terça-feira, 27 de maio de 2014

O "Papão da direita" ao serviço da desinformação

O pré-anunciado discurso de vitória do PS esvaziou-se à medida que os resultados definitivos iam sendo conhecidos. Pouco mais de 3%, cerca de 100000 votos a mais, em relação aos sociais-democratas. Se isto é uma grande vitória!? Para quem vive do eterno "papão direitista" que não existe na realidade, não pode aspirar a muito mais e poderá ser uma questão de tempo o "ajuste de contas entre o povo e os socialismos".

Não podemos de todo desconsiderar esta jogada do ás de "trunfo" António Costa, precisamente como tentativa de mudança radical na "estética e na ética do discurso". Aproximam-se as legislativas e como sabemos em Partidocracia vale tudo, inclusive os partidocráticos decidirem que lugares serão ocupados e por quem. Os outros mais à esquerda do PS e começando pelo velhinho PCP ou CDU, diga-se que o mesmo mantém-se "em plena posse das suas faculdades", com uma linha dura actuante na sombra e uma linha renovada a dar a cara. Não partilho do ideário comunista , mas claro que dentro das suas limitações doutrinárias, o mesmo mantém-se dentro de uma lógica "nacionalista" da qual consegue retirar dividendos.
O outro partido, BE, irá desaparecer tal como apareceu, aos fogachos, o que está já a acontecer. Da aridez ideológica ao deserto de ideias e propostas válidas, passando pela incúria psicológica e pelo panteísmo biológico, demonstra bem que tipo de partido é este. Um partido de causas sem sentido, de políticas desconexas relativamente aos dados sensíveis que a experiência diária nos demonstra. 

O "Papão da direita" serve todos os propósitos e todos os fins mais ou menos anunciados, e sempre de uma eleição, quando os partidos ditos de direita têm resultados menos bons, lá cantam eles: «vitória, a direita foi derrotada!» 
Logo depois do grande orgasmo, que foi a derrota do "Papão da direita", vem a desilusão e um sempre crescente sentimento de impotência, perante a cada vez mais longínqua «certeza do futuro».

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eleições Europeias - Portugal e a Europa

Começando pelo nosso país, diga-se que os resultados em si não surpreendem de todo, exceptuando o caso do MPT. Como sempre acontece a massa amorfa de votantes vai recompensando os que causam os maiores distúrbios. O povo tem memória curta, cada vez mais curta, e o cenário para as próximas legislativas está já traçado! Digno de nota o resultado da CDU e de nota igualmente o progressivo "afundamento" do BE. Estes estão a pagar pelas ingerências biológicas e sociais.
Quanto ao MPT eu não sei se foi o efeito "mediático" do Marinho Pinto que levou a esse resultado, é provável que sim, mas de qualquer modo pode ser um bom sinal. A política portuguesa precisa de partidos de fora do arco do governo, do clube dos cinco se preferirem. É preciso "partir o sistema", provocar um rombo nos interesses partidocráticos instalados na camarilha que relampeia pelos corredores e assentos do parlamento.

Na Europa os resultados eleitorais ao contrário de Portugal, mostram grandes "cartões vermelhos aos governos", sobretudo aos socialistas, a dita extrema-direita ganha relevo, fruto como bem sabemos não do racismo e da xenofobia, mas sim da revolta dos naturais perante o desrespeito pelo que é seu de direito e por uma política de emigração totalmente descontrolada e com os recursos para a sobrevivência dos povos  a começarem a atingir o limite. Quer se queira quer não, são estes, no momento, os únicos partidos que "falam ao coração dos povos", que apresentam soluções (se viáveis ou não, isso é outro assunto) que vão de encontro aos desejos de muitas pessoas. Que ninguém se admire de ver a dita extrema-direita crescer ainda mais nos próximos anos. 

Isto é de certa forma consequência da falência do socialismo, que se revela ao fim de quase dois séculos de existência uma falácia em permanente estado de Ad Novitatem. Quanto à sua forma abastardada, a social-democracia, diga-se que a mesma perdida nos labirintos de uma direita que não o é e em permanente rebelião consigo mesma por ser considerada de direita, a mesma tem tido, pelo menos em Portugal e desde o 25 de abril, um papel quase sempre subalterno, situação que impediu que a social-democracia portuguesa atingisse outros níveis. Todos os governos da social-democracia tiveram de reparar os erros das gestões socialistas anteriores. Mas parece que esta tónica não é só portuguesa, em boa parte dos países da actual União Europeia todos os governos de social-democracia estiveram sempre condicionados pelos erros dos socialistas. 

