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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Prisão para os ditadores do regime

Vou ouvindo e lendo por aí que cada português teria de contribuir com 20000 euros para saldar a dívida de Portugal. Agora podemos perguntar: 1- Devemos a quem, o quê e quanto?; 2- Quem contribuiu para a dívida e porque não mostram os números às pessoas?; 3- Os que contribuíram para a dívida estão a pagar a sua parte? A resposta a esta última pergunta é NÃO.
 
Se a isto se chama democracia, pois então venha de lá uma ditadura, e não me venham dizer que a ditadura era isto e aquilo. Ora vejam lá se este regime não é ditador, pensem um pouco.
 
O regime actual é uma ditadura disfarçada, mas mesmo sendo disfarçada, não deixa de ser a pior das ditaduras. Em ditadura propriamente dita, podem não existir liberdades de expressão e de movimentos ou uma série de outras liberdades dadas por decreto, mas as pessoas vivem as suas vidas, modestas nalguns casos, mas vivem sem sobressaltos e pesadelos económicos; na ditadura disfarçada (o nosso regime democrático), temos todas essas liberdades acima referidas, excepto duas, a liberdade financeira (eu não devo nada a ninguém, quanto mais 20000 euros) e o direito de vivermos as nossas vidas sem os sobressaltos acima indicados.
 
 
Está claro para toda a gente que a classe política da ditadura disfarçada é a responsável por todo este descalabro financeiro. E eu disse bem, todo o descalabro financeiro. Foram eles que permitiram que a banca concedesse empréstimos "à pá", sem controlo e sem regras, foram eles que permitiram que milhões de euros de subsídios europeus fossem deitados pelo cano abaixo, foram eles que incentivaram, e quase obrigaram, ao desmantelamento da agricultura e da indústria, foram eles que criaram leis de excepção (casa pia, face oculta, bragaparques, submarinos, torralta, centro cultural de belém, expo), para assim poderem roubar milhões sem serem presos, e sem esquecer que as alterações ao código penal acabaram por fazer com que a justiça seja uma palhaçada.
 
 
Mas se formos inteligentes, é só olhar para o exemplo da Islândia. Aqueles sim , tiveram-nos no sítio, chegaram ali, meus amigos ponham-se no caralho, ides presos, e os bancos e restantes credores que vão mamar na quinta pata do cavalo.
 
Enquanto isso, na parolândia, os bátegos vão-se entretendo a fazer manifestações ao melhor estilo abrileco: "O povo unido jamais será vencido", " Liberdade, liberdade, liberdade" e "grândolas que já fomos gamados" e o perfume fétido e podre da perversão abrilina.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A burla democrática

«A burla que caracteriza fundamentalmente o sistema, manifesta-se já antes da eleição, isto é, durante o período de propaganda mantém-se durante a eleição, e persiste após a eleição.
Antes da eleição o cidadão médio é levado a acreditar, sob a influência que nele exercem indivíduos intelectualmente superiores a ele, que lhe basta acorrer às urnas para assegurar para si uma suficiente participação no mando. Após a eleição, é vulgar vários partidos unirem-se para constituirem a maioria parlamentar, e estabelecerem um governo comum que realiza alguns dos pontos previstos nos respectivos programas. E o votante, que pôs no acto eleitoral todo o seu entusiasmo e dedicação, sente-se enganado, e pergunta porque o incomodaram com programas distintos e irredutíveis, obrigando-o a perder tempo e dinheiro - porque não há coisa mais cara na vida pública, do que umas eleições gerais. Mas se quiser protestar contra o abuso dos dirigentes partidários, só o poderá fazer no fim de um certo número de anos, passando-se para outro grupo mais à direita ou mais à esquerda, a menos que resolva, enojado, ficar em casa a engrossar a falange dos desiludidos.
Na prática - diz A. Frantzen - o governo democrático é um monopólio nas mãos de uma classe desprezada: a dos políticos.»
 
 
In "Para Um Verdadeiro Governo Do Povo" - Prof. Doutor Jacinto Ferreira
 
 
 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A inversão democrática

A história é uma disciplina com muitas "facetas", imperceptíveis para "os distraídos", sendo a factualidade a principal de todas. Se houvesse um conhecimento mais uniforme (generalizado) da história e das suas implicações, haveria uma outra atitude cívica e política. Não seríamos espectadores passivos destes "roubos descarados", não seríamos desgovernados pelos «mansardistas de serviço», nem viveríamos num regime republicano, altamente lesivo dos interesses das populações, pois que a "traquitana eleitoralista" serve quem muito bem se sabe.
 
 
A data charneira deste processo foi precisamente a de 25-04-1974 em que durante quase um ano o clima de medo foi sendo disseminado pelas populações. Foram estas mesmas levadas a crer que sem democracia representativa não conseguiriam sobreviver e miríades de organizações e partidos políticos foram surgindo como cogumelos, repetindo-se o cenário assustador da 1ª república, a bancarrota e os sucessivos empréstimos levam o país à estagnação financeira. E tudo isto legitimado pelo voto muito democrático.  
 
A nulidade do voto em democracia representativa, e repito, em democracia representativa, está bem expresso na impotência generalizada para alterar o que quer que seja.
 
Afinal só votamos por um partido e por uma cara, o primeiro ministro, findo o acto eleitoral, os ministros são escolhidos não se sabe bem com que critério ou critérios, e não se sabendo bem quem são essas pessoas. Bem que gostava de ver e ouvir manifestações sobre este assunto.
 
A democracia não é só a arte de manipular as massas em surdina, sempre sob a capa da legitimidade do voto; é também a inversão dos valores e dos direitos naturais, onde esses direitos naturais são substituídos pelos novos direitos inventados pelos políticos para benefício deles próprios.

