segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eleições Europeias - Portugal e a Europa

Começando pelo nosso país, diga-se que os resultados em si não surpreendem de todo, exceptuando o caso do MPT. Como sempre acontece a massa amorfa de votantes vai recompensando os que causam os maiores distúrbios. O povo tem memória curta, cada vez mais curta, e o cenário para as próximas legislativas está já traçado! Digno de nota o resultado da CDU e de nota igualmente o progressivo "afundamento" do BE. Estes estão a pagar pelas ingerências biológicas e sociais.
Quanto ao MPT eu não sei se foi o efeito "mediático" do Marinho Pinto que levou a esse resultado, é provável que sim, mas de qualquer modo pode ser um bom sinal. A política portuguesa precisa de partidos de fora do arco do governo, do clube dos cinco se preferirem. É preciso "partir o sistema", provocar um rombo nos interesses partidocráticos instalados na camarilha que relampeia pelos corredores e assentos do parlamento.

Na Europa os resultados eleitorais ao contrário de Portugal, mostram grandes "cartões vermelhos aos governos", sobretudo aos socialistas, a dita extrema-direita ganha relevo, fruto como bem sabemos não do racismo e da xenofobia, mas sim da revolta dos naturais perante o desrespeito pelo que é seu de direito e por uma política de emigração totalmente descontrolada e com os recursos para a sobrevivência dos povos  a começarem a atingir o limite. Quer se queira quer não, são estes, no momento, os únicos partidos que "falam ao coração dos povos", que apresentam soluções (se viáveis ou não, isso é outro assunto) que vão de encontro aos desejos de muitas pessoas. Que ninguém se admire de ver a dita extrema-direita crescer ainda mais nos próximos anos. 

Isto é de certa forma consequência da falência do socialismo, que se revela ao fim de quase dois séculos de existência uma falácia em permanente estado de Ad Novitatem. Quanto à sua forma abastardada, a social-democracia, diga-se que a mesma perdida nos labirintos de uma direita que não o é e em permanente rebelião consigo mesma por ser considerada de direita, a mesma tem tido, pelo menos em Portugal e desde o 25 de abril, um papel quase sempre subalterno, situação que impediu que a social-democracia portuguesa atingisse outros níveis. Todos os governos da social-democracia tiveram de reparar os erros das gestões socialistas anteriores. Mas parece que esta tónica não é só portuguesa, em boa parte dos países da actual União Europeia todos os governos de social-democracia estiveram sempre condicionados pelos erros dos socialistas. 

Não faço aqui, de forma nenhuma, a apologia da social-democracia em detrimento do socialismo, porque ambos são socialismos e não servem. O que quero deixar claro é que nunca vimos qualquer governo socialista condicionado por erros da social-democracia, foi sempre ao contrário, e isto tem evidentemente um preço que uma grande parte dos votantes não tem em conta ou então manifestam uma grande falta de bom senso e análise minimamente cuidada dos factos.