terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Carta aberta aos sócretinos

Camaradas e partidários da mansarda socialista: Nós nunca fizemos mal a ninguém, nunca em momento algum prejudicamos o país e os portugueses. Os crimes de que nos acusam são de uma maldade infindável e mesquinha, não cometemos crime de espécie alguma, somos inocentes de todas as suspeições que sobre nós foram torpemente lançadas..

Enquanto esta carta é escrita uma leva de lágrimas escorriam, umas pela omoplata esquerda outras pelo canto direito do bigode, por fazer há cerca de 15 dias..

Vejam bem que até o meu padrinho político, mais conhecido em certos círculos portugueses em França pelo "Remantelas de Paris", vem a público afirmar a minha inocência - fazendo dos portugueses burros e zarolhos - que era uma gravíssima afronta aos direitos mais elementares da democracia e os culpados estavam ali bem à vista, e por sua vez, outros manobravam ocultos, os bandidos, que o meu padrinho nunca o foi (sic),  os cordelinhos da infâmia e da vingança.. que tristeza sinto camaradas, eu que dei tudo o que podia e não podia ao país, sou agora tratado como um vil criminoso. 

Com a carta quase pronta já não eram lágrimas que corriam mas sim, espuma, espuma de raiva misturada com perdigotos dentais e anorexia mental.

Mas eu tenho fé no meu padrinho, o exemplo número 1 da nação, o grande democrata, por excelência o senhor Doutor, ele vai livrar-me desta. Ele e todos vós camaradas, com as vossas suspeições sobre o juíz e do que sou acusado. Tereis a todo o momento a iniciativa de pôr em causa a imparcialidade e capacidade do juíz, assim como toda a matéria que possam reunir sobre o caso. O meu padrinho ensina como é, reparai bem no que ele disser e fizer. Camaradas xuxialistas, perdão, socialistas um grande abraço e até sempre, e como dizia o meu amiguito Chávez : "La revolución és lo camino más puro ante la visión de la barbárie... 

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Notas soltas sobre futebol - adeptos Vs. realidade

Este post é dedicado a todos os verdadeiros adeptos de futebol, aqueles que independentemente das suas preferências clubísticas, sabem o que é o futebol jogando-o de uma forma ou outra intuíndo na perfeição que futebol é estratégia em movimento e não movimento em estratégia como hoje acontece no futebol ultraprofissionalizado que existe.

Isto acontece porque a parte financeira é muito tentadora. Um clube que seja campeão europeu pode auferir, dependendo dos clubes, receitas que podem ir dos 35 milhões de euros a mais de 60 milhões de euros. Perante este panorama ditatorial do dinheiro, os grandes clubes fazem tudo para ganhar, as competições são desvirtuadas, a "concorrência é desleal".
Sob a mão de supostos génios, que mais não fizeram do que "cartelizar o futebol", vemos competições com demasiado desequilíbrio. Para isso, façam-se ligas de 8 clubes, no máximo.
Mas para além disto, existe hoje outro problema no futebol; os clubes, sobretudo os maiores mas não só, tornaram-se nos novos "bancos suiços", as novas lavandarias mundiais de dinheiro. Tal como acontece nos EUA, com o basebol e o basquete.
É ver uma série de clubes ingleses, escoceses, e em menor número belgas e holandeses na mão de magnatas russos e lituanos. É porque gostam muito de futebol e são adeptos desses clubes desde pequeninos...

Tal como em Espanha agora com o Valência e o Málaga, comprados por indivíduos que não conseguem arranjar bancos para lhes lavar a massa, e assim sendo recorrem ao esquema legal da corrupta UEFA para lavar a massa.

E a corrupta UEFA, sem esquecer a corrupta mor FIFA, enche-se de milhões e milhões para distribuir e redistribuir por empresários, intermediários, esgaçonários e torcionários de toda a espécie que nada percebem de futebol.

Basta atentar na actual edição da liga dos campeões, o futebol é sofrível e na suposta elite europeia só lá caberiam, neste momento, 5 ou 6 clubes. Quero eu dizer com isto que, mais uma vez o desequilíbrio é exagerado e não contribui para a evolução do futebol nem tão pouco para que possamos assistir a bons espectáculos de futebol. Muito pelo contrário, e quem disser o contrário.. que me desculpe mas, não compreende nem percebe de futebol. 
Mas milhões gastaram-se no defeso, sobretudo em Inglaterra o que não deixa de ser paradoxal, pois quanto mais dinheiro gastam os clubes menos jogam, isto de uma forma geral, evidentemente que há excepções. E isso vê-se perfeitamente com alguns clubes ingleses; o caso do Liverpool que na época passada nao foi campeão com algum azar (não conseguindo acabar com 24 anos de jejum) e esta época, depois de gastar mais de 100 milhões de euros em jogadores joga um futebol patético andando perdido no meio da tabela a 18 pontos do líder Chelsea e eliminado da liga dos campeões pelo Basileia, gerido por falsários que nada sabem de futebol.
E sou insuspeito para falar aqui no Liverpool, no estrangeiro é o meu clube preferido desde que me lembro de ver futebol. Nos anos 80 eram a melhor equipa do mundo, e mesmo depois de Heysel continuaram a ser a melhor até 1990, ano do último título inglês e do final de carreira da maior parte dessa geração fantástica de jogadores.


O Kop não marecia isto. Oh Steven! You don´t deserve this.
O Kop

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Treinadores de futebol e patetismo

Depois de ouvir e voltar a ouvir as declarações dos dois treinadores no final do Porto- Benfica de ontem, só posso dizer: que declarações patéticas!

Aquilo é asneiras atrás de asneiras, um orgasmo de boçalidades de indivíduos que não têm respeito nem por eles próprios, nem pelos adeptos (os verdadeiros adeptos, que os há, e não os fanáticos alumbrados), nem por ninguém. Esta gente trata o futebol como se fosse uma coutada deles e só deles, pensando que mais ninguém percebe do assunto. Que tristeza, que bananismo, os resultados nas competições europeias estão bem à vista...

O futebol e a estupidez caminham a par

Não é usual neste espaço fazem-se comentários sobre futebol, mas hoje e perante o que vi ontem, sou obrigado a abrir uma excepção. Falando do Porto - Benfica de ontem à noite, diga-se que foi um fraco espectáculo de futebol. O Benfica ganhou bem, aproveitou as oportunidades que teve, mas a maior burrice veio dos treinadores no final do jogo. Só com um povo de atrasados mentais como o nosso são possíveis tais declarações, sempre com as babugices do costume da parte de um indivíduo que tem a mania que é o maior. Esquece-se ele, muito convenientemente, que para aquilo que os jogadores ganham deviam jogar o triplo e correr o quádruplo do que fazem.

Acho piada, na mesma ordem de ideias, a todos os benfiquistas que afirmavam sobre o Lima as maiores barbaridades, ontem era o maior. Da bestialização à glorificação vai um pequeníssimo passo...

É assim o universo da estupidez humana, onde o absurdo e a incoerência tomam conta dos espíritos voláteis. Adeptos de um clube de futebol???? Ahahahahahahah, deixem-me rir, um bando de fanáticos e de gente que não respeita nem conhece os valores do desporto em geral.


Como dizia aqui há uns anos um certo jornalista muito conhecido da praça, portista, mas insuspeito, «Em Portugal não existe cultura desportiva; primeiro gosta-se de um clube de futebol, depois de futebol e por fim de desporto, quando deveria ser ao contrário».

