aquella janella.
O dito era descortez, mas indispensável; tornava-se necessario que a duqueza não continuasse a alimentar vãs illusões, suppondo intacta a sua autoridade, quando apenas a respeitavam como uma senhora d´elevada gerarchia.
O effeito da resposta foi ainda mais prompto do que se devia imaginar. Caindo em si e deveras atemorisada, a duqueza de Mantua emmudeceu e retirou-se logo para o seu oratorio, guardando-lhe a porta D. Antão d´Almada com outros fidalgos. D´esse momento em diante a fraqueza feminil retomou os seus direitos, e a duqueza obedeceu em tudo aos conjurados. Estava consumada a revolução no paço; era necessario completal-a tambem nas ruas.
Encerrada até ahi no palacio e no Terreiro, não tivera ainda no resto da cidade echos bastante triumphaes para que se decidissem a acolhel-a os burguezes timidos e desconfiados. Era preciso tambem impedir que os hespanhoes, recobrando-se do assombro, se reunissem e pozessem em perigo a victoria dos nossos. Um grande troço de fidalgos atravessou o Terreiro do Paço soltando brados de triumpho, seguio-os o povo, e por toda a parte, por onde passavam, abraim-se as janellas onde até ahi assomavam apenas por traz dos vidros as cabeças curiosas, descerravam-se as portas, e saiam os moradores acclamando alegremente a liberdade portugueza e engrossando o cortejo, que, dividindo-se em bandos, corriam uns ás praças para onde affluia o povo, outros ao tribunal da suplicação, outros ao palacio do arcebispo, saudados das janellas pelas senhoras que derramavam lagrimas de jubiloso enthusiasmo.
D. Rodrigo da Cunha, apenas soubera que rebentára a revolução, convocâra todo o cabido e fôra ajoelhar na capella-mór da Sé, rogando a Deus pelo triumpho da causa da liberdade.De subito sente o rumor dos vivas, abrem-se as portas da cathedral e entram ondas de povo, a cuja frente vem alguns fidalgos trazer a noticia ao arcebispo. Logo elle se ergueu com os olhos arrazados de lagrimas, e, seguido pelos conegos e um grande numero de padres, sahiu para se dirigir processionalmente ao senado de Lisboa.
O tumulto do povo era já indescriptível, nas escadas da cathedral, o bellicoso padre Nicoláu da Maia, ainda exaltado pelo calor da sua luta com a guarda castelhana, tendon´uma das mãos o crucifixo e na outra a adaga, orava ao povo mais como tribuno militar do que como sacerdote: o seudiscuros era acolhido com enthusiasmo, não pôde porém continual-o, porque o referver da população, ebria de alegria, nas escadas da Sé era tal que nem elle podia ser ouvido, nem sequer manter-se firme no meio d´essa mó de gente.
Entretanto nos paços do senado já alguns fidalgos instavam com o presidente o conde de Cantanhede, para que adherisse à revolução, e elle hesitava ainda juntamente com os vereadores, que perdiam a cabeça com o tumulto popular, quando os filhos do conde , que entravam no número dos quarenta, o resolveram emfim. Logo D. Alvaro de Abranches empunhou a bandeira da cidade, desenrolou-a, e veio ao encontro da procissão, dirigida pelo arcebispo. «Milagre, ,milagre!» bradava o povo com inexcedivel enthusiasmo. (...) Desde esse momento pôde-se considerar como certa a victória da causa portugueza. Ainda que os hespanhoes tentassem tomar uma atitude offensiva, encontrariam a cidade toda, em pé e armada, para lhes repelir o ataque.»
Na casa da supplicação é que ninguém suspeitava o que se passára. Os desembargadores estavam reunidos, debaixo da presidência do regedor o bispo da Guarda D. Diniz de Mello e Castro. O chanceller e o guarda-mór eram o Dr. Lourenço Coelho e Jeronymo Pinheiro. Passava esse corpo de magistratura por affeiçoado ao dominio hespanhol e nenhum dos seus membros estava por conseguinte no segredo da conspiração. Sentiram elles o rumor da revolta, sem lhe perceberem a causa. Logo os informou Ayres de Saldanha, ordenando-lhes que aderissem ao movimento. Hesitaram, mas a torva figura do fidalgo, as suas maneiras asperas, lembrando-lhe que tudo tinham a temer, pois que effectivamente só a intercessão de D. Miguel d´Almeidae de D. João da Costa os havia salvo da morte a que os devotaram a maior parte dos fidalgos nos conciliabulos de Novembro, obrigaram-nos a acceder promptamente, lavrando um auto, que, para assim dizermos, legalisava a insurreição.» (...) 
A revolução estalou tão prompta e venceu tão repentina que os funccionarios entrados n´aquelle dia nas repartições para funccionarem em nome de Philippe IV, continuaram a despachar em nome de D. João IV.»