O professor Doutor Jacinto Ferreira, no seu livro, Para um verdadeiro governo do povo a páginas 92 e 93 diz o seguinte: «A sufocação das liberdades, quando não da liberdade total, é o destino fatal de todos os regimes democráticos. É que um dilema terrível surge no caminho das democracias, sobretudo das repúblicas. ou são fiéis à liberdade, e entram, a curto prazo, na anarquia; ou se resolvem a sustentar a autoridade e não tardam em cair na ditadura de um homem ou de um partido.
Profeticamente, o anunciou Alexandre Herculano, ao deixar escrito que na história, o que, geralmente falando, constitui a principal feição do presidencialismo, é servir de prólogo ao cesarismo.
Já Platão havia formulado idêntico prognóstico, nos tempos longínquos da democracia ateniense, ao dizer que da extrema liberdade sai a maior e a mais rude escravidão. E depois de Platão, embora talvez inspirado por ele, disse Oliveira Martins que nenhum sistema político se presta mais à tirania e à burla, do que o sistema aritmético do governo de massas.»


Segundo outros, a democracia parlamentar é a ditadura mais injusta e mais cruel.

Segundo Herculano, guiado pela sua intuição dos fenómenos políticos e históricos, onde predomina a igualdade democrática, a mesma caminha mais ou menos rapidamente para a sua derradeira consequência - a anulação do indivíduo perante o Estado, manifestada por uma das duas seguintes formas - o despotismo das multidões ou o despotismo dos Césares dos plebiscitos.
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O falhanço total do 25 de Abril

As pessoas não querem admitir que a revolução de abril de 1974 não serviu para nada. Foi uma fraude, total, sem tirar nem pôr ...
 
Nas últimas manifestações que se realizaram neste país, só se ouvia as "rotinhas" e "mofas" frases: «o povo unido jamais será vencido» e «liberdade, liberdade». O povo nunca esteve unido, nem pode estar, pois a união envolve e implica um sentimento comum que não existe há mais de 100 anos. Quanto à famosa liberdade, ela só existe quando interessa e de nada adianta estarem sempre a reivindicar mais liberdade, mais igualdade, mais isto e aquilo, pois que a liberdade é fictícia e é um instrumento de desunião e não de união.
 
É preciso admitir e compreender que o 25 de abril apenas serviu para favorecer uma série de generais e militares, conseguindo assim reformas chorudas; e por outro lado, se hoje o país está como está, deve-o em parte ao 25 de abril e às suas teorias nefastas, mentirosas, facciosas e impossíveis de realizar.
 
A plutocracia portuguesa aproveitou-se do 25 de abril para tomar o poder de assalto sendo hoje os bastidores da política ocupados pelas piores pessoas e pelos maiores vigaristas da nossa praça, continuando as pessoas a votar para este estado de coisas.
 
É preciso acabar com o 25 de abril (isto não implica voltar à ditadura, nem defendo tal posição) e deixar de votar em partidos políticos que não fazem mais do que alimentar a partidocracia aguda.
 
 
Eu não acredito na democracia do pós-25 de abril; essencialmente porque ela não existe, limita-se a um desfile participativo ou representativo que não resolve os problemas das populações. A única democracia que pode existir, por definição e por princípio, é a democracia directa. Só esta poderá resolver os problemas do nosso país. Se alguém pensa que a democracia parlamentar com os seus (exageradíssimos) 230 deputados podem resolver algo, está bem enganado. Esses 230 deputados estão-se cagando para nós todos, inclusive os do PCP e do BE que falam muito dos portugueses e dos trabalhadores, mas que na realidade se ficam pelos lugares comuns de sempre.
 
 
 
O 25 de abril foi traição, abaixo o 25 de abril, venha o 26 de abril e depressa; mas um 26 de abril que renove esta democracia participativa transformando-a numa democracia directa, onde as necessidades e reivindicações das pessoas sejam atendidas. Abaixo os tachos e jogadas de bastidores, muito próprios de todas as democracias representativas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A crise e a ascensão dos cleptocratas

As dívidas soberanas dos países, como agora lhes chamam, não são dívidas nenhumas!
Dito de outra forma, são dívida sim, mas dívida com uma cambiante muito diferente do usual, é que não é para ser paga, mas sim protelada e atirada sempre lá para a frente. O sócretino, já no exílio dourado, disse isto mesmo, que a dívida não é para ser paga, e não é que o homem pela primeira vez em alguns anos disse a verdade! 
Enquanto isso, os especuladores e agiotas pregoeiros fazem fortunas, e os países e seus habitantes afundam-se na pobreza.
 
 
Vejamos um excerto do livro Crises Financeiras Na Economia Mundial - Algumas Reflexões Sobre a História Recente escrito por Carla Guapo Costa nas páginas 61 e 62: «Mas a recessão de 2008 é diferente, porque não é devida apenas à quebra de procura, nem unicamente aos elevados preços da energia, embora os preços do petróleo e de outras commodities estivessem especialmente elevados no verão de 2008, antes de iniciarem uma descida sustentada. A principal ameaça para a resolução desta crise é, efectivamente, uma crise de crédito, o que dificulta, ou mesmo impossibilita, um retorno ao pleno emprego se a mesma persistir.
Os problemas no sector financeiro não são, obviamente, novos, mas, em várias situações anteriores, não tinham tido um impacto macroeconómico significativo. Pelo contrário, nesta crise em concreto, o colapso do sistema financeiro está a envolver a economia no seu conjunto.
E, em grande medida, pelo facto das alterações verificadas no sistema financeiro o terem modificado substancialmente. Antes desta revolução, na sua maior parte, os que originavam os empréstimos, mantinham-nos no seu portfólio. Mas os proponentes desta nova alquimia financeira descobriram novas formas de rentabilizar as dívidas, secularizando-as, e dividindo-as.»
 
