quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O engano político

Está hoje muito em voga uma certa neologia que possui o condão de desvirtuar a propriedade e o significado de algumas palavras. Esta neologia foi criada, também mas não só, para que a igualação imposta pelos princípios democráticos fosse possível. Rebaixa-se "os de cima" e sofisma-se a natural equidistância "dos de baixo".

Tudo é um jogo (perverso) político, para as conveniências e as circunstâncias próprias de cada época serem mais facilmente recriáveis. Este jogo é caracterizado na sua génese por uma série de "parciais", dependentes e grátulos dos caciques e galopins eleitorais. Tudo e todos na política ultra-democratizada têm "o rabo preso", o que significa muito naturalmente que todos são reféns de todos. 

O que quero dizer com isto resume-se a uma coisa muito simples: Os governos democráticos não são uma coisa respeitável e caminham, a prazo, para a auto-destruição.

Há um ditado antigo que diz: «os padres inventaram a religião, hão-de acabar com ela.» Ora, uma coisa muito parecida está  acontecer com os políticos. Inventaram a liberdade e a democracia e, por este caminho, hão-de acabar com elas.

Vivemos os mesmos problemas de há cem anos atrás, a mesma incerteza política e os mesmos receios e impotências perante a roubalheira generalizada. Um pouco antes de maio de 1926, um governo de Fernandes Costa ocupa as cadeiras do poder apenas por algumas horas, e o presidente do ministério, António Maria da Silva, confessava que «o País estava a saque». Não sei se os seus avós lhe contaram que o duque de Palmela, assentou poder apenas três dias, e que o ministro da fazenda à época, António José d´Ávila, um dia se deixou dizer a uns amigos: «Estou cercado de ladrões».

A democracia tornou-se contra-natura, cheia de dirigismos económicos e com os povos entregues a uma planificação total ou gradual. Da democracia passou-se a uma socialização, que não evitou abalos sociais, e agora tende a virar para o existencialismo. Foi por isso que Molotov, antigo ministro soviético em Berlim, disse uma frase lapidar: «Quer queiram quer não, todos os caminhos vão dar ao comunismo».

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