In História de Portugal - tomo III págs. 293 e 294 de F. Diniz

Restauração da Independência de Portugal - ano 374

Esta peça deveria ter sido escrita ontem, dia 1, mas propositadamente deixo-a para hoje como se de certa forma, servisse de alerta aos mais distraídos deste país. O 1º de Dezembro tem de ser comemorado, ensinado constantemente às pessoas, sobretudo aos mais jovens, que sabem muito pouco de história e, pior ainda, muito longe de compreenderem a importância de tal data, onde foram cometidos actos de grande bravura, em nome de Portugal e dos portugueses. Só aqueles que não têm respeito pela história e pelo país poderiam ter decidido acabar com o feriado da restauração da independência.



«Era Vice-Rainha a duqueza de Mantua, secretario d´estado Miguel de vasconcellos, presidente do desembargo do Paço o arcebispo de Braga, D. Sebastião de Mattos Noronha, presidente da mesa da consciencia e ordens o conde da Castanheira. Eram membros do conselho d´estado o arcebispo e o conde que citámos agora, e os condes de Santa-Cruz, Miranda, e Linhares, o marquez de Villa-Real, e D. Francisco de Mascarenhas.»
(...)

«Rompeu, sereno e límpido, o dia 1 de dezembro. Não tinha nuvens a aurora da liberdade portuguesa. Quem poderá adivinhar os pensamentos que salteiavam o espírito dos conjurados ao erguerem-se, n´essa fria madrugada d´inverno, para emprehenderem um tão incerto feito? Sabemos contudo que, se muitos se preparavam com sombria resignação para se irem immolar, victimas heroicas, no altar da liberdade da patria, outros havia que a grandesa da acção enthusiasmára de novo, e que cingiam a espada, cheios de temeraria confiança. Impeto febril, fria resolução, ou verdadeiro ardor, é certo que nenhum trepidou. mais alto do que todos os outros sentimentos fallava no coração o amor da patria opprimida, e o desejo de se resgatarem. Se a essa idéa do dever cedêra o proprio amor maternal!»
(...)

