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quarta-feira, 3 de abril de 2013

A "Carta de Bolonha" - O mais antigo documento maçónico?

Contrariamente ao que se pensava, a maçonaria (pré-operativa) não surge em Inglaterra, mas sim em Itália, país que não sofreu a "desconstrução protestante" e se manteve essencialmente católico. Segundo um documento recentemente divulgado, a "Carta de Bolonha", datado de 1248, a maçonaria nasceu na cidade de Bolonha. Este documento está redigido em latim por ordem do magistrado (tabelião) da cidade, Bonifaci de Cario.
 
Este documento foi propositadamente ignorado durante séculos, o motivo está à vista; reforçar a origem inglesa da maçonaria, que mais tarde, sob os auspícios do protestantismo, viria a degenerar no "monstro da maçonaria especulativa", já desfigurada e a caminho da barbárie actual.
 
Apenas em 1899 António Gaudenzi no Boletim nº21 do Instituto Histórico Italiano lhe faz referência, mencionando os seus estatutos e os seus membros. Depois desta data, só em 1982 se conhece nova referência à Carta de Bolonha, feita pelo Irmão Eugénio Bonvicini na revista Pentalfa (Florença), e em 1986 num livro escrito por Carlo Manelli com o título Maçonaria em Bolonha.
 
Ora assim sendo, a Carta de Bolonha é 142 anos mais antiga que o poema Regius (1390) e cerca de 160 anos mais antiga que o manuscrito Cook (1400-1410), contrariando desta forma as origens inglesas da maçonaria. A maçonaria foi criada num país bem católico e que manteve esse catolicismo até à actualidade.
 
O historiador espanhol, Padre Ferrer Benimeli, fez um comentário sobre a Carta de Bolonha muito interessante que diz o seguinte: «Tanto no aspecto jurídico como no aspecto simbólico e representativo, os estatutos da Carta de Bolonha põem em evidência uma experiência construtiva que era totalmente desconhecida à historiografia internacional, ultrapassando em antiguidade o Regius e desmentindo categoricamente as origens inglesas da maçonaria operativa».
 
De seguida transcrevo a introdução da Carta de Bolonha:
 
Statuta et Ordinamenta Societatis Magistrorum Tapia et Lignamiis
 
Carta da Bolonha, 1248 e. v.
 
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amem.
 
Ano de nosso Senhor Jesus Cristo de 1248.
 
Estatutos e Regulamentos dos Mestres Maçons e mestres Carpinteiros, feitos em honra de Deus, de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os Santos, para a honra e felicidade da cidade de Bolonha e da sociedade dos ditos Mestres, em respeito aos actuais e futuros dirigentes da comuna de Bolonha. E que todos os Estatutos abaixo entrem em vigor a partir de hoje, oitavo dia do mês de Agosto de 1248.
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

A (des)evolução da maçonaria

A evolução da franco-maçonaria devia-se em larga medida, às ideias e desejos revolucionários da sociedade inglesa do século XVII. O Catolicismo tinha sido vencido, persecutado, marginalizado. Apesar de tudo, a Igreja Anglicana oficial não era exemplo nenhum, sempre submetida e vigiada pela coroa inglesa, tutelada e não raramente repreendida pela alta nobreza, não apenas anti-católica mas cada vez mais anti-cristã, algumas vezes vagamente deísta e muitas vezes ateísta. (...)
 
Segundo Bernard Fay, «os deístas obedeciam a duas tendências complementares e frequentemente contraditórias: a necessidade da lógica rigorosa e o profundo instinto erudito, que se prolonga até aos cultos do mistério e do obscuro». Quando o gosto e o sentido do Cristianismo são perdidos, continua-se a luta da Reforma Protestante bem para lá dos objectivos iniciais. (...)
 
O universo intelectual maçónico onde a interpretação simbólica é possível, a realidade dos factos não tem grande importância. No entanto, de tudo o mais, é inegável que a reunião das 4 principais lojas macónicas em 1717 na cidade de Londres, e que tenha tido lugar ou não no dia de S. João [24 de Junho], precede a afirmação de uma ruptura deliberada e ideologicamente desejada com a antiga maçonaria operativa e católica das Old Charges. Tal acontecimento é considerado como o da fundação da maçonaria actual,dita especulativa.
 