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Restauração da Independência de Portugal - ano 374 - continuação

«Emquanto os fidalgos corriam dos aposentos do secretario aos da vice-rainha, para onde já se haviam encaminhado D. Miguel d´Almeida e outros, emquanto o verdadeiro povo, soltando gritos d´enthusiasmo acompanhava D. João da Costa, D. Luiz d´Almada, D. Rodrigo e D. Antonio de Menezes que atravessaram o terreiro bradando «Liberdade», a canalha que mancha sempre todos os triumphos, que insulta todos os vencidos, que arrasta na lama hoje os que a opprimem, àmanhã os que a libertam, essa enxameava emtorno de Vasconcellos, arrancando-lhe a barba e os olhos, arrastando-o por sobre as pedras, e rindo torpemente das truanices infames com que um mouro, que fôra escravo da victima, sentado em cima do seu cadaver, escarnecia e vilipendiava quem o azorragára em vida, Teriboulet sem alma d´esse potentado criminoso e infeliz! 
(...)
Emquanto um troço dos fidalgos se dirigira oas aopsentos do secretario, ia outro aos da duqueza de Mantua. O conde Bayneto, estribeiro-mór da vice-rainha, morava no andar superior. Para o impedirem de descer, para isolarem completamente a duqueza dos seus conselheiros habituaes, foram alguns dos conjurados guardar a ante-camara dos quartos da princesa D. Margarida, emquanto D. Antão d´Almada occupava a sala de cima e a varanda. A duqueza já sentira os rumores da revolução, e, com mais intrepidez do que se poderia esperar d´uma senhora, a brira as janellas da sala das galés, e bradava ao povo, agglomerado: «Que é isto, Portuguezes? Onde está a vossa lealdade?» Neste momento invadiram-lhe a sala D. Miguel d´Almeida, Fernão Telles de Menezes, D. João da Costa e outros, e, sem se affastarem nem um instante das leis da cortezia, obrigaram-n´a a recolher-se. Conservando toda a sua serenidade, apezar de já saber da morte do secretario d´estado, fallou com altivez aos fidalgos, ordenando-lhes que se aquietassem, dizendo-lhes que percebia que os excessos de Vasconcellos tivessem irritado a nobreza, mas que amorte d´elle devia ter satisfeito a sua colera, que ella se obrigava a obter de Philippe IV o perdão para esse explosão illegal d´uma vingança aliás justa. Ouviram-n´a com respeito, mas, quando o arcebispo de Braga, que se viera juntar à duqueza, julgou que podia tambem com impunidade fazer a sua monitoria, mandaram-n´o calar asperamente, lembrando-lhe D. Miguel d´Almeida que lhe custára muito o livral-o de sorte igual à do secretario, mas que não abusasse da clemencia dos conjurados. Pallido de susto, D. Sebastião de Mattos retirou-se, e a duqueza, tomando como respeito pela sua autoridade era apenas deferencia pela sua qualidade de senhora, continuou a invocar o nome de Philippe IV. Responderam-lhe que  rei de Portugal era o duque de Bragança. Encolerisada, a duqueza correu à janella, querendo fallar ao povo; então D. Carlos de Noronha, mancebo impaciente e assomado, pôz termo a esta scena que ameaçava prolongar-se, dizendo-lhe que os não obrigasse a perderem-lhe o respeito. 
- A mim, como? perguntou a duqueza - Obrigando vossa alteza, se não quizer entrar por esta porta, a sair por aquella janella.
O dito era descortez, mas indispensável; tornava-se necessario que a duqueza não continuasse a alimentar vãs illusões, suppondo intacta a sua autoridade, quando apenas a respeitavam como uma senhora d´elevada gerarchia.
O effeito da resposta foi ainda mais prompto do que se devia imaginar. Caindo em si e deveras atemorisada, a duqueza de Mantua emmudeceu e retirou-se logo para o seu oratorio, guardando-lhe a porta D. Antão d´Almada com outros fidalgos. D´esse momento em diante a fraqueza feminil retomou os seus direitos, e a duqueza obedeceu em tudo aos conjurados. Estava consumada a revolução no paço; era necessario completal-a tambem nas ruas.
Encerrada até ahi no palacio e no Terreiro, não tivera ainda no resto da cidade echos bastante triumphaes para que se decidissem a acolhel-a os burguezes timidos e desconfiados. Era preciso tambem impedir que os hespanhoes, recobrando-se do assombro, se reunissem e pozessem em perigo a victoria dos nossos. Um grande troço de fidalgos atravessou o Terreiro do Paço soltando brados de triumpho, seguio-os o povo, e por toda a parte, por onde passavam, abraim-se as janellas onde até ahi assomavam apenas por traz dos vidros as cabeças curiosas, descerravam-se as portas, e saiam os moradores acclamando alegremente a liberdade portugueza e engrossando o cortejo, que, dividindo-se em bandos, corriam uns ás praças para onde affluia o povo, outros ao tribunal da suplicação, outros ao palacio do arcebispo, saudados das janellas pelas senhoras que derramavam lagrimas de jubiloso enthusiasmo.
D. Rodrigo da Cunha, apenas soubera que rebentára a revolução, convocâra todo o cabido e fôra ajoelhar na capella-mór da Sé, rogando a Deus pelo triumpho da causa da liberdade.De subito sente o rumor dos vivas, abrem-se as portas da cathedral e entram ondas de povo, a cuja frente vem alguns fidalgos trazer a noticia ao arcebispo. Logo elle se ergueu com os olhos arrazados de lagrimas, e, seguido pelos conegos e um grande numero de padres, sahiu para se dirigir processionalmente ao senado de Lisboa.
O tumulto do povo era já indescriptível, nas escadas da cathedral, o bellicoso padre Nicoláu da Maia, ainda exaltado pelo calor da sua luta com a guarda castelhana, tendon´uma das mãos o crucifixo e na outra a adaga, orava ao povo mais como tribuno militar do que como sacerdote: o seudiscuros era acolhido com enthusiasmo, não pôde porém continual-o, porque o referver da população, ebria de alegria, nas escadas da Sé era tal que nem elle podia ser ouvido, nem sequer manter-se firme no meio d´essa mó de gente.
Entretanto nos paços do senado já alguns fidalgos instavam com o presidente o conde de Cantanhede, para que adherisse à revolução, e elle hesitava ainda juntamente com os vereadores, que perdiam a cabeça com o tumulto popular, quando os filhos do conde , que entravam no número dos quarenta, o resolveram emfim. Logo D. Alvaro de Abranches empunhou a bandeira da cidade, desenrolou-a, e veio ao encontro da procissão, dirigida pelo arcebispo. «Milagre, ,milagre!» bradava o povo com inexcedivel enthusiasmo. (...) Desde esse momento pôde-se considerar como certa a victória da causa portugueza. Ainda que os hespanhoes tentassem tomar uma atitude offensiva, encontrariam a cidade toda, em pé e armada, para lhes repelir o ataque.»
Na casa da supplicação é que ninguém suspeitava o que se passára. Os desembargadores estavam reunidos, debaixo da presidência do regedor o bispo da Guarda D. Diniz de Mello e Castro. O chanceller e o guarda-mór eram o Dr. Lourenço Coelho e Jeronymo Pinheiro. Passava esse corpo de magistratura por affeiçoado ao dominio hespanhol e nenhum dos seus membros estava por conseguinte no segredo da conspiração. Sentiram elles o rumor da revolta, sem lhe perceberem a causa. Logo os informou Ayres de Saldanha, ordenando-lhes que aderissem ao movimento. Hesitaram, mas a torva figura do fidalgo, as suas maneiras asperas, lembrando-lhe que tudo tinham a temer, pois que effectivamente só a intercessão de D. Miguel d´Almeidae de D. João da Costa os havia salvo da morte a que os devotaram a maior parte dos fidalgos nos conciliabulos de Novembro, obrigaram-nos a acceder promptamente, lavrando um auto, que, para assim dizermos, legalisava a insurreição.» (...) 
A revolução estalou tão prompta e venceu tão repentina que os funccionarios entrados n´aquelle dia nas repartições para funccionarem em nome de Philippe IV, continuaram a despachar em nome de D. João IV.»


In História de Portugal - tomo III págs. 293 e 294 de F. Diniz

Restauração da Independência de Portugal - ano 374

Esta peça deveria ter sido escrita ontem, dia 1, mas propositadamente deixo-a para hoje como se de certa forma, servisse de alerta aos mais distraídos deste país. O 1º de Dezembro tem de ser comemorado, ensinado constantemente às pessoas, sobretudo aos mais jovens, que sabem muito pouco de história e, pior ainda, muito longe de compreenderem a importância de tal data, onde foram cometidos actos de grande bravura, em nome de Portugal e dos portugueses. Só aqueles que não têm respeito pela história e pelo país poderiam ter decidido acabar com o feriado da restauração da independência.



«Era Vice-Rainha a duqueza de Mantua, secretario d´estado Miguel de vasconcellos, presidente do desembargo do Paço o arcebispo de Braga, D. Sebastião de Mattos Noronha, presidente da mesa da consciencia e ordens o conde da Castanheira. Eram membros do conselho d´estado o arcebispo e o conde que citámos agora, e os condes de Santa-Cruz, Miranda, e Linhares, o marquez de Villa-Real, e D. Francisco de Mascarenhas.»
(...)