«Pouco antes das nove horas estavam reunidos no Terreiro do Paço todos os conjurados. A apparencia pacifica dos coches, que iam chegando ao terreiro, não assustava os soldados da guarda, costumados n´esses tempos mais madrugadores do que os nossos a Vêrem apparecer junto do palacio os cortezãos da duqueza. (...) Com a mao no fecho das portinholas esperavam os fidalgos impacientes o bater da hora solemne. Dão nove horas. Abrem-se a um tempo os coches, e os fidalgos descem, e emquanto Jorge de Mello, Estévão da Cunha, Antonio de Mello e Castro, o padre Nicoláu da Maia e outros esperam, ainda dentro das carruagens, que venha o signal do palacio para assaltarem a guarda castelhana, o grosso dos conjurados sobem rapidamente a sescadas, entram na sala dos archeiros tudescos, e, sem lhe darem tempo nem sequer a suspeitarem o que ia succeder, Affonso de Menezes, Gaspar de Brito Freire e Marco Antonio d´Azevedo, deitam ao chao os cabides das alabardas, outros desembainhando as espadas affugentam os archeiros attonitos e darmados. Alguns d´estes, ou pro não terem as alabardas nos cabides, ou por serem mais resolutos, cumpriram o seu dever com certa bravura, já defendendo a entrada do corredor que ia ter ao forte onde ficavam os quartos de Miguel de Vasconcellos, já cobrindo a porta dos aposentos da duqueza de Mantua. Os primeiros levam- n´os adiante de si Pedro de Mendonça e Thomé de Sousa, os outros resistem com desespero a Luiz Godinho Benavente e mais trez ou quatro fidalgos, e só depois fogem, depois de terem visto cair dois dos sues, um morto outro ferido. Entretanto D. Miguel d´Almeida, ebrio d´alegria, corre a uma varanda, abre-a, e brandindo um estoque, exclama:« Liberdade! Liberdade! Viva el rei D. João IV! O Duque de Bragança é o nosso legitimo rei!». E as lagrimas, embargando-lhe a voz, innundavam-lhe as barbas alvejantes, que fluctuavam ao sopro da brisa do Tejo, que doiravam os raios de sol a campeiar no céu. Respondeu-lhe de baixo um immenso grito d´enthusiasmo e jubilo. Liberdade! Liberdade! bradou o povo n´um grito unisono. É que todos julgavam divisar n´esse heroico D. Miguel d´Almeida, n´esse velho de oitenta anos, radiante d´ardor juvenil, o symbolo de Portugal decrepito e alquebrado, mas illuminado n´essa hora de resureição por um lampejo, por um reflexo do esplendor das suas eras gloriosas.
Não se limitou a essa resposta unisona a acção dos que estavam na praça. Antes que a guarda castelhana podesse perceber o grito de liberdade que troava sobre as usa cabeças, Jorge de Mello arremetteu com os seus a elles n´um impeto, d´espadas levantadas e pistolas em punho. Quizeram resistir, mas não lh´o consentiu nem o sobreslato repentino, nem o ardor dos nossos. Apenas o alferes Marcos Leitão de Lima levou uma coronhada que lhe ia sendo fatal. Os fidalgos, entre os quaes se distinguiam dois eclesiasticos, o padre Nicoláu da Maia e o padre Bernardo da Costa, combatendo com tanto ardor como os inimigos, n´um momento dispersaram os Hespanhoes, e foram unir-se aos seus companheiros, deixando à turba já alvoratada o cuidado d´impedir a guarde de se tornar a formar, se o terror lh´o permitisse.
