terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tiros sobre tiros de canhão - A falácia partidocrática

Para além de óptimo espectáculo mediático este mais recente episódio político é terreno fértil para desviar as atenções, quer sejam simples tensões de facto ou sejam apenas e só intenções. O "anedotório" em volta do caso não para de evoluir.
Mas ainda se acredita no homem, há quem o defenda e o considere incapaz de tais coisas de que o acusam. Tomara esses saberem sequer metade do que por aí vai. Mas eles insistem, insinuando que somos todos burros e tolinhos e até talvez cegos...

Esta notícia deixa obviamente muita gente contente, sabemos as razões e não é preciso dizer mais nada, mas o descalabro continua. Vistos gold, subvenções vitalícias, uma subvenção de tão mau gosto que fere qualquer sensibilidade que seja verdadeiramente democrática. 

A falácia partidocrática parte do princípio de considerar qualquer político num "patamar acima da lei comum", conferindo-lhe um estatuto de imunidade nefasto aos interesses da verdadeira democracia. A "Lei da Rolha" é piramidal, e quanto mais próximo se está do vértice, maior a pressão sobre a "rolha"; a corrupção funda-se num terrível pacto de silêncio dominador das ambiências. Este princípio legitima uma partidocracia difusa, que ataca e contra-ataca quando lhe interessa, e provocando uma alternância política  da qual não é possível escapar tendo em conta o panorama desolador de uma sociedade como a nossa actual. 
Mas esta falácia vai ainda mais longe, a tentativa de impor uma imunidade política a coberto de certas pretensões pseudo-democráticas, legitima uma outra acção; a existência de leis igualmente difusas que estabelecem em definitivo a possibilidade concreta da partidocracia. 
Podíamos aqui recordar uma série de julgamentos mediáticos, onde a isenção e idoneidade dos juízes era constantemente posta em causa pelos advogados ou então só passadas 10 ou 20 sessões chegavam às brilhantes conclusões que a sala era muito pequena e teriam de transferir o julgamento para outro tribunal. Depois do julgamento recomeçar noutro tribunal, e passadas novamente umas 10 ou 20 sessões, afinal o tribunal era grande demais e tinham de regressar  ao primeiro tribunal ou arranjar outro. Mas como se pode julgar actos criminosos altamente acobertalhados pela grande cúpula do poder?
Um carnaval sem fim para quase sempre dar em pouco, alguma pólvora, quase toda seca, e puuuuuffffffffffff, arrebentou o balão..



1 comentário:

  1. A 'coisa' não pode ser vista como «trigo limpo, farinha Amparo»... isto é, ou seja, no meio de políticos não-corruptos poderão sempre existir políticos corruptos - e vice-versa -,... consequentemente, como é óbvio, é MUITO MUITO importante que os políticos não-corruptos se sintam apoiados pelos contribuintes... e, como é óbvio, o Direito ao veto do contribuinte... será uma forma de os contribuintes apoiarem os políticos não-corruptos.
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    -» Votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a 'coisa' terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
    ---> Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
    [ver blog 'fim-da-cidadania-infantil']
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    P.S.
    Uma opinião um tanto ou quanto semelhante à minha:
    Banalidades - jornal Correio da Manhã:
    - o presidente da TAP disse: "caímos numa situação que é o acompanhar do dia a dia da operação e reportar qualquer coisinha que aconteça".
    - comentário do Banalidades: "é pena que, por exemplo, não tenha acontecido o mesmo no BES".
    .
    P.S.2.
    Não sou nem vou ser político.

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