terça-feira, 25 de março de 2014

Qualidade e quantidade segundo a Bioética

«Segundo Cournot, não convém considerar qualidade e quantidade como dois atributos gerais da mesma ordem. A relação destas duas ideias é a da espécie relativamente ao género: a quantidade é uma espécie singular de qualidade. A qualidade ou conteúdo qualitativo é geralmente susceptível de mais ou menos e, por consequência, comporta a aplicação do número. (...) Celestino Pires refere que o termo qualitas foi introduzido por Cícero como equivalente ao termo grego poiótês, que aparece pela primeira vez em Platão como termo filosófico. "É aquilo pelo qual as coisas se dizem tais". A qualidade determina o que uma coisa é na ordem essencial ou na ordem acidental. Pela qualidade as coisas diferenciam-se umas das outras e constitui-se um mundo diverso na sua unidade. Seguidamente, diz que sob o ponto de vista da lógica aristotélica-escolástica, os juízos dividem-se, segundo a qualidade, em afirmativos ou negativos. A afirmação ou a negação indicam a qualidade do juízo. O problema da qualidade não é principalmente lógico, mas ontológico e gnosiológico. Na perspectiva ontológica, qualidade é a diferença pela qual uma substância se distingue essencialmente da outra; isto é, a diferença qualitativa distingue, neste caso, as substâncias ou essências entre si. A qualidade é uma das categorias fundamentais e não se pode reduzir à quantidade, pois a diversidade do mundo não se explica só quantitativamente, apesar de se implicarem mutuamente nos entes materiais. (...)
A qualidade é um valor, não um facto. 

Continua. Extraído do livro Contributos para uma outra qualidade de vida no âmbito da Bioética Teológica - João Bezerra - págs. 25 e 26.

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