Não faço aqui, de forma nenhuma, a apologia da social-democracia em detrimento do socialismo, porque ambos são socialismos e não servem. O que quero deixar claro é que nunca vimos qualquer governo socialista condicionado por erros da social-democracia, foi sempre ao contrário, e isto tem evidentemente um preço que uma grande parte dos votantes não tem em conta ou então manifestam uma grande falta de bom senso e análise minimamente cuidada dos factos.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A inevitabilidade socialista - as pragas são eternas

O socialismo enquanto "termo moderno" só se pode começar a aplicar a partir de 1789 ou até 1830 se formos mais rigorosos. Antes dessa época não existia propriamente um socialismo deterministicamente compreendido. Existia apenas a sua matriz ideológica que vem de longe. Alguns autores querem situar o aparecimento dessa matriz com os patriarcas bíblicos (o que não é bem verdade), outros estão convencidos que tudo começou na Grécia antiga com os filósofos gregos e outros pretendem ainda que só em meados da Idade Média (Okcham, Pádua, More e Bacon, sobretudo estes) começou o nascimento da matriz socialista.
Penso que devemos ver a matriz mais atrás no tempo, matriz essa que se manteve e que foi sofrendo distorções e erosões diversas ao longo dos séculos.

Um autor português muito insuspeito costumava dizer que «o socialismo é uma diacronia voltada para um futuro de contornos indecisos e imprevisíveis
Não é difícil ver porquê, e nem sequer é de estranhar porque a verdadeira diacronia tem a ver directamente com a etimologia do termo. O ideal socialista é um ideal impossível, a história prova-o a cada momento. 

Atentando um pouco ao significado de socialismo definido pela ciência política (que não sei de todo se será efectivamente Ciência, na verdadeira acepção da palavra), sabe-se que na sua vertente político-financeira defende a direcção e o domínio do Estado sobre os meios de produção e de consumo. Na verdade, em décadas de socialismo, o que vemos é uma actuação disforme, o Estado socialista tem-se "entretido" a destruir os meios de produção onerando-os com impostos e taxas e, ao mesmo tempo, distribui benesses nos sectores monopolistas.
Na vertente político-filosófica defende o predomínio da sociedade sobre o indivíduo, o que não deixa de ser curioso porque a filosofia socialista de hoje pratica a contínua exaltação do indivíduo em detrimento da sociedade. Por último, o socialismo defende a redistribuição da riqueza e o fim do capital. O socialismo quer que todos tenhamos os mesmos rendimentos, os mesmos hábitos, as mesmas taras, manias, clichés, estereótipos, etc. A igualdade pura e dura. A «certeza desse futuro» socialista criou uma utopia cuja malignidade não pára de se fazer sentir.

Definindo agora o socialismo em condições temporais mais recentes, de há 40 anos para cá, podemos dizer que o socialismo tem sido o "grande aliado" da finança internacional (os que mandam no mundo). Os socialistas passaram a vida a destruir o chamado Estado Social através da manutenção de "uma série de parasitas" e de instauração de uma cultura de "não trabalho", e agora berram pela destruição desse mesmo Estado Social. A isto é que se chama "atira areia para os olhos", os partidos socialistas não têm moral nem o mínimo de decência para reclamarem do que quer que seja, foram eles os principais responsáveis pela destruição do Estado Social, pela destruição do sistema educativo, pela destruição da justiça, pelo alto nível de endividamento do país. Não acreditam?? Então investiguem, deixo aqui dois momentos charneira, meados da década 1980 com um governo socialista primeiro grande rombo económico e 2005 em diante com novo governo socialista, o segundo e definitivo rombo económico do país.

