segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O sentido de Estado

 Entre ruínas e queimadas, entre juízos e aleijões
é buscada a certidão, que dá acesso aos romeirões
de punho macio e bigode enganado
a lata pendente e o saiote engasgado
ninguém tem fome, mas todos são comilões..




O Estado de Direito em Portugal


Encantados e encantamentos, feitiços e postumentos
léria boa e boa fibra, puxam mais do que uma carroça
desencantados os turbulentos, assim se alimentam os jumentos.

Frangos e perdizes, maroa e pengote
espargo de pedra com salsicha mentirosa
farrapos de língua e excremento político
estático e mudo, pensa, não há saída airosa...

Gigantes de pedra abençoai os nossos caminhos
ensinai os mortais a viver o seu ser
ao de leve soprai, para que sejais bem vindos.





Os videntes democráticos


Iggorann, Iggorann, Iggorann
gritavam os pardos e os sampeiros
grande "mouche de savants"
nenhum cesto faz um cesteiro
antes meliante do que carteiro

Não te preza a doçura
nem a seiva delirante
come, come, a erva prazenteira
ralha o gato, a rã e o vitelo
tudo à bulha, perfume rastejante



Luz ao fundo do túnel - a mais de 40000 milhões de anos luz de distância de Portugal
(ampliação feita pelo telescópio VD-Dofe O Vopo)


Circo de S. Bento e unidos da paródia
retalheiros de morgado e faúlhas de inverno
os roubos são maquinados, lá na casa torta

De cruz em cruz, se faz o nosso calvário
de promessa em promessa, se acercam as nossas certezas
banha da cobra e lustres de fumário
escuta Toninha, as mentiras e as proezas
o túnel agiganta-se, tal como as nossas baixezas.







A visão ultrademocrática




Paisagens de pedra e de cor
sentido oblíquo e improfuso
de onde ali, barbearia do pudor
cada vez estou mais sozinho e confuso

Se vejo o que não vejo
só posso pensar; bárbaros me partam
o sentinela é o freio, e o feio já é bonito
da adega ao ramal, já não desafinam nem cantam