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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Deus e o universo

Deus e o universo não são a mesma coisa.

Para Deus se conhecer como o Todo, Deus tem em primeiro lugar de não se conhecer como o Todo. Através do ser humano e de todas as entidades físicas Deus conhece-se como partes do Todo, e assim fornece a si próprio a possibilidade de se conhecer como o todo na sua própria experiência.

Só podemos "experienciar" o que somos "experienciando" o que não somos, mas da mesma forma que somos aquilo que não somos também o universo é aquilo que não é. É esta dicotomia "ser e não ser" que prova claramente que Deus e o universo não são a mesma coisa.

Na nossa actual sociedade este problema é visto ao contrário. Como não queremos aceitar que Deus é o criador de tudo e está para além da nossa compreensão física, elevamos o universo à condição de Deus. Substituímos o verdadeiro Deus por uma multitude de multiversos que abastardam a moral e os costumes. O primeiro sinal de uma sociedade primitiva é pensar que é avançada, e o segundo sinal é a mesma convencer-se que é iluminada.
 
 
 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Concepções erradas de Deus segundo Voegelin

«A verdade do homem e a verdade de Deus são uma só coisa, una e inseparável. O homem viverá a verdade da sua existência quando abrir a sua psique à verdade de Deus; (...) Platão colocou a parábola da caverna, com sua descrição da periagoge, a conversão, o ponto de inflexão a partir do qual a inverdade da existência humana, tal como prevalecia na sociedade sofista ateniense, é superada pela verdade da Ideia. Platão compreendeu, ademais, que a melhor maneira de assegurar a verdade da existência era a educação adequada desde a primeira infância; por essa razão, no segundo livro da República, ele quis eliminar da educação dos jovens as simbolizações impróprias dos deuses, tais como propagadas pelos poetas. (...)
Nessa mesma ocasião, Platão isolou o componente gnosiológico do problema. Se, durante a juventude, a alma for exposta ao tipo errado de teologia, ficará deformada em seu centro decisivo, no qual se forma o conhecimento da natureza de Deus; a alma se tornará presa da "arqui-mentira", o alethos pseudos, que é a concepção errónea dos deuses».


In A Nova Ciência da Política (Edição brasileira) - Eric Voegelin

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Da fronteira de Deus à redescoberta do religioso

A palavra "fronteira de Deus" pode parecer um absurdo, pois, se Deus é omnipotente não há para ele qualquer fronteira. Na realidade, o que a humanidade tem vindo a fazer de há 150 anos para cá, é aumentar a sua fronteira para com Deus, eliminando progressivamente de suas vidas a noção de religião e de Deus.

Em consonância com os factos, o desligamento de Deus provoca o vazio pavoroso que habita na alma do homem dito moderno. Sem ideias, sem objectivos, sem interesses fortes, desenraízado, amorfo e conformista, fortemente formatado pelas falácias do progressismo e do naturalismo.

Martin Buber, filósofo austríaco, chamou a atenção para o estado lastimoso da palavra Deus. Dizia o mesmo que era a palavra mais vilipendiada de todas.
Em seu nome (de Deus) se matou e mata, se morreu e morre. Outros houveram ainda que enlouqueceram e ainda enlouquecem, como sejam os seguidores de Hegel, Feuerbach, Rousseau, Marx, Nietzche e outros. O que estes modernos pensadores nunca entenderam foram as palavras de S. Tomás de Aquino, que teve o cuidado na sua Summa Theologiae logo no início de esclarecer que não pretendia esclarecer o que era Deus, mas sim o que não era.

Nos meados do século XIX, vários pensadores europeus estavam convencidos de que a religião iria desaparecer e que haveria alternativa a Deus. As suas previsões quase que aconteciam, se é que não aconteceram já, mas o regresso do religioso é inevitável.