 
Ora como muito bem sabemos, a secularização das dívidas é o processo que está em curso, e só desta forma se pode entender a submissão da política à economia.
 
A civilização está a ser destruída em nome de uma globalização que mais não é do que a ascensão definitiva da cleptocracia; a religião política oficial de qualquer estado futuro.
 
 

domingo, 30 de setembro de 2012

António Borges é um disformista neoliberal

As "mirabolantes" declarações do charlatão António Borges mostram na perfeição o tipo de democracia em que vivemos.
Com que então, os empresários portugueses são «ignorantes». Essa é boa, se há aqui qualquer fluxo de ignorância ela provém do António Borges e dos institutos onde o mesmo estudou e se formou.

António Borges é professor de quê? De asneirologia e de burroidíce primária? Este é dos tais que acredita na escravatura; baixar salários e condições de vida para que uns "tautologistas de bico partido" como ele continuem a auferir milhões de euros e regalias sem fim. Inveja ? Claro que sim. E legítima, porque pessoas como esta que temos vindo aqui a tratar nada sabem da vida e do mundo, nunca trabalharam na vida.

E por falar em ignorância, acaso o António Borges sabe que alguns portugueses sabem que o mesmo foi corrido do FMI e da Goldman Sachs por incompetência? Incompetência pura e dura, e são os incompetentes que ocupam hoje lugares de destaque quer no mundo político ou no financeiro.

António Borges é um disformista neoliberal.

Um disformista neoliberal é todo e qualquer indivíduo político ou agente político, que pretende subverter a ordem natural das coisas, atribuíndo às causas efeitos que não são reais, pretendendo assim tirar dividendos para si e para outros, que de outra forma não seriam possíveis.

Um disformista neoliberal como o António Borges não tem em conta, deliberadamente, o desfazamento entre aquilo que diz ou o mandam dizer e a realidade dos factos. É como se vivessem num mundo à parte (que é o que realmente acontece). Pessoas deste calibre, formadas  à pressão nos calabouços do socialismo degenerativo são aos milhares. E é este tipo de gente que vem para as TVS admestoar o povo, dizendo que são incompetentes, ignorantes, burros, etc.
 
O disformismo neoliberal torna-se mais intenso à medida que o grau de promiscuidade entre a política e a finança vai aumentando.
 
É bom que se diga que perante a intervenção deste personagem que temos vindo a tratar, ficamos a saber que o gajo deve ser muito fraco professor. É um recitador dos "neocopistas" do costume, só pensa em si mesmo, é um egoísta primário, característica muito vincada dos disformistas neoliberais.
 
 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Primórdios do liberalismo em Portugal - IV

Consolidado o regime liberal, até 1823, dá-se um aumento do défice da balança de transações correntes. A "austeridade" não foi capaz  (nem o poderia ser) de reforçar a baixa das importações com a subida das exportações. O Vintismo revelou-se irremediavelmente incapaz de corrigir os desequilíbrios da balança comercial, nem tão pouco evitar subidas de preços, como o caso do pão, principal indicador do custo de vida à época.
Se o descontentamento do povo português já vinha de trás, mais se reforçou com esta situação; o descontentamento era generalizado; uma onda massiva de rejeição das ideias liberais fez crescer a oposição ao regime. A burguesia mercantil desesperava, e acumulava créditos sobre créditos para fazer face às constantes desvalorizações que a moeda ia sofrendo. Os agricultores, com métodos estafados e sem equipamentos modernos, não tinham qualquer possibilidade de se desenvolverem, os industriais também com equipamentos antiquados e num país a começar a fragmentar-se, a nada de melhor podiam aspirar. Só para se ter uma ideia: A taxa de esforço fiscal a que os portugueses estavam sujeitos chegava em alguns casos a mais de 80% dos rendimentos! 
 
A partir daqui começa a real decadência de Portugal, se bem que as razões dessa decadência tenham de ser procuradas antes, seguiram-se as guerras entre liberais e absolutistas que acabaram por dilacerar definitivamente a ordem espiritual do "Portugal-Império".  O Vintismo português foi um período de intenso "estatismo político", em que a "austeridade", já naquela época,  não tinha a real proporção das coisas. Só resta dizer que é universal; o roubo declarado e descarado dos povos existe desde sempre, e a nossa actual época só é excepção pelo grau de desfaçatez com que o roubo é praticado. Afinal, a "República" revela-se a mais ladra das instituições. A dívida ia aumentando, o esbanjamento de dinheiros públicos começava a ser frequente; a monarquia, ferida no seu orgulho, assim como a aristocracia, foi completamente manietada na segunda metade do século XIX, estabelecido definitivamente o regime liberal.
 
 
Continua com "A ascensão do liberalismo em Portugal".
 
 
 
 
 

Primórdios do liberalismo em Portugal - III

Segundo Luís A. de Oliveira Ramos no seu livro "Sob o Signo das «Luzes»" a páginas 151 é dito o que se segue: «No Porto, em Lisboa, os mações mais avançados, no que toca a opções políticas, além de se constituírem, no dizer de um relatório, em filósofos da presente época, vergastavam, declaradamente, o trono e o altar e abonavam o governo dos franceses, assim preparando o caminho para a sociedade liberal. (...) Em 1803, os inquisidores de Lisboa increparam os pedreiros-livres por só amarem os padres e reis enquanto virtuosos, doutrina que consideravam injuriosa da suprema autoridade de um e de outro poder, isto é, do poder civil e eclesiástico, e agravada por patentes sinais de indeferentismo religioso.»