Segundo mais uma vez Bernard Fay, «tinha início a grande cruzda laica dos tempos modernos».
Um dos grandes impulsionadores da maçonaria especulatica foi o influente e enérgico franco-maçon John Theophilus Desaguliers e também o pastor da Igreja Prebisteriana James Anderson, cujo nome titularia a constituição da maçonaria especulativa.
 
 
 
 
Tradução feita do livro Vérités sur la Franc-Maçonnerie de Bernard Antony
 
 

sexta-feira, 22 de março de 2013

A maçonaria católica das "Old Charges"

Não existe referência alguma à maçonaria antes do século XIV e em mais nenhum país exceptuando Inglaterra. Os textos mais antigos conhecidos da maçonaria, em número de 80, são as "Old Charges", que podem ser traduzidas por "Deveres Antigos". Existem também dois manuscritos: o manuscrito Regius datado de 1390 e o manuscrito Cooke datado de 1400-1410. Estes dois manuscritos foram escritos no dialecto falado nessa época no centro sudoeste de Inglaterra.
 
O Regius é um poema com 794 versos estruturado da seguinte forma:
 
1) - O recital histórico, ou seja, lendário (1 a 84). É narrada a fundação da maçonaria no Egipto por Euclides e também é descrita a sua introdução em Inglaterra durante o século XIV, em que os Deveres são fornecidos aos maçons.
 
2) - Os Deveres (87 a 496), constituem um guia dos deveres recíprocos, profissionais e morais sob o lema de "amar a Deus e a santa Igreja", no receio das "grandes desordens que poderiam surgir do ignóbil pecado mortal". Desenvolve-se toda  a vida profissional no respeirto da moral católica.
 
3) - O apêndice, constituído por diversos elementos: o recital das quatro coroas - A torre de Babel - as sete artes liberais fundadas por Euclides e a forma de as estudar após as invocações aos dons do Espírito Santo - uma instrução sobre as orações do dia e da noite, a participação na missa - um ensino de boas maneiras, de boa educação e das relações de caridade com outrém.
 
No manuscrito Regius lê-se o seguinte: «E agora rezemos a Deus todo poderoso e à sua mãe, a radiosa Maria, para nos ajudarem a guardar estes artigos e seus ensinamentos, tendo como fundamento os quatro Santos mártires que sempre foram tidos em consideração nas sete artes liberais.
 
O Regius termina assim: «Que o Grande Cristo, pela sua graça celeste, vos dê o espírito e o tempo necessário para ler e compreender, e obter o ceú em recompensa. Amen! Amen! Amen! Assim seja! Diremos todos pelo amor de Deus.»
 
Este manuscrito afirma igualmente que todos os que queiram pertencer à maçonaria, devem antes de tudo Amar Deus e a Santa Igreja e todos os Santos e os seus mestres e companheiros, como se fossem seus próprios irmãos. Também é dito que todos os maçons devem ser leais ao rei de Inglaterra e ao reino.
 
O que acima precede, prova claramente a impregnação católica da antiga maçonaria das "Old Charges", estreitamente ligada às confrarias francesas, que estavam por sua vez, ligadas à autoridade espiritual e moral dos clérigos definidores da programação arquitectural dos edifícios.
 
Esta antiga maçonaria impregnada de fé católica, não era ainda a operativa já sem a cultura das sete artes liberais. Para além deste pormenor refira-se que a Idade Média das grandes épocas de Citeaux e Cluny, foi rica em disputas intelectuais assim como em confrontações com as heresias, os mitos gnósticos em cosntante renascimento, e o fascínio pela alquimia.
 
Esta maçonaria iria manter o seu teor altamente católico até à reforma protestante. A partir da reforma de 1517, um turbilhão de ideias neoplatónicas, neopitagóricas, cabalísticas e herméticas, vieram subverter a tradição católica da mesma, transformando-a gradualmente em especulativa já destituída de qualquer sentimento ou tradição católica.
 
Continua.
 
Tradução feita do livro Vérités sul la Franc-maçonnerie de Bernard Antony