Entretanto nas sals os outros conjurados proseguiam a sua victoria. D. Antonio Tello, que não queria de fórma alguma deixar de cumprir o juramento que fizéra de ser o primeiro a ferir Miguel de Vasconcellos, nem entrou na sala dos Tudescos, esperou na galeria que communicava para o forte. Não foi sem um frémito de raiva que viu passar Manoel Mansos da Fonseca, um dos confidentes de Vasconcellos, recioso de que lhe levasse aviso. Por isso, apenas, d´ahi a alguns instantes, os fidalgos desarmaram os archeiros e dispersaram os que pretendiam cobrir a passagem para os aposentos do secretario, D. Antonio correu logo para a secretaria. Seguiam-n´o já a pouca distancia, Pedro de Mendonça, Ayres, e João de Saldanha de Sousa, Sancho Dias, João de Saldanha da Gama, D. João Coutinho, D. João de Sá de Menezes, camareiro-mor, os dois filhos de Philippa de Vilhena, D. Jeronymo de Athayde, conde d´Athouguia e seu irmão D. Francisco Coutinho, Tristão da Cunha d´Athayde, Luis da Cunha e Nuno da Cunha, D. Manuel Childe Rolim, D. Antonio da Cunha e outros. Esta impetuosa turba encontrou logo aos primeiros passos o corregedor Francisco Soares d´Albergaria, a quem bradaram: Viva el rei D. João IV, e elle respondeu com intrepida imprudencia: Viva el rei D. Philippe, caindo logo varado por duas balas. Esta morte não prevista nos planos da conjuração, podia ser causa de grandes desgraças, inflammando no ardor sanguinario da luta o animo excitado dos fidalgos.
Ainda o official-mór da secretaria d´estado, Antonio Correia, que acudiu ao estrondo dos tiros, foi logo apunhalado por D. Antonio Tello, que, vendo já tudo vermelho diante de si, ia fazendo o mesmo ao capitão Díogo Garcez Palha, que se salvou da morte com uma perna quebrada, saltando d´uma janela para a praça de armas. Também Antonio Correia sobreviveu às punhaladas, arrastando-se por uma escada, cujos degraus encheu de sangue, até um quarto do pavimento inferior.
Entretanto Miguel de Vasconcellos fôra efectivamente prevenido por Mansos da Fonseca de que havia novidade. Estava deitado ainda, mal tivera tempo de se vestir quando ao aviso succedeu estranho rumor nos corredores. Pallido de susto, correu à porta e fechou-a por dentro. Logo sentiu os fidalgos baterem primeiro fortes aldravadas, e em seguida lascarem a madeira com os machados com que pretendiam arrombal-a. Então, vendo-se perdido, pegou n´uma clavina carregada, e encerrou-se n´um armario de papeis. Ali, reprimindo a respiração e com a fronte aljofrada pelo suor da angustia, sentiu a porta ceder, entrarem os fidalgos como uma torrente, e revolverem, blasphemando, todos os cantos do aposento. Esteve por um fio a sua salvação, porque os conjurados, não o encontrando, iam procural-o à casa da India para onde julgaram que tivesse fugido; mas pela estreiteza do esconderijo Vasconcellos não pôde evitar fazer um leve movimento. Sentiram- n´o, correram para lá com um grito d´alegria feroz e logo uns poucos de tiros se dispararam. Atravessaram duas balas a garganta de Vasconcellos, que caiu morto, golphando jorros de sangue.
Depois de o terem punido, desampararam-n´o os vingadores da Patria e foram os creados que seguiam D. Gastão Coutinho que arremassaram das janelas o corpo do odiado ministro. Quando a plebe, que já enchia torrentuosa o Terreiro do Paço, viu cahir assim ao desdem o cadaver do seu oppressor, soltou um verdadeiro rugido de triumpho, e deleitando-se na satisfação de tão cubiçada vingança, não houve insulto, não houve mutilação que não fizesse sofrer a esses tristes despojos.»