Por estas e por outras é que os inquisidores diabolizaram a maçonaria, considerando-a como atentatória da segurança, do estado, da monarquia e das instituições católicas. Sendo assim merecedora de um exemplar castigo a executar pela justiça temporal. Ao contrário do que pretendia Barruel, a maçonaria não foi a principal causa da revolução de 89, mas teve grande contribuição na difusão dos ideais revolucionários, revolução essa que desencadeou um processo de blocos internacionais e de objectividades comerciais, cujo resultado final se cifrou numa amálgama de interesses, muito mal interpretados quando se reduzem à sua expressão mais simples.
 
Até às invasões napoleónicas, Portugal manteve-se fiel à sua estrutura absolutista, quer no campo social e político, quer no campo do poder e da economia. Os intérpretes do absolutismo, oriundos dos mais diversos extractos sociais, perfilhavam, na sua grande maioria, a fidelidade à monarquia pura vigente na metrópole e no império.
Só no período pós-invasões napoleónicas se começa a comentar a necessidade de substituir o regime absoluto por um regime de liberdade, análogo ao de outros países europeus. Os partidários do liberalismo buscavam e anseavam uma «nova ordem política» que restaurasse Portugal, que promovesse a sua regeneração e melhorasse as condições de vida do seu povo. Tal «nova ordem política» revelar-se-ia falsa e aziaga, como a história se encarregaria de demonstrar.
 
A situação de Portugal entre 1807 e 1821 era extremamente confusa. O soberano residia no Rio de Janeiro para onde fugira juntamente com a Corte em 1807, para não ser caçado pelos franceses, tentando governar de lá, sem força e sem eficácia. No continente, a regência encarregue do reino de Portugal mostrava-se totalmente incapaz de resolver os problemas do país, e para agravar a situação, seguia em tempo de penúria dinheiro para o Brasil para sustentar a Corte e para as tropas defenderem esse reino dos vizinhos. Esta situação gerou um amplo descontentamento na metrópole, e os portugueses já viam o país como uma colónia do Brasil. A indústria sem investimentos e com equipamentos antiquados, definhava, os agricultores, em época de abundância, não conseguiam vender os seus produtos a preços consentâneos, e a burguesia comercial que via os seus negócios decrescer a olhos vistos, estava muito descontente com a situação do país. Temia-se que o poder saltasse para a rua.
É assim que em 1918, no Porto, nasce o Sinédrio associação secreta que se propõe mudar o curso da história, criando a revolução liberal de Agosto de 1820 e dando oficialmente  início à era liberal de Portugal.


Continua.
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Primórdios do liberalismo em Portugal - II

Para se ter uma ideia dos interesses económicos das duas facções faladas no post anterior, diga-se a este própósito que, entre 1796-1806 a balança comercial entre Portugal e Inglaterra passou de 9.838.817$463 réis para 17.788.267$282 réis! Um aumento de mais de 90%! Relativamente aos números entre Portugal e França os mesmos são impressionantes; 268.313$ 198 réis em 1796 para 7.682.088$ 432 réis em 1806!
 
Uma luta feroz pela competividade e controlo de mercados pela burguesia, facilitou a disseminação dos ideias de 1789, e dái para a frente começa a verdadeira decadência de Portugal. A partir de 1807, com a ruptura do bloco napoleónico, ficam em causa interesses vitais de uma parte da burguesia mercantil portuguesa - os afrancesados.
 
Embora o intercâmbio entre Inglaterra e Portugal continua em expansão, sobretudo pelo lado das exportações portuguesas, temia-se que a concorrência francesa, que cresceu muitíssimo em 10 anos, provocasse recessão nos negócios com os ingleses, e que os franceses fossem aumentando o valor das transacções comerciais, ganhando assim vantagem nos negócios com Portugal.
 
Os acontecimentos seguintes, apesar de tudo, não confirmaram essa tendência que se antevia por parte dos inglesados; os negócios com Inglaterra continuaram a crescer nos anos de 1808-1814. Alguns anos após, na época chamada de «Vintista», a balança comercial portuguesa começava a agravar-se seriamente.
 
Em 1819 Portugal importou 24.296.834$600 réis e exportou somente 19.447.806$084 réis, um défice de 5.000.000$000 réis. Houve que tomar medidas, e essas medidas passaram por diminuir o défice da balança de transacções correntes com o estrangeiro, através da tão badalada "austeridade". Também essa foi a receita nessa altura, mas revelar-se-ia desastrosa, pois o que acabou por acontecer foi que o saldo das importações sobre as exportações desceu para menos de metade, em grandezas absolutas. Ao baixar o volume de importações baixava obrigatoriamente, por via da "austeridade", o volume de exportações.  No ano de 1822, os números mostram precisamente o que acima acabou de se dizer, as importações ficaram-se pelos 19.181.984$032 réis e as exportações em 15.611.637$822 réis, com um défice de 3.500.000$ réis.
 
Mas a baixa dos valores da balança comercial portuguesa também se fica a dever à baixa do comércio com o Brasil, o que demonstra bem, em termos ditos práticos, os efeitos negativos da independência do Brasil e da descolonização sobre a economia nacional. A independência do Brasil, pelo menos da forma como a mesma se efectivou e não considerando os interesses que estavam em jogo, revelou-se um erro colossal. Portugal nunca mais recuperou desse golpe (e a história tratou de o confirmar) e o seu relacionamento comercial com o Brasil só foi recuperado para lá de 1840.
 
 
Continua.

Primórdios do liberalismo em Portugal

Falar sobre a génese do liberalismo (por oposição à "antiga ordem") em Portugal, é exercício não muito simples. Portugal não ficou imune aos ideais de 1789, mas os mesmos não se manifestaram com tanta intensidade como noutros países europeus, pelo menos até ao final do século XVIII.
No período pré-1789, a reforma pombalina de 1772, já de si bastante anti-aristotélica, lançava as primeiras sementes do liberalismo. Para sermos rigorosos devemos dizer que seriam antes "novas" sementes, porque na realidade as primeiras sementes do liberalismo têm origem no iluminismo, que invadiu a europa nos século XVI e XVII.
 