«Rompeu, sereno e límpido, o dia 1 de dezembro. Não tinha nuvens a aurora da liberdade portuguesa. Quem poderá adivinhar os pensamentos que salteiavam o espírito dos conjurados ao erguerem-se, n´essa fria madrugada d´inverno, para emprehenderem um tão incerto feito? Sabemos contudo que, se muitos se preparavam com sombria resignação para se irem immolar, victimas heroicas, no altar da liberdade da patria, outros havia que a grandesa da acção enthusiasmára de novo, e que cingiam a espada, cheios de temeraria confiança. Impeto febril, fria resolução, ou verdadeiro ardor, é certo que nenhum trepidou. mais alto do que todos os outros sentimentos fallava no coração o amor da patria opprimida, e o desejo de se resgatarem. Se a essa idéa do dever cedêra o proprio amor maternal!»
(...)

«Pouco antes das nove horas estavam reunidos no Terreiro do Paço todos os conjurados. A apparencia pacifica dos coches, que iam chegando ao terreiro, não assustava os soldados da guarda, costumados n´esses tempos mais madrugadores do que os nossos a Vêrem apparecer junto do palacio os cortezãos da duqueza. (...) Com a mao no fecho das portinholas esperavam os fidalgos impacientes o bater da hora solemne. Dão nove horas. Abrem-se a um tempo os coches, e os fidalgos descem, e emquanto Jorge de Mello, Estévão da Cunha, Antonio de Mello e Castro, o padre Nicoláu da Maia e outros esperam, ainda dentro das carruagens, que venha o signal do palacio para assaltarem a guarda castelhana, o grosso dos conjurados sobem rapidamente a sescadas, entram na sala dos archeiros tudescos, e, sem lhe darem tempo nem sequer a suspeitarem o que ia succeder, Affonso de Menezes, Gaspar de Brito Freire e Marco Antonio d´Azevedo, deitam ao chao os cabides das alabardas, outros desembainhando as espadas affugentam os archeiros attonitos e darmados. Alguns d´estes, ou pro não terem as alabardas nos cabides, ou por serem mais resolutos, cumpriram o seu dever com certa bravura, já defendendo a entrada do corredor que ia ter ao forte onde ficavam os quartos de Miguel de Vasconcellos, já cobrindo a porta dos aposentos da duqueza de Mantua. Os primeiros levam- n´os adiante de si Pedro de Mendonça e Thomé de Sousa, os outros resistem com desespero a Luiz Godinho Benavente e mais trez ou quatro fidalgos, e só depois fogem, depois de terem visto cair dois dos sues, um morto outro ferido. Entretanto D. Miguel d´Almeida, ebrio d´alegria, corre a uma varanda, abre-a, e brandindo um estoque, exclama:« Liberdade! Liberdade! Viva el rei D. João IV! O Duque de Bragança é o nosso legitimo rei!». E as lagrimas, embargando-lhe a voz, innundavam-lhe as barbas alvejantes, que fluctuavam ao sopro da brisa do Tejo, que doiravam os raios de sol a campeiar no céu. Respondeu-lhe de baixo um immenso grito d´enthusiasmo e jubilo. Liberdade! Liberdade! bradou o povo n´um grito unisono. É que todos julgavam divisar n´esse heroico D. Miguel d´Almeida, n´esse velho de oitenta anos, radiante d´ardor juvenil, o symbolo de Portugal decrepito e alquebrado, mas illuminado n´essa hora de resureição por um lampejo, por um reflexo do esplendor das suas eras gloriosas.
Não se limitou a essa resposta unisona a acção dos que estavam na praça. Antes que a guarda castelhana podesse perceber o grito de liberdade que troava sobre as usa cabeças, Jorge de Mello arremetteu com os seus a elles n´um impeto, d´espadas levantadas e pistolas em punho. Quizeram resistir, mas não lh´o consentiu nem o sobreslato repentino, nem o ardor dos nossos. Apenas o alferes Marcos Leitão de Lima levou uma coronhada que lhe ia sendo fatal. Os fidalgos, entre os quaes se distinguiam dois eclesiasticos, o padre Nicoláu da Maia e o padre Bernardo da Costa, combatendo com tanto ardor como os inimigos, n´um momento dispersaram os Hespanhoes, e foram unir-se aos seus companheiros, deixando à turba já alvoratada o cuidado d´impedir a guarde de se tornar a formar, se o terror lh´o permitisse.
Entretanto nas sals os outros conjurados proseguiam a sua victoria. D. Antonio Tello, que não queria de fórma alguma deixar de cumprir o juramento que fizéra de ser o primeiro a ferir Miguel de Vasconcellos, nem entrou na sala dos Tudescos, esperou na galeria que communicava para o forte. Não foi sem um frémito de raiva que viu passar Manoel Mansos da Fonseca, um dos confidentes de Vasconcellos, recioso de que lhe levasse aviso. Por isso, apenas, d´ahi a alguns instantes, os fidalgos desarmaram os archeiros e dispersaram os que pretendiam cobrir a passagem para os aposentos do secretario, D. Antonio correu logo para a secretaria. Seguiam-n´o já a pouca distancia, Pedro de Mendonça, Ayres, e João de Saldanha de Sousa, Sancho Dias, João de Saldanha da Gama, D. João Coutinho, D. João de Sá de Menezes, camareiro-mor, os dois filhos de Philippa de Vilhena, D. Jeronymo de Athayde, conde d´Athouguia e seu irmão D. Francisco Coutinho, Tristão da Cunha d´Athayde, Luis da Cunha e Nuno da Cunha, D. Manuel Childe Rolim, D. Antonio da Cunha e outros. Esta impetuosa turba encontrou logo aos primeiros passos o corregedor Francisco Soares d´Albergaria, a quem bradaram: Viva el rei D. João IV, e elle respondeu com intrepida imprudencia: Viva el rei D. Philippe, caindo logo varado por duas balas. Esta morte não prevista nos planos da conjuração, podia ser causa de grandes desgraças, inflammando no ardor sanguinario da luta o animo excitado dos fidalgos.
Ainda o official-mór da secretaria d´estado, Antonio Correia, que acudiu ao estrondo dos tiros, foi logo apunhalado por D. Antonio Tello, que, vendo já tudo vermelho diante de si, ia fazendo o mesmo ao capitão Díogo Garcez Palha, que se salvou da morte com uma perna quebrada, saltando d´uma janela para a praça de armas. Também Antonio Correia sobreviveu às punhaladas, arrastando-se por uma escada, cujos degraus encheu de sangue, até um quarto do pavimento inferior.
Entretanto Miguel de Vasconcellos fôra efectivamente prevenido por Mansos da Fonseca de que havia novidade. Estava deitado ainda, mal tivera tempo de se vestir quando ao aviso succedeu estranho rumor nos corredores. Pallido de susto, correu à porta e fechou-a por dentro. Logo sentiu os fidalgos baterem primeiro fortes aldravadas, e em seguida lascarem a madeira com os machados com que pretendiam arrombal-a. Então, vendo-se perdido, pegou n´uma clavina carregada, e encerrou-se n´um armario de papeis. Ali, reprimindo a respiração e com a fronte aljofrada pelo suor da angustia, sentiu a porta ceder, entrarem os fidalgos como uma torrente, e revolverem, blasphemando, todos os cantos do aposento. Esteve por um fio a sua salvação, porque os conjurados, não o encontrando, iam procural-o à casa da India para onde julgaram que tivesse fugido; mas pela estreiteza do esconderijo Vasconcellos não pôde evitar fazer um leve movimento. Sentiram- n´o, correram para lá com um grito d´alegria feroz e logo uns poucos de tiros se dispararam. Atravessaram duas balas a garganta de Vasconcellos, que caiu morto, golphando jorros de sangue.
Depois de o terem punido, desampararam-n´o os vingadores da Patria e foram os creados que seguiam D. Gastão Coutinho que arremassaram das janelas o corpo do odiado ministro. Quando a plebe, que já enchia torrentuosa o Terreiro do Paço, viu cahir assim ao desdem o cadaver do seu oppressor, soltou um verdadeiro rugido de triumpho, e deleitando-se na satisfação de tão cubiçada vingança, não houve insulto, não houve mutilação que não fizesse sofrer a esses tristes despojos.»


Continua, transcrição feita respeitando a grafia da época, In História de Portugal- Tomo III de F. Diniz págs. 290 e 291

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O caciqueiro indignado - s(o)arilhos e traições

No tumulto generalizado pela prisão do ingilheiro ainda podemos ouvir a taramulhada de pessoas que deveriam ter vergonha e tento na língua. O grau de indignação patente naquele senhor, avozinho de tremelicosa beatitude, é sintomático da perfídia e da mentira que acompanham a construção política do nosso país. 

