sexta-feira, 27 de junho de 2014

A moeda Euro e a construção do 4º Reich

A moeda única europeia foi uma construção política baseada em falácias repetitivas. O 1º projecto da moeda única começa a desenhar-se em 1992, chamando-se numa primeira fase "União Económica Monetária" (UEM). Desde logo, a UEM deparou-se com uma série de impossibilidades técnicas, como por exemplo, a impossibilidade de definir, no mesmo instante, políticas monetárias autónomas e taxas de juro cambiais fixas e ainda a impossibilidade de adopção de mecanismos que permitissem a livre circulação de capitais nos diversos países aderentes (Crise, Estado e Segurança - Edições MG, pág.72).

A resposta possível e imediatamente viável, face à ausência de preocupações económicas na construção da UEM, foi criar uma comissão supranacional que ficava com a responsabilidade de estudar o problema para que a UEM fosse uma realidade (Idem, pág. 72).

Os requisitos económicos foram ignorados neste projecto da UEM e os diagnósticos errados que se seguiram, evidenciaram uma inadequada estratégia de combate à crise que se sucede após a implementação do Euro. O crescimento económico dos países mais frágeis foi comprometido por longos anos.
O enquadramento económico-monetário da UEM não teve em conta características e tendências dominantes, naturalmente muito diferentes, entre o sul e o norte da Europa.

«Especificamente, a arquitectura e desenvolvimento do processo de integração monetária na Europa tem contribuído, na nossa perspectiva, para o agravamento das dificuldades que assolam a zona euro no seu conjunto, e os membros mais frágeis, em particular» (Idem, pág.73).


Quando a UEM foi criada em 1992, foi-o na expectativa de que as economias dos países integrantes do projecto entrariam com o tempo em convergência, mesmo tendo em conta as diferenças entre os países. No entanto, a convergência esperada nunca aconteceu, se houve alguma coisa foi unicamente divergência em grau cada vez maior. Daqui decorreu a impossibilidade de se definir uma política económica comum europeia séria e com custos razoáveis. Foi assim definido, como última tentativa, que os países devem alinhar as suas tendências de despesas públicas, de competitividade, de inflação, etc. 

Foi-nos passada a ideia falaciosa que a crise do euro se deve aos Estados do sul da Europa com os seus comportamentos despesistas seja no sector público ou privado. O que não corresponde totalmente à realidade, pois tendo em conta o desequilíbrio fundamental do próprio Euro, que aplica uma única política monetária e uma única taxa de câmbio a países e regiões com prioridades e necessidades muito diversas, e que nunca teve em consideração as premissas económicas e as recomendações e advertências de muitos analistas. É uma evidência, com 12 anos de Euro, o projecto em si, está longe de corresponder às expectativas de 1992 quando o projecto foi iniciado.

«A Alemanha tem (Maio 2014) o maior Superavit comercial do mundo, mesmo à frente da China, sendo que parte desse Superavit é a contrapartida dos défices da Europa mediterrânica» (Idem, Pág. 79).


«A Alemanha agregou, também, por via da combinação dos excedentes de capital, que os respectivos bancos rapidamente se prontificaram a emprestar aos vizinhos do sul, a taxas de juro historicamente baixas, ignorando qualquer tipo de risco. Utilizando uma moeda subvalorizada, a Alemanha está a actuar como a China da Europa, sem estar, no entanto, sujeita às críticas que têm marcado o gigante asiático» (Idem, Pág. 80).