Num livro intitulado "Sob o Signo das Luzes" escrito por Luís A. de Oliveira Ramos na página 136 relata-se o seguinte: «Como ensina Dominguez Ortiz, o iluminismo significou , na área peninsular, a aceitação da pesquisa científica e dos respectivos resultados mesmo quando contrários às opiniões tradicionais, implicou a flagelação das superstições e dos preconceitos propiciadores de injustiça e de opressão, contemplou o exame crítico das crenças correntes e o seu repousar, outrossim originando claro interesse por reformas de natureza económica e social.»
 
A parte final do excerto, indicia claramente que a subversão da ordem e do direito natural potenciou o positivismo, e que o mesmo é anterior a Comte, é um filho dissimulado do iluminismo.
 
Portugal só começou a sentir os efeitos da revolução de 1789 a partir de 1796-1797, até aí o ambiente era tranquilo, apesar de haver pleno conhecimento do que se passava em França e países vizinhos. Os portugueses tinham intensas relações mercantis com diversos pontos da europa, passavam por vezes meses no estrangeiro, para além de que o afluxo de estrangeiros ao nosso país também era elevado. Portanto havia um conhecimento mais ou menos generalizado das ideias revolucionárias. Sem esquecer também diversos jornais e publicações estrangeiras que aqui eram vendidas nessa época.
Os mais letrados e ilustrados promoviam abertamente a adesão aos ideais de 1789, portanto dizer-se que Portugal ficou imune a 1789 não corresponde à realidade. Mas tal adesão não aconteceu tão rapidamente e tão solidamente como noutros países europeus.
 
No Portugal de transição do século XVIII [1796-1797 em diante] para o XIX, existiam duas facções bem definidas; "os afrancesados e os inglesados". Segundo alguns cronistas da época, a luta mercantil entre as duas facções era bem pior do que a dos absolutistas e liberais, porque os interesses económicos e vantagens mercantis eram já a única preocupação das «camarilhas cortesãs» e respectivas bases de apoio. Nada de muito diferente dos dias de hoje, registe-se.
 
Continua.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A loucura elevada a normalidade

A sinificação de Portugal levada a cabo pelo sócretininho é o "tubo de ensaio" de "bruxelas" para o resto da europa. A prazo.
 
Todas as engenharias sociais e devaneios democráticos não existem por acaso, convergem todos para um fim último, a sinificação mundial.
Este governo surpreende-me todos os dias, pela negativa. É um infindável centro de manipulações que geram actos que deveriam considerar-se como "traição à pátria". Pois que, quem maltrata o seu povo descaradamente como estes o fazem, não é merecedor de qualquer respeito. Claro que o problema não se resume a este governo, todos os anteriores tiveram a sua quota de responsabilidade, e de nada adianta virem com a "parfonilha" da democracia e do estado de direito, que nem para figuras decorativas servem .... a utilidade máxima da democracia é bem conhecida; a democracia é o "pântano viscoso" dos "nossos sonhos", revela-se a mesma inexacta, profundamente inexacta, na sua significação e no seu conteúdo.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ladrolândia - a saga continua

Segundo números que foram recentemente noticiados (falta saber a sua validade), a Galp, uma das empresas que mais rouba em Portugal, aumentou os seus lucros no primeiro semestre deste ano em 59%!

A ser verdade, é uma coisa vergonhosa, que deveria dar direito a anos e anos de prisão.
Mas como somos governados por outro bando de ladrões, financiados e publicitados por empresas ladras como a acima mencionada, é tudo normal. Normalíssimo. É o petróleo que está em alta nos mercados internacionais.
Apetecia-me dizer, é a P*** que vos P****.

A bandidolândia, controlada pela maçonaria, merece uma lição. Mas esta lição tem de ser feita com categoria e inteligência, não com violências que nada resolvem. O que vou dizer de seguida poderá parecer de impossível realização, mas se os portugueses se unissem e boicotassem a compra de combustíveis nacionais durante 1 ou 2 semanas, os ladrõezecos até "cagavam de esguiche". A maçonaria e os seus capatazes "mijavam nas cuecas" de tanto pavor...

De seguida, os portugueses deveriam boicotar uma série de serviços e bens, sobretudo os grandes grupos económicos, e aí é que eram elas.
Sempre que necessário, os portugueses devem unir-se e boicotar os ladrões da Galp e restante séquito de cabrões amestrados. E quando chegar as próximas legislativas, novo boicote (aos partidos políticos), votando-se massivamente em branco.

Quanto à justiça, ou falta dela, para ser mais exacto, os cidadãos deveriam exigir uma mudança urgente da constituição portuguesa que peca por graves defeitos e inverdades. Não é á toa que vão surgindo, já há algum tempo,  pedidos de mudanças na constituição. Partidos como o bloco de esterco deveriam ser ilegalizados e os seus mentores encarcerados em manicómios de grau máximo.
Pessoas como José Sócrates, considerado por alguns doentes mentais como o melhor primeiro ministro de Portugal, deveriam pagar do seu bolso os estragos que causaram ao país.