Devo dizer-te avozinho que tu só não foste engavetado porque tinhas uma série de padrinhos no exterior, que por interesses alheios à vontade do povo nunca permitiriam uma coisa dessas. Se o caso actual se tem dado com um político do espectro da direita, aí sim, as acusações seriam merecidas na tua opinião. Também tu, como bom socialista que és, não deixas de "amamentar as tuas causas e ideologias" no marxismo, neste caso, utilizas a «tolerância repressiva de Marcuse» que afirma categoricamente e "cagando na cabeça dos outros" que «os bons estão aqui deste lado e os maus estão ali..». 

És uma besta, tal como Marcuse, e ainda te dás ao luxo de vir publicamente e com uma indignação ridícula  e risível, defender o que não tem defesa. Claro que tem defesa no código de conduta da democracia da treta, que se fundou no totalitarismo da ingilharia abrilista pelos inimigos da democracia, mas a nível real e não no vosso mundo de estirpes à parte, toda a gente sabe o que aconteceu, ninguém é cego e burro ao ponto que tu e os teus amiguitos caciqueiros pretendem.

A tua fundação deveria ser dinamitada e os teus rendimentos reduzidos a 1/4 do que recebes, mas se tal acontecesse, os teus inúmeros afilhados todos chorariam ranho, baba e códeas durante anos. Coitados de nós, vivemos no país dos enganos, onde os que mais abrem a boca para (re)clamar democracia são os maiores inimigos dela. Mas pode ser que a história começe a ajustar contas convosco, sim vós os inimigos da Democracia. 

  

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O canhão encravou - Os caciques estão com medo, com muito medo

A paródia democrática portuguesa não tem limites nem pudores, o caciquismo anda em bolandas com a prisão do "hollandêz" socialista, aliás «xuxialista», cá do burgo. Os seus "amiguitos" e "kameratens" de partido e de cleptotropelias estão em pulgas: «mas afinal de que é acusado o homem?», lançam as suas inocências para o ar fazendo da restante população uma cambada de zarolhos.

O filho do cabrão maior do pré e pós 25 da silva, com a lágrima a cair-lhe pela omoplata abaixo, e com ar de grande sumidade e especialista no que ao cacique diz respeito, atira-se com esta: «a prisão do Engenheiro é injusta e injustificada.» Está visto, roubou pouco, na opinião desta grande sumidade e desta vez, a lágrima saída do olho esquerdo, escorre-lhe pela clavícula direita abaixo.

Uma antiga ministra da descultura e da descompostura, vem por outra via, manifestar a sua surpresa (?) e dúvidas relativamente ao processo !! 

É que estamos a pouco menos de 1 ano das legislativas e o objectivo do partido xuxialista conseguir a ansiada maioria para escacar definitivamente o país começa a ser posto em causa. 

Os caciques estão com medo de não conseguirem esse desiderato e todas as suspeições que se seguirem, seja sobre a imparcialidade ou idoneidade dos juízes ou seja sobre o excesso de condições ou falta delas dos edifícios onde decorrerão os julgamentos (se chegar a haver julgamento..), serão vias que os caciquistas de maré não deixarão de explorar.

A democracia, de tão pérfida que se tornou na mão destes agentes cleptocratas, começa muito justamente a ajustar contas com estes seus inimigos. 

Sim, porque toda a franja política actual, com algumas excepções, é inimiga da democracia. Os partidos políticos actuais são inimigos da democracia, toda a estrutura político-financeira deste país é inimiga da democracia. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tiros sobre tiros de canhão - A falácia partidocrática

Para além de óptimo espectáculo mediático este mais recente episódio político é terreno fértil para desviar as atenções, quer sejam simples tensões de facto ou sejam apenas e só intenções. O "anedotório" em volta do caso não para de evoluir.
Mas ainda se acredita no homem, há quem o defenda e o considere incapaz de tais coisas de que o acusam. Tomara esses saberem sequer metade do que por aí vai. Mas eles insistem, insinuando que somos todos burros e tolinhos e até talvez cegos...

Esta notícia deixa obviamente muita gente contente, sabemos as razões e não é preciso dizer mais nada, mas o descalabro continua. Vistos gold, subvenções vitalícias, uma subvenção de tão mau gosto que fere qualquer sensibilidade que seja verdadeiramente democrática. 

A falácia partidocrática parte do princípio de considerar qualquer político num "patamar acima da lei comum", conferindo-lhe um estatuto de imunidade nefasto aos interesses da verdadeira democracia. A "Lei da Rolha" é piramidal, e quanto mais próximo se está do vértice, maior a pressão sobre a "rolha"; a corrupção funda-se num terrível pacto de silêncio dominador das ambiências. Este princípio legitima uma partidocracia difusa, que ataca e contra-ataca quando lhe interessa, e provocando uma alternância política  da qual não é possível escapar tendo em conta o panorama desolador de uma sociedade como a nossa actual. 
Mas esta falácia vai ainda mais longe, a tentativa de impor uma imunidade política a coberto de certas pretensões pseudo-democráticas, legitima uma outra acção; a existência de leis igualmente difusas que estabelecem em definitivo a possibilidade concreta da partidocracia. 
Podíamos aqui recordar uma série de julgamentos mediáticos, onde a isenção e idoneidade dos juízes era constantemente posta em causa pelos advogados ou então só passadas 10 ou 20 sessões chegavam às brilhantes conclusões que a sala era muito pequena e teriam de transferir o julgamento para outro tribunal. Depois do julgamento recomeçar noutro tribunal, e passadas novamente umas 10 ou 20 sessões, afinal o tribunal era grande demais e tinham de regressar  ao primeiro tribunal ou arranjar outro. Mas como se pode julgar actos criminosos altamente acobertalhados pela grande cúpula do poder?
Um carnaval sem fim para quase sempre dar em pouco, alguma pólvora, quase toda seca, e puuuuuffffffffffff, arrebentou o balão..



Mais tiros de canhão - A Casa das Putas Na Longa Noite dos Sardões

Corrupção, ladroagem e tráfico de influências formam uma trilogia diabólica, sem distinção de nada nem de ninguém, sem nenhum respeito pelo que quer que seja.
Há 40 anos que andamos a ser sugados por um regime que podemos classificar como CRIMINOSO. Se as pessoas deixassem de ver a "Casa das Putas Na Longa Noite dos Sardões" e outras palermices do género e começassem a investigar quem eram os nossos governantes antes de lá terem passado, metade dos roubos não aconteceriam, nem hoje viveriam num estado de pré-escravatura.

A corrupção foi inventada, ou pelo menos desenvolvida, nas mansardas maçónicas tendo em vista o empobrecimento geral das populações e sua respectiva destruição e, o enriquecimento desenfreado de uma minoria de charlatães empantucados de maus princípios até à medula... consequência total e irreversível desta invenção é o facto da ladroagem de Estado (cleptocracia) e o tráfico de influências (plutocracia) ditarem leis, isto é, foi mediante esta mistificação maçónica que se construiu um Estado de Direito e uma Democracia. E o roubo segue imparável, derruba e racha a meio qualquer obstáculo que se lhe depare.

A subversão e a torpeza intelectual tomaram conta do país, a idiotice e o chico-espertismo são as duas faces da mesma moeda, especialistas de bombarro em conluio com os "donos desta merda toda" dão-se ao luxo de falsificar permanentemente a história, da pré-escravatura à escravatura total vai um passo muito pequenino...

O retrato fiel da sociedade actual é dado pela "Casa das Putas Na Longa Noite dos Sardões", onde um bando de atrasados mentais de colhão bufado se entretém a dar umas fodas em público, ou até enrrabadelas, com impudor e impunidade, pispagando chusmas de saliva tal como as regateiras das sardinhas. Uma sociedade de caca diga-se de passagem, a Grande Sociedade Moderna de caca do Século XXI como hoje seria mais do que justo chamar-lhe, a corrupção endémica é a sua imagem de marca, tal como os seus sucedâneos, a ladroagem e o tráfico de influências.

Um dia, não muito longínquo ainda será possível ver a nossa terra transformada num gigantesco bordel, atafulhado de lambe-sogas e de taramafuleiros  saídos da Longa Noite dos Sardões.