A bipolarização governativa portuguesa tem uma explicação muito simples. Ambos os partidos que têm alternado no governo são maus, mas um é ainda pior que o outro. O que se tem passado em 40 anos de democracia é o seguinte: O PS está no governo e começa a destruição, a seguir vem o PSD para consertar as asneiras anteriores, mas como o faz sempre da pior forma, de seguida lá vem o prémio para aqueles que só fazem merda - a eleição do PS, para voltar a escacar o que os anteriores do PSD conseguiram amealhar. Tem sido assim desde há 40 anos. Só não vê quem não quer.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Democracia sem democratas - A gamela eleitoral

Decorre neste momento a campanha eleitoral para as próximas eleições europeias. O que se conclui do se ouve e vê por aí?
Conclui-se que, para não variar, a democracia e os seus representantes não estão preocupados com a democracia mas antes estão preocupados com as "gamelas" e com completar o máximo possível de lugares entre os seus "rapa-gamelas".

As acusações entre os diversos candidatos são patéticas, roçam a boçalidade mais primária, são mais do mesmo no pântano democrático em que se transformou a política portuguesa. A irresponsabilidade dos candidatos é assustadora sem que ninguém possa disciplinar e moralizar o debate político. O desprezo por esta gente é brutal, só os mesmos e os seus aparelhos partidários, que se estão cagando para os eleitores e para a democracia, pensam que não e que o povo continua a ligar alguma coisa ao que dizem e fazem.

Já se sabe que a abstenção vai ser altíssima, na ordem dos 70%, eu até acho que no momento actual ela deveria chegar aos 100%. No entanto, isso será impossível os aparelhos partidários e as clientelas assegurarão sempre os votos necessários. Assim sendo, o que fazer? Evidentemente votar, mas não em partidos que tenham representação parlamentar. A democracia parlamentar portuguesa continua a ser um partido único com cinco secções diferentes. Claro que alguns partidos fora do arco eleitoral não servem, mas outros poderão servir e é nesses que é preciso votar, em massa!

A União Europa e a democracia parlamentar portuguesa precisam de uma lição, e nada melhor do que aproveitar estas eleições para essa lição lhes ser aplicada. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Democracia sem democratas - A campanha eleitoral dos zarolhos

A retórica entabulada e articulada pelos "espadachins" da política e do belo verbo é certamente baseada numa visão de zarolhos. Todos eles se deparam com graves problemas de foro óptico. Os seus discursos e dialécticas estão totalmente desfasados da realidade. Para além disso, todos possuem memória muito curta, sobretudo o partido xuxialista e seus "muchachos valientes". Já nem sequer falo dos graves problemas cognitivos e de sensibilidade ordenativa cerebral dos caixotes do lixo ideológico extremo-esquerdista...

É verdade que os portugueses sempre "se puseram a jeito" para serem "devorados" pela alienação crescente emanada da mentira democrática em que vivemos. Veja-se por exemplo, o caso de ex-políticos e ex-ministros e ex-presidentes de república que não possuem nenhuma moral para pronunciar uma palavra que seja, tomarem parte nas propagandas debitando as suas costumeiras baboseiras para deleite dos que não pensam. Como em Portugal grassa uma escandalosa iliteracia funcional, qualquer burro doutor é elevado aos píncaros do Olimpo dos democratas portugueses, inclusive os maiores traidores da pátria.

Uma civilização alienada física, psíquica e economicamente pela tecnologia de massas e pela visão finística da história, perde uma das principais componentes do livre-arbítrio humano; a capacidade de pensar. De pensar exteriormente a tudo e todos. Sem essa capacidade o livre-arbítrio é como se não o fosse, como se não existisse. É um "totalitarismo mental" imposto à revelia dos impositáveis. Este facto basta-se por si só para provar que não vivemos em democracia e em liberdade. 

A incapacidade de pensar gera paradoxos uns atrás dos outros, tal como aquele em que se faz de conta que se vive em democracia pensando-se pela cabeça dos outros (que não são uns outros quaisqueres). Vive-se pensando que se vive em democracia engordando o monstro partidocrático. É em partidocracia que vivemos, mas haja bom senso e coragem para assumir isto... 


Uma Democracia sem democratas só pode existir com zarolhos no poder (poder visível ao povo) e uma massa informe de votantes e lipofrénicos muito sensíveis, que acreditam firmemente que vivem em democracia e em liberdade! Todo aquele que pensa e chega à conclusão lógica que tudo é falso, é imediatamente catalogado com o estropitoso epíteto de antidemocrata... perdoai-lhes senhor, pois não sabem o que dizem!