Mas, já se sabe, um país controlado pelos maiores bandidos, onde as negociatas ruinosas para o país e para os Portugueses são norma, isso será muito difícil de conseguir. Embora os cidadãos o possam conseguir, não o querem porque vivem na ilusão da sua segurança (relativa) financeira e material. Nada mais falso.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Moderno conceito de democracia

«A democracia moderna, o sistema política que nasceu da Revolução Inglesa, e inundou a Europa através do fenómeno inglês chamado a Revolução Francesa, assenta em três bases: o princípio do sufrágio como base da vida política; o princípio chamado "liberalismo", cuja substância consiste na tendência para abolir os privilégios de certas classes ou pessoas, e de restabelecer entre os homens a maior igualdade possível; e o princípio a que melhor se pode chamar "pacifismo" que significa que a vida das sociedades, essencialmente comercial e industrial, é só episodicamente, ou por um resto de "atraso", guerreira, e que a paz entre os povos é o estado normal, ou que deve ser normal, na vida social. É isto que resume o lema "liberdade", "igualdade", "fraternidade", que a Revolução Francesa converteu em Santíssima Trindade para uso de quem não tem religião.
É fácil demonstrar que os "princípios" democráticos são essencialmente dirigidos contra a opinião pública, contra o povo e contra a própria essência de toda a vida social, que a Democracia é o resumo de tudo quanto seja antipopular, antisocial e antipatriótico. (...)

Num regímen natural - aristocracia ou monarquia pura - podem existir outros males e defeitos, mas nenhum tão grave como este. É que o princípio do sufrágio político é, na sua essência, como vimos, não só não-social, mas anti-social. Admiti-lo em uma sociedade é fazer-lhe escolher veneno para alimento.
Nas sociedades tradicionalistas são talvez os Mortos que mandam; nas sociedades democráticas, porém, é a morte que manda.
Demonstrado, assim, que a Democracia moderna é radicalmente anti-social, pois que um dos seus princípios fundamentais, o do sufrágio político, é substancialmente antagónico, por "intelectual", ao não-intelectualismo que caracteriza as manifestações do instintivismo social e da "opinião pública", manifestação dele e base reconhecida de toda a vida política.


In "Fernando Pessoa o antidemocrata pagão" - Ruy Miguel

terça-feira, 26 de junho de 2012

A construção do Estado - solução final

O edifício político pós-moderno (1789) foi construído em sentido inverso ao estabelecido. A sua construção deixou de partir do alto para começar do baixo até chegar ao alto.
Esta construção política que parte do povo, que se organiza exclusivamente pela base, alarga-se paulatinamente, mas sempre sob uma única direcção.

Cada escalão é composto de dois órgãos; um deles representa os extractos inferiores que constituem o novo poder e o outro representa a autoridade superior, executivamente, bem entendido.

O que acaba por acontecer é o mais lógico; o elemento federado torna-se mais poderoso do que o próprio órgão federal, o que provoca imediatamente uma "dissonância" que se viria a mostrar desastrosa nos séculos seguintes.

Deixou de existir autoridade tal como a mesma tinha sido concebida séculos antes. A autoridade passava a ser fonte de caprichos e de ideologias ao serviço de uma nova descida aos infernos. O termo democracia representa hoje um anacronismo vergonhosamente silenciado pelos poderes instituídos.

Esta democracia está fundada numa série de falsificações históricas e manipulações empíricas. E a maior manipulação empírica foi precisamente o direito positivo, que, na sua fase de maturação, mostrava claramente que vinha para destruir a antiga base do direito natural, cuja lei era visível e entendível por si própria, pois emanava esta mesma de fonte divina. Podemos com toda a nitidez visualizar este processo ao pensar no simples caso do criminoso e da vítima. O criminoso tem uma série de direitos e garantias (direitos positivos) e a vítima vê-se assim confrontada com "os seus não direitos" (direito natural). 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Salazar e a política externa portuguesa

«O Estado Novo salazarista, reflexo português de um tempo histórico de crise, teve de confrontar-se, muito cedo, com o brutal e prolongado desenlace dessa crise, entre 1936 e 1945. Solucionado o problema financeiro, estruturada a ditadura, consolidado o seu poder, só em Setembro de 1935 - com a questão ítalo-etíope ameaçando a frágil paz europeia - é que o presidente do conselho passou a expor as grandes linhas sobre os interesses internacionais do país: projecção colonial, aliança com Inglaterra e segurança do lado espanhol, que na realidade constituíam os fundamentos históricos da política externa portuguesa.
No entanto, Salazar mostrou desde o início uma independência em termos operativos que era indubitavelmente nova. A diplomacia de Lisboa tinha reagido sempre à potencial - e bastante endémica - ameaça espanhola e às dificuldades internacionais das suas possesões africanas de uma forma complexada, acudindo à protecção inglesa de maneira tão obsessiva e subalterna que acabaria por converter a velha aliança luso-britânica numa verdadeira relação tutelar, não apenas incómoda para a acentuada sensibilidade nacionalista da opinião pública portuguesa, mas comportando também uma certa dose de risco para o país, na medida em que transferia para Londres a defesa de uns interesses nacionais que nem sempre coincidiam com as prioridades externas de Inglaterra.
Sem nunca abandonar a relação privilegiada com os britânicos, Salazar conseguiu imprimir um carácter muito mais autónomo à política externa de Lisboa. As razões eram, em parte, internas e estavam relacionadas tanto com a solidez do novo regime, como com a disposição firmemente nacionalista da ditadura e do ditador. Mas obedeciam também às novas circunstâncias internacionais. Por um lado, depois da primeira guerra mundial e, sobretudo, após a crise de 29, a Inglaterra tinha perdido a indiscutível capacidade de liderança mundial que mantivera - embora de forma cada vez mais precária - até 1914. A política acobardada de appeasement com a Alemanha e, como já ocorrera em vésperas da primeira guerra mundial, as desleais - se bem que inúteis - iniciativas de Londres para travar as ambições germânicas na europa à custa das colónias portuguesas, constituíam o melhor exemplo da debilidade britânica.
Por outro lado, o avanço imparável dos fascismos na década de 1930, não só consolidava ideológica e moralmente a posição internacional do regime português, como também, inclusivamente, parecia pressagiar uma possível mudança histórica nas estruturas mundiais do poder. Por último, embora Londres, que continuava a dominar o mar de que dependiam Portugal e o seu império, tivesse continuado a ser um quadro de referência fundamental para a acção externa de Lisboa, entre 1936 e 1943 a evolução da grave crise mundial - primeiro em Espanha e logo depois na europa -, com a consequente ameaça sobre a retaguarda portuguesa, impôs à tradicional política atlantista de Lisboa, um desvio para o continente, provocando assim um afrouxamento da relação de dependência com o aliado britânico. Salazar, que numa atitude bem significativa passou a acumular, em 1936-37, conjuntamente com a presidência do Conselho as pastas das finanças, da guerra e dos negócios estrangeiros, assumiu de forma directa a responsabilidade pela condução do país no meio de um dos momentos mais difíceis da sua história, tendo conseguido sobrepor, num diálogo não raramente tenso com os ingleses, os inseparáveis interesses de Portugal e do regime aos velhos hábitos de subordinação da aliança com Inglaterra.»