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Tiros de Canhão - A Decadência de Portugal

«Já no despedir do século XVIII a ideologia da Revolução frutificava em Portugal, dando cá entrada pelos capilares da maçonaria, cujos malhetes batiam o compasso à ária altissonante da Regeneração Social. 
O Intendente Pina Manique foi cedendo terreno até ser batido pela pressão das influências napoleónicas. D. Lourenço de Lima regressado de Paris, como representante de Portugal, manifestava-se abertamente em Lisboa partidário de Napoleão, e a palavra Regeneração também por cá encantou os homens.
As lojas, dos pedreiros livres, upavam, bem visíveis, no primeiro ano do século passado. [século XIX]
Regeneração era o nome da loja da qual em 1807 era mestre o conde de Paraty, que passou o maço pedreiro, o grão-malhete a Gomes Freire de Andrade, veterano experimentado no maçonismo desde que em França, em 1785, se iniciou na Bienfaisance, a loja iluminista de Lyon que se antecipou a votar a morte de Luís XVI.
A conglutinativa palavra serviu de bandeira ao movimento político de 1851.
Uma vez aquietado, aquelas forças políticas que irromperam dos alvorotos do campo de Ourique, da tentativa revolucionária de 1817, e da revolução de 1820, depois atordoadas pelo estridor de umas décadas de embates, alguns sanguinolentos, encaminharam-se indecisas e cambaleantes, para a estabilização em dois partidos, guiadas pelas teses do manifesto de 27 de Maio desse ano de 1851.
Ia dizer que, desde então, desde a Regeneração se foi construindo o corochéu do regime da dualidade alternada do poder, acabado de erguer pelos arquitectos do Rotativismo para, anos decorridos, esboroar-se com as dissidências de João Ferreira Franco Pinto Castelobranco - o João Franco -, e de José Maria de Alpoim Cerqueira Borges Cabral - o José de Alpoim -, apressando-se o advento da república.

A Regeneração foi, por assim dizer, prenda oferecida a D. Luis de gomil de fina olaria para crisma do regime, brinco que de caminho ficou em tassalhos. Costa Cabral manobrava na sombra e a imediata cisão de Loulé rachou-a a meio.

Todos os da Regeneração se consideravam progressistas; porém o apelativo ficou para os históricos, imediatamente nomeado tanas. Subdividiram-se esses tanas em duas formações: uma, chefiada por Lobo d´Ávila, baptizaram-na de unha negra, e à outra, comandada por Anselmo José Braamcamp, de unha branca.
A oposição regeneradora, chamando a si o exclusivo de liberal e da posse da arca da ortodoxia da Regeneração, lançou furibundo ataque aos tanas, particularmente ao chefe Francisco Lobo d´àvila alcunhando-o de herói de Santulho, malévola insinuação ao assassinato de Agostinho Coelho de Araújo, divulgada em folheto - A Cruz de Santulho - profusamente distribuído nas câmaras e alardeado em cartazes luminosos em noites movimentadas da capital.

No momento o conde d´Ávila fazia um volte face à oposição entrando no ministério de Sá da Bandeira. Gritava-se aceradamente: a unha branca uniu-se aos do Santulho.

No parlamento os da unha branca tentam alijar Loulé e repartem-se dando o pequeno grupo dos maraús sob a regência de José Luciano de Castro. De tal imbróglio resulta a grita por um governo de cor definida, fosse cabralista, histórico ou setembrista pois o da ocasião era dominado pelos irmãos Cabrais. Chegou a entrever-se a pasta do reino debaixo do braço do Doutor António Correia Caldeira para quem olhavam como se fosse um sósia do conde de Tomar, secreto dirigente da política governamental».


Continua


In Aspectos da Nossa Guerra dos Cem Anos - Francisco Malheiro, páginas 95, 96 e 97, tomo III

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Os depravados da Política II

«Aos seus 17 anos no jornal O Vianense subscreveu um artigo focando estrondosas questiúnculas políticas e visando particularmente pessoa inteligente e culta à qual seus predicados e elevada positura colocaram no primeiro plano social de Ponte de Lima.
Assediou D. Santiago Garcia de Mendoza, o aventureiro que deu na vista a Camilo Castelo Branco, vindo de Pontevedra para em Braga ser estimado como general carlista e casar rico em Guimarães com uma filha do visconde de Azenha, senhora de vastas propriedades herdadas pela mãe do tio João Malheiro Pereira de Castro e Lyra, o fidalgo de Crasto, da casa dos Malteses. Salientando-se na política, tanto na miguelista como na constitucional, dissipador e frascário acabou cônsul de Portugal em Marselha.
Fora crudamente alvejado. Primeiro, atribuido-lhe ingerência na prisão de um Manuel Álvares Romero cuja extradição exigia o governo espanhol e que foi capturado em 5 de Abril de 1850 e justiçado passados dois meses. Segundo, lembrando-lhe a deserção do legitimismo, com arrepanhia dos fundos do partido de Viana, qual um eleche da ideologia, vendendo-se ao duque de Saldanha par viver em sossego no país. 
Respondeu-lhe o D. Santiago. E como mais tarde fez correr a jorros sua jocosidade num outro periódico o Braz Tisana, do Porto, foi chamado aos tribunais tendo por defensor o jurisconsulto Custódio José Vieira e por acusador o já notável José Luciano de Castro.
Destas peripécias da mocidade valeram-se os contrários para lhe chamarem «moço estouvado» e «difamador e calumniador confesso».
E tanto mal lhe queriam que, apesar de a geral veneração pelo pai, general Sá Coutinho, a aleivosia de uns oficiais da administração do concelho meteu-lhe na algibeira, imperceptivelmente, um pistolão, e com esse pretexto entrou na cadeia. A velha prisão de D. Manuel I transformou-se em salão de baile para, em homenagem ao improvisado delinquente e em protesto humoroso mas veemente, a primeira sociedade da terra bailar, folgar e rir até alta madrugada.

Foram estes passos da mexida adolescência de José de Sá os motivos do foguetear de remoques e das investidas com que os amigos de Rocha Peixoto miravam debreá-lo no afinco de impedir o desemperro, a coragem e a firmeza com que se houve em Ponte de barca, que, logo a três meses de abandonar a administração do concelho, o apresenta como seu candidato a deputado.
Substituído no lugar por Rocha Peixoto, encontram-se nas eleições de 1865 seguidas à dissolução das câmaras pelo conde d´ Ávila. 

Travou-se pugna endentada e ominosa em que as mesmas personagens de há vinte anos antes fizeram reviver as violências e despotismo desse tempo, a coberto da força armada, reforçada por malta de caceteiros, servindo de guarda de honra às urnas.

Pagaram-se votos a 500, 1000 e 1550 reis, aboletaram-se os soldados só na casa dos contrários, e na freguesia da Lavradas foi rezada missa às duas horas da madrugada para prenderem-se os eleitores e levarem-se a votar arrebanhados.

Rocha Peixoto propõe-se prender um influente oposicionista a título de culpado criminalmente, e atormenta e aterra o eleitorado lançando bando de que os que viessem à vila pagariam certo imposto. O povo, encalmado e indignado, mexe-se para o motim, mas José de Sá intervém tomando a palavra na praça pública para invectivar rudemente a táctica do chefe local dos governamentais, animando e encorajando os da oposição, e assim distrair a gambérria do ânimo popular.

Nesse dia tomou pé o Sá Coutinho; e o outro, refeito do embate, apercebeu-se de ter pela frente um adversário de respeito, sobretudo ao seu amigo conde d´Ávila deixar o lugar a Aguiar, ao Mata-frades, e esse moço ser reconduzido na administração do concelho. 
Rocha Peixoto assistiu ao delirar da vila aos sons estridentes da filarmónica, dos repiques nas sineiras e das girândolas de foguetes, até alta madrugada; enfarou-se do cheiro acre e enojoso das fumigações da farrapada de um boneco figurando o conde d´Ávila, e derrancou-se com o arraial de flores e regosijosas exclamações à chegada da nova autoridade.


Quadram-se os dois contendores. A briga é severa, seu conspecto é de rigor quando José de Sá prende e faz julgar e condenar o Dr. Francisco António da Fonseca e Brito, persona grata de Rocha Peixoto, a quem os adversários acusavam de violências e desmandos «Inqualificáveis» no exercício do cargo de administrador do concelho substituto».  

Continua


In Aspectos da Nossa Guerra dos Cem Anos - Francisco Malheiro, páginas 76, 77, 78 e 79 tomo III

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Os depravados da política

« (...) As emanações de uma tal cultura malignavam os ares; e nessa atmosfera perniciosa e deletéria livremente viçaram as sociedades secretas, de poder quase majestático, em cujos seios se moldaram os caracteres de muitos daqueles que, com seus diplomas científicos, entraram na vida pública. Eram de ver-se a dos Divodignos, famígera pelo assassínio dos Lentes em Condeixa, a par da dos Invisíveis em Tondela, fundada por um juiz da comarca e um advogado, que chegou a deputado da Nação, fértil em vinganças políticas - incêndios e assassinatos - e degenerada em associação de ladrões.
Daí o coonestar-se com a impunidade o delito político, e com mais funestas consequências no âmago da academia coimbrã por 1835 a 1841, horroroso precedente e desolador presságio para o prestígio da direcção e administração públicas.

