sexta-feira, 4 de julho de 2014

As raízes do absolutismo - Humanismo e Protestantismo

As raízes do absolutismo devem ser procuradas na dupla revolução, intelectual e religiosa, que provocou fortes abalos na cristandade medieval entre os séculos XV e XVI. 
Maquiavel e Lutero, são os principais símbolos desta dupla revolução. É curioso, ou talvez não, o paralelismo e a confluência entre a separação da igreja e do estado, realizada pelo protestantismo e teorizada pelo humanismo. 
O Humanismo emancipou a esfera política da sua fonte metafísica e moral, da qual a igreja católica era depositária e guardiã. O Protestantismo negando radicalmente a autoridade da igreja, separou em definitivo, esta do poder político. Por outro lado, o Humanismo distingue o poder político e o poder temporal, criando duas felicidades; uma sobrenatural, reservada à igreja e outra natural e mundana, que deveria ser assegurada pelo príncipe.
O separatismo protestante encontra expressão na visão política das seitas religiosas dos séculos XVI e XVII, como por exemplo os Anabaptistas. Daqui decorre o factor de continuidade entre o Protestantismo e o nascente Iluminismo do século XVII, que ganharia maior expressão no século seguinte.
Uma vez suprimida a presença da igreja na ordem temporal, o vazio será preenchido pelo Estado na perspectiva do absolutismo luterano, e pelo indivíduo, na perspectiva calvinista. A autonomia da política e da moral inaugurada pelo Humanismo, preparou em muitos Estados europeus a definitiva separação entre o poder secular e a autoridade da igreja católica.
A visão radicalmente pessimista da natureza humana, comum a Maquiavel e a Lutero, torna impossível governar em nome da filosofia do evangelho. Desta antropologia pessimista decorre a necessidade de conceder ao príncipe uma autoridade férrea, destinada a fundar o absolutismo na esfera política.

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