Continua, transcrição feita respeitando a grafia da época, In História de Portugal- Tomo III de F. Diniz págs. 290 e 291

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

105º Aniversário do regicídio



 
 
 
Cumprem-se hoje 105 anos do regicídio, em que o Rei D. Carlos e o seu filho, Luís Filipe, sucessor do trono, foram vergonhosamente mortos pela cáfila republicana que não deixou de se inspirar largamente nos modelos ditos modernistas; de uma nova visão de um mundo onde a ética e a moral sejam a todo o momento redefinidas.
 
Nem uma única notícia nos jornais ditos de referência, nem um cantinho, nem uma vírgula... triste apologética dos tempos, sinal claro da utopia avassaladora que toma conta de tudo e todos. Os Portugueses, de uma forma geral, não conhecem a história, e assim sendo, perdem o contacto com os ensinamentos que daí poderiam retirar. A "história" está mal contada, pior compreendida e nada sentida.
 
Esta tentativa de apagar o passado à força tem objectivos muito claros, quanto menos pessoas souberem dos factos melhor, «estaremos assim afastados de qualquer tentativa revisionista», pensam e declaram os que mandam nisto (plutocracia internacional + cleptocracia nacional).
 
Se o povo começar a estudar algo sobre D. Carlos, poderá "assustar-se" com certas informações, e, tal informação a cruzar-se com o que nos deram durante 113 anos, poderá levar esse povo a exigir o restabelecimento imediato da monarquia.
 
 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A profecia Miguelista - Restauração do Portugal Monárquico

Um estranho desígnio se abateu sobre a nação portuguesa. Todos sabem, mais ou menos, de onde partiu a ingerência nos assuntos do Estado Português. Mas aquilo que não se sabe, na medida em que deveria ser sabido, diz respeito a um plano traçado por Napoleão e Carlos IV de Espanha, que previa o retalhamento de Portugal em três regiões e o fim da casa de Bragança (Tratado de Fontainebleau). Este tratado tem sido muito mal interpretado pelos historiadores que se limitam a "atirar para canto" as consequências do mesmo, evitando assim falar nos verdadeiros responsáveis por esse tratado.
 
 
 
 
Dom Miguel foi uma figura ímpar que surgiu das brumas, qual "Dom Sebastião regressado", para restaurar o Portugal antigo e amado de todos. Basta ver que logo que Dom Miguel regressa do exílio em 1828, reúne os três estados, coisa que não acontecia há mais de 140 anos, prova evidente do carácter de Dom Miguel, ciente de que só com a concórdia de todos seria possível reverter a situação em que Portugal se encontrava. Infelizmente, e por via dos sucessivos sucessos do liberalismo desbragado, Portugal nunca mais se levantou. Mas a profecia persiste, Dom Miguel não esquece o seu país.
 
Precisamos de "um novo Dom Miguel", que nos aqueça os ânimos e nos faça reviver o Portugal tradicional e antigo, e também, para derrubar esta república apodrecida e corrupta. Viva a monarquia, viva o rei!! 

A Vilafrancada

«Com efeito, a «soberania» usurpadora do congresso instalou-se na capital. Quando a 4 de Julho de 1821, chega a família Real, apressam-se os seus representantes a pôr condições e restrições severas ao desembarque. E reclamam também que, na própria tarde do mesmo dia, o Rei preste juramento à constituição provisória ante o mesmo congresso.
«De maior despotismo não tinham usado o parlamento inglês com Carlos I e o françês com Luís XVI» - comenta acertadamente Artur Herchen...
[...] Elabora-se depois, ao longo dos meses seguintes, o novo Estatuto Constitucional, onde, como nota o Marquês de Lavradio (insuspeito pelo seu conhecido liberalismo) é evidente o propósito de «aniquilar o poder real». E continua, mais adiante: - «A constituição de 1822, baseada na constituição espanhola de 1812, por sua vez se inspirava na Constituição francesa de 1791 era um aborto; os legisladores obcecados com as ideias de liberdade, soberania da nação, etc., haviam... decretado uma Constituição republicana para reger um Monarquia».
 
[...] O descontentamento alarga-se, a cada passo, aos mais variados sectores. Escreve na altura, em carta a um amigo, o insuspeitadíssimo Manuel Martins Pamplona, antigo camarada e amigo de Gomes Freire de Andrade: - «Ninguém sabe onde isto irá parar, mas nada se prevê senão de triste e fatal. As Cortes vão deitando tudo a terra.Tudo é mau e tudo se receia pior». Clero, nobreza e povo associam-se nas mesmas queixas, avolumam a oposição geral ao sistema vigente. Até os militares recebem com atraso as soldadas e por isso exteriorizam o seu desagrado.
 
E, muito naturalmente, é em Dom Miguel que os olhares de todas as classes se concentram. «Os realistas - salienta ainda Artur Herchen - reconhecem com razão no Infante o homem que procuram, o chefe de que carecem: é o sol a nascer. De natureza ardente e resoluta, possui, além dos atractivos pessoais, aquele dom especial que arrebata num chefe e lhe vale a inteira e fiel dedicação dos homens que conduz».
 