(...) No remoinhar da insânia destacavam-se os da república do Carmo, aos quais chamavam de Sicários por verem-nos passear com punhais ao peito e por vezados nos banditismos, sob a chefia de um ex-frade, o que não impediu que um deles morresse desembargador da Relação do Porto. (...) As encobertas sociedades secretas prolificaram nos carrilhos, e delas descendiam legitimamente os grupos de guarda-costas dos chefes eleitorais para garantia da eficiência de seus planos ou êxito das suas maquinações».


In Aspectos da Nossa Guerra dos Cem Anos - Francisco Malheiro, páginas 20 e 21 - Tomo II.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os Sócretinos estão de volta

Anda tudo a dormir no país Portugal. Ora então vejam bem no que deu a guerra de facções do PS; o novo secretário-geral do partido PS já mostrou bem ao que veio: Cuidado meus amigos, não há redução do número de deputados na assembleia da república, essa é uma medida populista e perigosa para a Democracia. Ohh coitadinha da Democracia na mão de papagaios destes... tudo é populismo e um perigo quando o risco de se vir a "descobrir a careca" desta gente se torna elevado. Mais um sócretininho em potência!

E as Tvs?, na sua sagacidade informativa, limitam-se a fazer o jogo destes tipos, afinal também elas, sujeitas à perversão dos costumes pagas e financiadas pela elite económica e política que povoa os labirintos das mansardas democráticas. Onde o cheiro da poeira se mistura com o incenso maçónico, e onde o Deus de alguns é como o chouriço e o presunto.

Nas próximas legislativas lá teremos os sócretinos de volta, para nos infernizar a vida e continuar o trabalho inacabado pelo sócretino I. Progresso e crescimento prejudicando muitos e favorecendo alguns (poucos), desenvolvimento tecnológico e novas oportunidades para todos se instruírem na incultura geral, desenvolvimento económico criando uma cultura "de não trabalho e de subsidiodependência", patranhices atrás de patranhices, e  a manutenção da maior carga de esforço de pagamento de impostos da UE. 

Mas será que este povo não acorda!?

Os embaraços da Troika e o socialismo económico

Eles continuam a gozar com as pessoas, eles continuam na sua (deles) estratégia de desinformação para que a próxima idade dos escravos seja uma realidade. Trabalhar por uma tigela de arroz e uma habitação de 30 metros quadrados, sem direitos ou condições de sobrevivência digna. O socialismo económico destes "escafandros" é uma agenda eugenista há muito programada, pérfida e perversa, ao ponto de este mesmo socialismo económico não possuir qualquer sentimento de fraternidade, ou até de liberdade. Entre a liberdade de viver à margem do socialismo económico e a liberdade de com ele conviver, as opções são nulas pois ao socialismo económico tudo lhe convém, não lhe afecta esse tipo de distinções. Ele é "corrosivo e irreversível".

A Troika representa uma subsecção do socialismo económico e sente-se incomodada com o aumento do ordenado mínimo em Portugal -505 euros- um aumento de 20 euros; mas vamos a factos: Um cabaz de compras com os produtos essenciais (fruta, leguminosas, lácteos, pão, carne e peixe) para uma família de 4 pessoas custa cerca de 500 euros por mês. Que grandes inteligências povoam a Troika e os corredores do poder. Mas cuidado que aqueles que ganharem um pouco mais, 700, 800 euros aproximam-se da "máquina do desbaste fiscal a soldo do grande capital" e ficarão com pouco mais de 505 euros. 

A estratégia da «sinificação» segue imparável, uma contínua e persistente agenda de estabelecimento da idade dos escravos. O reino do Anti-Cristo ou da Besta tal como é conhecido na cultura cristã. 
É evidente, excepto para os da Troika e para os governantes em geral, que se nos dão um salário que apenas nos permite sobreviver, muitas vezes, no limite, não vivemos em liberdade; vivemos no mais vergonhoso totalitarismo económico de que possa haver memória.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

República e Democracia

«O regime em que as instituições e as leis são impostas pela razão pura à índole de povos diferentes. Na República, o futuro assenta sobre o desprezo do passado, renegando-se a tradição, em nome de princípios sem realidade prática. É a forma primária de governo, enquanto se não chega à compreensão da vantagem da continuidade do poder que é a garantia da paz pública e da justiça social. Os povos em via de formação ou em períodos de decadência, preferem sempre as instituições democráticas, no primeiro caso a diferenciação não se definiu, no segundo, a indisciplina conduz à confusão e anulação de todos os valores. A democracia é a doença dos povos que já perderam ou ainda não acharam a direcção do seu destino. Democracia e nação, democracia e justiça, democracia e exército, democracia e autoridade são conceitos que se excluem».


In Cartilha Monárquica - Alberto Monsaraz, pág. 6

Sanggnovo - 20 Anos ( versão da musica de José Cid )

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Serviço público de televisão - vergonha sem limites

É sabido que hoje a televisão só dá merda. Por um mero acaso, estava eu ontem à noite num café onde passava na TV uma das intermináveis novelas de lixo da TVI (televisão dos imberbes), onde a determinado momento se vê dois invertidos aos beijos... é também sabido, excepto pelos modernistas da merda, que se pretende fazer da homossexualidade virtude pública e a TV alinha nesta pandemia sexual. É pena não haver um comando suicida que rebente com os estúdios de tal canal de TV. Mas já hoje, no mesmo canal e noutro programa diferente, o tema era a "batalha dos sexos", onde uma série de convidados davam largas ao asneirismo, como se de uma ciência se tratasse. Asneiras, risadas e piadinhas bacocas, próprias de uma elite podre e baforenta, sempre pronta a martelar neste povinho inculto as maiores tolices e inverdades, fazendo dos mitos sexuais o seu cavalo de batalha. Que bando de tontinhos, que bando de cabrões amestrados, sem esquecer as putas zarolhas sempre dispostas a debitar alarvidades próprias de quem não sabe nada de nada...

Precisavam era de uma vara pelas costas abaixo e de uma pila de elefante para ver se perdiam o pio. As putolas ao serviço da (des)informação e os panascas com ares de trolhas caguinchas, a espremer os colhões e a crica frachundeira, num orgasmo de lixo radioactivo. Tudo pago com dinheiro do Zé pagante num puro delírio de bosta a escorrer aos pedaços. Coitadinhos dos tristes, azeiteiros com ares de grandes especialistas na área do maior e mais abjecto brejeirismo social.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A desvirilização e a islamização da Europa vem de longe

«A chacina de Manchester fizera parte de uma série de actos de repressão violenta do governo da época. Vigorava a Santa Aliança. A Europa estava sob o domínio da reacção. No continente, os súbditos pouco podiam estranhar, porque nunca se haviam aquecido ao sol da liberdade. O que havia era um despotismo mais rancoroso e mais vigilante: os inimigos da liberdade estavam debaixo de forma, prontos para acudir à primeira chamada. Uma tirania muito intrometida e muito nociva. Intervinha-se internamente e externamente. Se um livro de reputação duvidosa passava as fronteiras, farejava-se em toda a parte para o encontrar. Queimavam-no publicamente, e ai de quem o possuisse! Se uma nação se erguia em defesa de direitos antigos, ou reclamava novo código de garantias, saltavam-lhe as outras em cima. A Santa Aliança levou a um exagero tal o princípio da legitimidade, que até contestou a povos cristãos o seu direito de sacudir o jugo muçulmano».


In Ensaios Históricos - Lord Mc.Caulay - página 7

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Não há neutralidade nos factos

«Com algum inêxito, devo reconhecer, tenho combatido, com o sentimento de estar a falar sozinho, contra a perversa ideologia, útil aos senhores deste mundo, que insiste e actua, na área das ciências sociais, como se a neutralidade fosse uma realidade (...) nem os factos são neutros porque as conjunturas são sempre ideológicas. Exemplifico: Quis saber qual a percentagem de crimes graves e violentos que são perpetrados em Portugal por portugueses com cultura portuguesa (ou seja pelos autóctones de cultura histórica portuguesa). Cheguei à conclusão que são cerca de metade dos cometidos. A outra metade é levada a cabo por imigrantes de leste, imigrantes africanos, muitos são oriundos dos PALOP´S, e por outros alienígenas.
Mas, mais importantemente, se pode concluir que há ordens para calar estas estatísticas e para as manter longe do conhecimento do público, com medo da natural reacção do "bom povo português" que se julgaria invadido por criminosos estrangeiros (o Rei vai nu...).
Ou seja: em Democracia, na Europa, do século XXI, a verdade deve ser ocultada do povo supostamente soberano, por ser potencialmente fascista ou xenófoba».