In "O estado novo de Salazar" - Hipólito de la Torre Gómez

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A justiça portuguesa está de parabéns

Desde a morte cobarde Francisco Sá Carneiro - para favorecer quem bem sabemos..

Ao desaparecimento de Madeleine Mc. Cann

Ao caso Casa Pia, ao caso Portucale, operação furacão, da compra dos submarinos, às escutas ao sócretino, do caso Universidade Independente e da moderna, do FCP, do SLB, da corrupção dos árbitros, à corrupção das autarquias, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais, Braga Parques, ao Bibi (SLB), João Cravinho, o processo Costa Freire e Zeze Beleza, do miúdo electrocutado num semáforo, do outro afogado num parque aquático, as crianças assassinadas na Madeira, do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico, do autarca Alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do instituto de medicina legal, das famosas fotografias de Teresa Costa Macedo (aquelas em que ela reconheceu muita gente importante, jogadores de futebol, milionários, políticos..), os crimes de evasão fiscal do Albarran, os negócios escuros (escuríssimos) do grupo Carlyle em Portugal, grupo este onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, que era vezeiro e useiro numas cunhas como para a sua filha, sem esquecer aquele médico do hospital de S. Maria, suspeito de ter assassinado vários doentes por negligência.
Faltam aqui os casos do Sr. Silva; dos seus sérios amigos; Dias Loureiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Amílcar Teias e muitos mais. E o patriota do fax de Macau, melancia, e aqueles senhores que venderam o edifício dos CTT de Coimbra, de manhã por x, à tarde por 2x, à seita da face oculta com os seus robalos, etc, etc, etc.

Passados estes anos todos a justiça portuguesa está de parabens! Prenderam um jovem de 17 anos que fez um download de música... grande malandro!!!

FANTÁAAAASTIIIICCOOOOOO!!!!! PRIMEIRO PORTUGUÊS CONDENADO POR PIRATARIA MUSICAL NA NET.

AGORA SIM, SINTO-ME MAIS DESCANSADO E SEGURO!!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A falência do regime e a descida de Portugal aos infernos

As recentes declarações do primeiro ministro (que tem definitivamente uma grande falha de comunicação) e as que se seguiram da parte da oposição parlamentar, são o paradigma do tempo actual. Não é só a falência do regime que nos espera, é também a "chacota" do próprio regime, que já acontece em larga escala. O roubo e a impunidade completam o ramalhete fazendo da lógica a imagem do burro que corria atrás da cenoura.

O momento político do país é surreal, o vaivém de declarações sucede-se, tal como previra Platão quando dizia que toda a massa de oportunistas, de aduladores e de homens de baixos instintos em geral governassem as cidades, o momento da derrocada era eminente.

Mais uma prova de que o tempo não existe horizontalmente, é cíclico, e a história repete-se sempre em versões mais apuradas, se repararmos bem, vivemos precisamente os mesmos problemas de há um século atrás, mais ano menos ano. E pela lei das analogias, o movimento ascendente da actual descida de Portugal aos infernos, só será possível com um novo "ditador", mas mais refinado que o anterior [tendo logicamente em conta que a palavra ditador presta-se a muitas interpretações]. Não tenho dons de profecia, mas a história de Portugal fala por si, quem se der ao trabalho de estudá-la um pouco mais a fundo, perceberá a inevitabilidade da descida de Portugal aos infernos, representada na entrada de Portugal na União Europeia, e o renascer das cinzas, o quinto império, o regresso do rei encoberto com a espada do nosso primeiro rei. É claro que esta última frase tem um sentido oculto que cada um deve ser capaz de interpretar, mas o essencial é que Portugal renascerá das cinzas.

O sinal definitivo da derrocada total do regime é dado quando os líderes e demais propagandistas políticos usam e abusam das palavras "democracia" e "estado de direito", por exemplo, em tudo o que é jornal, TV ou rádio. É aquilo que Émile Faguet dizia, que grande parte das ideologias políticas iluministas passado o seu prazo de validade, ou eram abandonadas ou eram exarcebadamente publicitadas, manobras a antecederem o fim da linha.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Política, democracia e pesadelo

«Que remédios poderão, pois, aplicar-se à doença moderna: o culto da incompetência intelectual e moral?
Quais serão, como diz Fouillée, os meios principais para se evitarem os recifes que ameaçam as democracias?

Na nossa opinião, nenhuns há, pois que estamos em presença de um mal que se adora e só por si se poderia curar.