Repare-se que dá sinal de si, na Península Ibérica, a Santa Aliança, fundada em Setembro de 1815, após o congresso de Viena e a batalha de Waterloo. Nos finais de 1822, o congresso de Verona confia à França o mandato expresso de restabelecer a ordem em Espanha. Em Abril de 1823 entra no país vizinho, à frente de cem mil homens, o Duque de Angoulême, sobrinho de Luís XVIII. Avança com rapidez e 23 de Maio ocupa Madrid. Quatro dias mais tarde, a 27, em Lisboa, o comandante do regimento nº23, José de Sousa São Paio, demitido por ser parente do Conde de Amarante, insurge-se, marcha com a sua unidade para Vila Franca, escreve de lá ao General Sepúlveda a exigir a demissão do governo e o restabelecimento dos direitos do Rei.
Mal lhe chega a notícia, sai Dom Miguel em plena noite do palácio da Bemposta, seguido, de numerosos cavaleiros entre os quais figuram nomes ilustres do Exército e da Nobreza e coloca-se à testa do movimento. Dirige ao Pai uma breve mensagem em que declara «não poder ver por mais tempo o abatimento do trono contra a vontade de todo o Reino». Logo prossegue: - «Nós devemos manter ilesa a Majestade Real, é um depósito que nos está confiado. Só pretendo servir a Vossa Majestade como Rei e como Pai e libertar a nação».
Apenas é conhecido o pronunciamento, reage o país com entusiasmo e aplauso. Gente de todas as camadas sociais vem oferecer-se ao Infante. O povo está do seu lado!
Tenta o congresso opor-se, condena asperamente o acto e o Soberano chaga a parecer inclinado a puní-lo. Mas, a 31 de Maio, o Regimento de Infantaria 18 aclama-o na Bemposta, aos gritos de «Abaixo a constituição, viva o Rei absoluto!». acede Dom João VI a ir também para Vila Franca, aí se junta ao filho e ambos fazem entrada triunfal em Lisboa a 16 de Junho, entre calorosas ovações populares.
Volta a Raínha do Ramalhão. Derruba-se no Rossio o monumento erguido à vitória constitucional. Num fervor justiceiro, a multidão assalta o congresso, quebra numerosas cadeiras de deputados. Jacobinos, liberais, maçãos emigram em massa. Como recompensa do seu feito, é Dom Miguel elevado ao alto posto de Generalíssimo. Não foi preciso aqui o Duque de Angoulême. Por nossas mãos quebramos o jugo.
 
 
In "D. Miguel I a actualidade do seu exemplo" - João Ameal
 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bandidolândia - do pé coxinho à mão sebosa

Não sei por que "carga de água" esta nação outrora grandiosa, que deu «mundos ao mundo», que moralizou povos e regiões, que praticou um intercâmbio comercial que a todas as partes honrou, se vê subitamente transformada em "campeã da desgraça". Somos efectivamente bons naquilo que não interessa ou interessa pouco, no consumo de massas (não as de comer, mas as que se comem umas às outras), naquilo em que deveríamos ser bons, somos péssimos. E o adjectivo não é exagerado.
 
 
Isto tem uma explicação muito lógica e simples: o poder económico há muito que se sobrepôs ao poder político (a «sinificação»), mas só agora os efeitos colaterais se fazem sentir na sua plenitude. O saque é generalizado, nenhum cargo de presidência da república nestes moldes constitucionais lhe poderá fazer frente, nenhum governo por mais democrático que berre ser lhe poderá barrar caminho.
 
Portugal é o país da união europeia que paga mais impostos, mas o mais grave de tudo é que paga (?) para não resolver nada (mais «sinificação»). O significado disto é muito assustador, o país está em vias de ser desmantelado e vendido na totalidade a interesses muito incompatíveis com a nossa maneira de ser.
 
 
Portugal precisa de um rei para acabar com esta balbúrdia, com esta sem-vergonhice que não tem limites, precisa também de um rei para voltar a haver educação, porque sem educação não existe prosperidade.