Realço a última frase: Em Democracia, na Europa, do século XXI, a verdade deve ser ocultada do povo supostamente soberano, por ser potencialmente fascista ou xenófoba.



In Crise, Estado e Segurança - Edições MGI - páginas 32 e 33.

terça-feira, 29 de julho de 2014

O modernismo destruiu a censura criando a neo-censura

A modernidade do século XXI deu a conhecer uma nova componente na estrutura político-social; esta nova componente destruiu a censura clássica substituindo-a simplesmente por uma nova censura. Esta nova censura baseia-se numa série de fenómenos relacionados de perto entre si como sejam : o excesso de informação, a contínua caducidade dessa informação (para as pessoas não pensarem), a manutenção de um estilo de vida sem ter em conta efeitos colaterais de uma civilização à deriva e sem sentimentos fortes (o deixa andar e a não denúncia é uma forma de deixar tudo como está), a cada vez maior promoção de alienações fortíssimas, futebol, desportos de multidões, espectáculos onde haja muita gente e onde os mesmos sejam muito mediatizados, mexericos e tricas sobre grandes actores ou desportistas em geral, o relativismo ético e moral sempre em crescendo, tudo isto serve para censurar nos novos paradigmas surgidos no pós-modernismo; é a censura encapotada já não externa a cada um de nós, mas bem interna, onde a não condutibilidade segundo os padrões modernistas é motivo para censura. Mas uma censura baseada em falsos pressupostos e em falsos paradigmas. 

Nenhum regime político pode aspirar a mudar isto se não voltarem a promover o espírito crítico e o conhecimento da história, mas, por outro lado, é necessário travar a marcha destruidora do contínuo relativismo ético e moral. A ignorância generalizada da sociedade é o "ingrediente básico" que dá contextura a esta neo-censura do século XXI.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Há liberdade contra a liberdade

O conceito de liberdade acompanha o homem desde os alvores da civilização. Todo o homem é livre quando pode dispor de si próprio sem qualquer espécie de condicionalismos, seja para o bem ou para o mal. A liberdade emana directamente do livre-arbítrio, e, tal como a etimologia da palavra o deixa bem expresso, o livre-arbítrio implica liberdade; liberdade de acção, liberdade de escolha, liberdade de movimentos, liberdade nos mais diversos parâmetros.

A liberdade é tão antiga quanto a humanidade, e hoje, se chegou onde chegou, isso deve-se ao livre-arbítrio da humanidade. Em si ela é um factor ético, ou metafísico, necessário e útil ao homem. De forma nenhuma o conceito pode ser entendido como resultante da acção política ou económica, como hoje é usual pensar-se. Quem não tiver memória curta sabe que a história se repete, incessantemente, e sempre que a liberdade é entendida como uma extensão e consequência de qualquer acção política ou económica, a mesma perde o seu sentido inicial e o seu sentido mais puro. A liberdade passa a ser vista como "uma conquista que não se consegue conquistar". 

Daqui nasce a degenerescência da liberdade - a libertinagem - e a sua consequente metamorfose; a liberdade tal como hoje é entendida, não é liberdade nenhuma. O velhinho slogan abrilista mais gasto do que farrapo bolorento, de "não há liberdade contra a liberdade" é falso, é uma mentira muito bem urdida pelo neoditadores democráticos deste país.

HÁ LIBERDADE CONTRA A LIBERDADE, sobretudo contra aquela corrente que desvalorizou o termo tornando-o estéril e propenso às maiores confusões. Não é em ditaduras ditas duras (antidemocracias) que a liberdade é atacada e decomposta no seu contrário, mas sim em ditaduras ditas macias (democracias).

Nos regimes democráticos não temos liberdade de dizer "as verdades", e quem o fizer pode ser punido, multado, preso, ridicularizado e até ostracizado. Ora então responda quem puder: Onde está a liberdade??

sexta-feira, 4 de julho de 2014

As raízes do absolutismo - Humanismo e Protestantismo

As raízes do absolutismo devem ser procuradas na dupla revolução, intelectual e religiosa, que provocou fortes abalos na cristandade medieval entre os séculos XV e XVI. 
Maquiavel e Lutero, são os principais símbolos desta dupla revolução. É curioso, ou talvez não, o paralelismo e a confluência entre a separação da igreja e do estado, realizada pelo protestantismo e teorizada pelo humanismo. 
O Humanismo emancipou a esfera política da sua fonte metafísica e moral, da qual a igreja católica era depositária e guardiã. O Protestantismo negando radicalmente a autoridade da igreja, separou em definitivo, esta do poder político. Por outro lado, o Humanismo distingue o poder político e o poder temporal, criando duas felicidades; uma sobrenatural, reservada à igreja e outra natural e mundana, que deveria ser assegurada pelo príncipe.
O separatismo protestante encontra expressão na visão política das seitas religiosas dos séculos XVI e XVII, como por exemplo os Anabaptistas. Daqui decorre o factor de continuidade entre o Protestantismo e o nascente Iluminismo do século XVII, que ganharia maior expressão no século seguinte.
Uma vez suprimida a presença da igreja na ordem temporal, o vazio será preenchido pelo Estado na perspectiva do absolutismo luterano, e pelo indivíduo, na perspectiva calvinista. A autonomia da política e da moral inaugurada pelo Humanismo, preparou em muitos Estados europeus a definitiva separação entre o poder secular e a autoridade da igreja católica.
A visão radicalmente pessimista da natureza humana, comum a Maquiavel e a Lutero, torna impossível governar em nome da filosofia do evangelho. Desta antropologia pessimista decorre a necessidade de conceder ao príncipe uma autoridade férrea, destinada a fundar o absolutismo na esfera política.

Limites do poder supremo no Ancien Régime

Diversos legistas franceses sustentam que a soberania do rei é limitada não apenas pela lei Divina, mas também pela lei natural e pelas leis fundamentais do reino. A limitação da Soberania não desabilita nem debilita o Rei, impedindo-o de realizar actos que poderiam pôr em causa e destruir essa soberania. A soberania do Rei está subordinada a princípios e a leis soberanas que constituem o fundamento da sua própria soberania. As leis do reino protegem o Rei de si próprio.

A lei do Rei é protegida da tentação despótica, em virtude da presença viva, tranquilizadora e protectora das precedentes leis do reino. A vontade do Rei assume um carácter ideal: o seu princípio é o bem comum, e deve procurar alcançá-lo com rectidão. A verdade é que o poder régio nos séculos XVII e XVIII mostra que a concepção da soberania na monarquia absoluta estava nos antípodas do regime despótico. Quando o despotismo se tornou uma realidade, isso nada teve a ver com a soberania régia nem com a monarquia absoluta, mas sim com a progressiva desconstrução que a justiça foi sofrendo. A supremacia da justiça significava a supremacia da lei, mas tudo começou a inverter-se a partir da revolução francesa. A harmonia de relações que existia entre superiores e subordinados é destruída em favor de uma progressiva igualdade que destruiu por completo os fundamentos da Idade Média. 

Entramos na era da igualdade, onde a visão igualitária pretende destruir o belo, o sublime, a estética e a ética.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Nostalgias e boa música





Como hoje a indústria discográfica se limita a produzir e a incentivar merda, tipo beyoncricas, rihana noculo, one or dos direccion, Justin Shit, A puta satânica miley circo e por aí fora, nada melhor do que Billy Idol, no tempo em que a indústria discográfica não estava minada pelos iluminnatis e pela grande puta que os pariu a todos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A moeda Euro e a construção do 4º Reich

A moeda única europeia foi uma construção política baseada em falácias repetitivas. O 1º projecto da moeda única começa a desenhar-se em 1992, chamando-se numa primeira fase "União Económica Monetária" (UEM). Desde logo, a UEM deparou-se com uma série de impossibilidades técnicas, como por exemplo, a impossibilidade de definir, no mesmo instante, políticas monetárias autónomas e taxas de juro cambiais fixas e ainda a impossibilidade de adopção de mecanismos que permitissem a livre circulação de capitais nos diversos países aderentes (Crise, Estado e Segurança - Edições MG, pág.72).

A resposta possível e imediatamente viável, face à ausência de preocupações económicas na construção da UEM, foi criar uma comissão supranacional que ficava com a responsabilidade de estudar o problema para que a UEM fosse uma realidade (Idem, pág. 72).