(...) o estado democrático não pode matar aquilo que lhe dá vida, nem estancar as principais fontes dos seus rendimentos.A democracia não é um governo barato, facto esse reconhecido por alguns dos seus mais autênticos representantes, não há dúvida de que foi instituída na esperança e intenções de um governo económico, mas tem sido sempre ruinosa, porque carece de maior número de partidários que qualquer outro governo, para não ter muitos descontentes, sendo necessário remunerar de qualquer maneira os partidáriose desarmar os descontentes, comprando-os por qualquer forma. 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A democracia enquanto veículo dos baixos princípios

«A democracia tem o defeito bem sensível de não poder, constitucionalmente, suportar, conservar no seu seio, homens superiores. Em democracia: «se um cidadão tem uma determinada superioridade, ou se alguns cidadãos são por tal forma superiores que não possam comparar-se-lhes outros nem em merecimento, nem em influência, esses cidadãos já não podem ser olhados como fazendo parte da cidade. Seria ofendê-los, admiti-los na cidade em pé de igualdade com os que tão inferiores lhes são; (...)
Vê-se bem que as leis só são necessárias para os homens iguais pelo nascimento e pelas faculdades; não havendo leis para aqueles que sobressaem aos outros, são eles a sua própria lei. Quem pretendesse impor-lhes regras, encher-se-ia de ridículo, e eles talvez tivessem o direito de dizer o que os leões de Antístenes responderam às lebres que defendiam a causa da igualdade entre todos os animais.
Foi por essa razão que se estabeleceu o ostracismo nos estados democráticos, que, mais do que quaisquer outros, são ciosos da igualdade. Tão depressa um cidadão parecia elevar-se sobre os outros pelo crédito, pela riqueza, pelo número dos admiradores ou por qualquer influência política, vinha o ostracismo feri-lo e afastá-lo da cidade.
Era como Hércules, que os argonautas abandonaram porque a sua nau declarara que o heroí era muito pesado para que pudesse transportá-lo.
Trasíbulo, tirano de Mileto, pediu a Periandro, tirano de Corinto, um dos sete sábios da Grécia, conselhos sobre o governo. Periandro não respondeu, mas nivelou um campo de trigo cortando as espigas que sobressaíam acima das outras. Não são os tiranos os únicos que têm interesse em fazer isso e o fazem; dá-se o mesmo nos estados oligárquicos e nos democráticos; o ostracismo produz aqui quase os mesmos resultados, impedindo pelo exílio que os cidadãos se elevem muito.

Isto tudo é como que uma necessidade constitucional da democracia.

Na verdade, nem sempre é forçada a exilar ou fazer cair as espigas de trigo mais altas; pode exilar, por assim dizer, no interior, isto é, recusar sistematicamente qualquer categoria ou função social ao homem que patentear uma superioridade qualquer, de nascimento, de riqueza, de virtude ou de talento, por exemplo.
É o ostracismo pela calada, como o povo diz. (...)

Aristóteles apresenta muitas vezes a questão do homem eminente. O homem eminente, escreve ele, difere do indivíduo tomado na multidão como a beleza difere da fealdade, como um belo quadro difere da realidade, alguns fragmentos de beleza que existam no real...
Não são somente os homens eminentes que incomodam as democracias; qualquer espécie de força individual ou colectiva que esteja fora do Estado ou do governo as irrita.

Se nos lembrarmos que Aristóteles assemelhou a democracia no seu estado agudo à tirania, acharemos deveras interessante o quadro resumido por ele traçado dos meios de tirania: «reprimir os que tenham qualquer superioridade, matar os homens que tenham sentimentos generosos, não permitir refeições em comum, associações de amigos, nem a instrução, excepto a que ela fornece, nem nada que a estas coisas se pareça, evitar todos os hábitos que ordinariamente são próprios para fazer brotar a grandeza de alma e a confiança, não tolerar assembleias, nem nenhuma das reuniões em que os homens passem os seus ócios, tudo isto para conseguir que os cidadãos, tanto quanto possível, se desconheçam uns aos outros.

As conclusões de Aristóteles são pessoalmente aristocráticas: «A cidade perfeita apresenta-nos grande e desagradável dificuldade.»


In "O culto da incompetência" de Émile Faguet

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A economia paralela

Há uma ideia errada sobre a caracterização da chamada economia paralela. Ela é geralmente vista e tida como ilegal, imerecida, injustificável, fraudulenta, mas, na realidade, tal coisa não corresponde de todo à realidade.

A economia paralela faz girar a economia real, dependendo esta última da saúde da primeira para se manifestar. A incompetência democrática acha o contrário e tenta por diversos meios erradicar a economia paralela, fazendo passar a imagem ao contrário, para que nos tornemos todos gargantas fundas, neste e noutros aspectos sociais.

Só para dar um exemplo - o estado espanhol admite a fuga ao fisco na razão de 30% do volume de negócios desde que esse dinheiro seja reinvestido no país - Como o estado espanhol não é burrinho sabe bem, que a economia paralela faz inevitavelmente girar a economia real, pois serão comprados carros, casas, equipamentos, obras em casa, e os inevitáveis IVAS reverterão a favor do estado espanhol.
Outro exemplo - O estado françês admite também uma fuga ao fisco, em moldes diferentes do espanhol, e também desde que esse dinheiro seja reinvestido na economia francesa, que é o que se passa quando o estado françês diz que o IVA para a renovação de casas será de 5,5% para todos os materiais.

Alguma vez se ouviu disto em portugal? Alguma vez algum órgão de comunicação escreveu uma linha sobre o assunto? Não. Nunca.

A incompetência democrática portuguesa diz da economia paralela cobras e lagartos, mas esquece-se propositadamente, o que mostra bem o que se passa, que a economia paralela desde que perfeitamente delimitada no tempo e no espaço é um auxiliar precioso da economia real.

Perante esta crua realidade sou forçado a considerar que a incompetência democrática portuguesa já não se fica só por aí; tornou-se acéfala, revelando-se por isso mesmo impreparada para os desafios futuros, o que é um mau agoiro.