quarta-feira, 26 de março de 2014

Qualidade e consciência

«O re-encontro, ou a descoberta do sentido, isto é, do para quê e do porquê de tudo, é que dá sentido ao nascer, ao viver e ao morrer; é que dá sentido ao trabalho, às alegrias, ao sofrimento, à vida e à morte. (...) Qualidade, portanto, é atributo da consciência. Esta aponta para a qualidade, para a selecção dos máximos. A felicidade encontra aqui um dos seus pilares, a partir dos valores espirituais ou especificamente humanos. Diego Gracia refere, a propósito, que "a teoria axiológica permite pensar o conceito de qualidade de vida de outra forma. Quando diferentes valores entram em conflito entre si, pode-se optar pela realização dos valores espirituais ou especificamente humanos à custa dos inferiores ou puramente vitais, ou se pode optar pelo contrário. No primeiro caso, considera-se mais importante a qualidade de vida, no segundo caso, a quantidade de vida. Todo o conflito de valores é, de facto, uma tragédia que se resolve ou a favor da qualidade de vida ou a favor da quantidade de vida".
Isto que se regista em último lugar, realiza-se paradigmaticamente, segundo Max Scheler, no génio, no herói e no Santo. Apesar da vida ser um valor muito estimado e apreciado, na quase totalidade das culturas, analisando-se detalhadamente o conteúdo dessa estimação, vem ao de cima o facto da vida ser um valor "paradóxico" e "conflitivo".»



Os negritos são meus. Extraído do livro Contributos para uma outra Qualidade de Vida no âmbito da Bioética Teológica - João Bezerra - pág.29.

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