Os requisitos económicos foram ignorados neste projecto da UEM e os diagnósticos errados que se seguiram, evidenciaram uma inadequada estratégia de combate à crise que se sucede após a implementação do Euro. O crescimento económico dos países mais frágeis foi comprometido por longos anos.
O enquadramento económico-monetário da UEM não teve em conta características e tendências dominantes, naturalmente muito diferentes, entre o sul e o norte da Europa.

«Especificamente, a arquitectura e desenvolvimento do processo de integração monetária na Europa tem contribuído, na nossa perspectiva, para o agravamento das dificuldades que assolam a zona euro no seu conjunto, e os membros mais frágeis, em particular» (Idem, pág.73).


Quando a UEM foi criada em 1992, foi-o na expectativa de que as economias dos países integrantes do projecto entrariam com o tempo em convergência, mesmo tendo em conta as diferenças entre os países. No entanto, a convergência esperada nunca aconteceu, se houve alguma coisa foi unicamente divergência em grau cada vez maior. Daqui decorreu a impossibilidade de se definir uma política económica comum europeia séria e com custos razoáveis. Foi assim definido, como última tentativa, que os países devem alinhar as suas tendências de despesas públicas, de competitividade, de inflação, etc. 

Foi-nos passada a ideia falaciosa que a crise do euro se deve aos Estados do sul da Europa com os seus comportamentos despesistas seja no sector público ou privado. O que não corresponde totalmente à realidade, pois tendo em conta o desequilíbrio fundamental do próprio Euro, que aplica uma única política monetária e uma única taxa de câmbio a países e regiões com prioridades e necessidades muito diversas, e que nunca teve em consideração as premissas económicas e as recomendações e advertências de muitos analistas. É uma evidência, com 12 anos de Euro, o projecto em si, está longe de corresponder às expectativas de 1992 quando o projecto foi iniciado.

«A Alemanha tem (Maio 2014) o maior Superavit comercial do mundo, mesmo à frente da China, sendo que parte desse Superavit é a contrapartida dos défices da Europa mediterrânica» (Idem, Pág. 79).


«A Alemanha agregou, também, por via da combinação dos excedentes de capital, que os respectivos bancos rapidamente se prontificaram a emprestar aos vizinhos do sul, a taxas de juro historicamente baixas, ignorando qualquer tipo de risco. Utilizando uma moeda subvalorizada, a Alemanha está a actuar como a China da Europa, sem estar, no entanto, sujeita às críticas que têm marcado o gigante asiático» (Idem, Pág. 80). 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Quando a política se substitui à economia - o falhanço da moeda euro

A inversão dos valores liga-se muito naturalmente a processos desconstructivos; o Euro foi acima de tudo um projecto político (Crise, Estado e Segurança - Edições MGI, pág.71) cujos dois principais mentores [a Alemanha e a França], pretendiam assim firmar uma paz duradoura entre os dois países. As guerras entre estes dois países entre inícios do século XIX e o final da 2ª Guerra Mundial, criaram um sentimento mútuo de desconfiança entre as duas nações. E só com um pacto económico-financeiro as relações entre estes dois países poderiam ser normalizadas.

Isto foi o que Miterrand e Kohl pensaram e intuíram na altura, mas segundo estudos recentes, essa posição apenas reflecte aspectos políticos e quase nenhuns aspectos verdadeiramente económicos. Na página 72 do livro acima citado pode ler-se o que segue: «Partilhamos integralmente da opinião de autores como De Grauwe (2013) ou Hall (2012), entre outros, quando referem que na base da construção monetária europeia estão, fundamentalmente, factores de ordem política. A União Económica Monetária (UEM) foi construída a partir da necessidade de conjugar os interesses dos dois principais actores, França e Alemanha, que, embora por motivos diferentes, encontraram algum consenso que permitiu avançar para um empreendimento de magnitude tão vasta e consequências tão imprevisíveis (Verdun, 2012)».

Se a construção do Euro se baseou apenas em pressupostos políticos, podemos então afirmar que os acontecimentos já tinham sido discernidos muito antes de os mesmos tomarem forma, ou seja, com o fim da beligerância franco-alemã, estabelecia-se uma união monetária que não tinha em conta as diferentes especificidades e/ou realidades das economias de cada país aderente ao Euro. E tudo isto se revelou um logro; vivemos hoje uma crise que em parte se esboçou na inobservância do aspecto económico de uma união monetária desta dimensão. É lapidar o trecho que se encontra na pág.79 do já referido livro: «Mais de dez anos depois de ter sido adoptada uma moeda única, a Europa continua a não ser uma zona monetária óptima, tendo a integração monetária até exacerbado as diferenças entre os países. Como refere Hall (2012), a falência dos países do sul é o reverso da moeda da prosperidade germânica».

Esta "aparente" incoerência de a integração monetária ter provocado um aumento das diferenças económicas entre os países do Sul e os do Norte, só é aparente aos mais distraídos, se levarmos em linha de conta que só a Alemanha saiu reforçada com o enfraquecimento dos países do sul. E tendo sido a Alemanha um dos principais mentores do projecto Euro, e sabendo-se das políticas deflacionistas dos governos alemães do pós-2ª Guerra, não é de admirar que apenas o sector industrial alemão tenha sido favorecido em todo este processo. Era aliás, conhecendo-se os dados inicias, mais do que previsível.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A selecção e o vacão.

Chegaram os extraterrestres ao Brasil, mais exactamente à região de Campinas, e como "molas domesticadas" e em passo de "Kanguru" lá vão os terráqueos atrás do autocarro que transporta a comitiva portuguesa. Iiiiiiiiiiiihhhhh, aaaaaaaahhhhhhh, e outra vez iiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhhhhhhh, tal como babuínos amestrados na arte da sinfonia. Que espectáculo bárbaro! E para animar a malta lá estava o VACÃO de teta pintada: Ruuuunaaaaoodooo, vem domi comigô, vemmmm... A PUTA, a serial killer de pénis ambulante.

Que coisa mais estapafúrdia..., mas claro que os palhaços sempre foram utilizados para desviar as atenções. No tempo dos romanos era pão e circo, agora é circo e circo. E sempre que possível uns vacões para dar mais pimenta à coisa...

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Adam Weishaupt - Os graus dos Iluminados

A seita teve desde o seu início uma colectânea de graus diferentes da maçonaria especulativa o que era aliás, comum a todas as lojas de rectaguarda. Os graus dos iluminados dividem-se em duas partes. A primeira parte destina-se à "preparação" dos membros e subdivide-se em oito graus, "Noviço", "Minerval", "Iluminado Menor", "Iluminado Maior" e três "graus de intrusão", que a seita foi buscar à maçonaria e que poderia ser qualquer um dos doze primeiros graus, e por último, o grau de Cavaleiro Escoçês ou Iluminado director. A segunda parte, chamada de "Grande Mistério", tem apenas dois graus, "Mago ou Filósofo" e "Homem-Rei". 

Havia também um grau muito importante, reservado apenas a um pequeníssimo número de membros, que era o do "Irmão Insinuador" ou o "Enrolador". Deste grau em particular, dependeu em muito a força e a organização da seita, é este grau que fabrica a (anti)doutrina e se encarrega de dar sentido e busca a cada um dos graus. Este "Irmão Insinuador" como a própria etimologia o dá a entender, insinuava o Iluminismo e insinuava-se a si mesmo no fim de arrebanhar o maior número possível de membros.

De grau em grau até ao de Homem-Rei, título muito sugestivo, este plano iluminista representa o ódio de Weishaupt ao mundo e à civilização, tal como a maçonaria, que faz do homem a medida material de suprema importância, sem lei nem freio, ao sabor das paixões desonestas e do materialismo redutor.

Alguns deste graus transitaram depois, durante o século XIX, para a maçonaria sob outros nomes. A coisa mais monstruosa e anti-natural que jamais foi inventada.


Adam Weishaupt - O Spartacus da Maçonaria

A seita dos Iluminados, que nada tem a ver com os antigos Iluminados, foi uma loja maçónica oculta, ou da rectaguarda como também lhe chamavam. O seu sistema filosófico era uma amálgama muito estranha baseada nos mistérios desorganizativos do Maniqueísmo.

O Iluminismo nascido sob os auspícios de Weishaupt era freneticamente ateísta e anarquista. Não se sabe quase nada sobre a infância de Weishaupt, nem tão pouco sobre a sua juventude. Personagem enigmático e anti-social, o mesmo detestava toda e qualquer teologia ou teosofia, para além de não reconhecer qualquer lei política ou civil. Tinha igualmente um ódio de morte a todos os tronos.

Os primeiros membros desta loja foram Massenhausen, Merz e o Barão de Knigge. Este último viria a desempenhar um papel importante apoiando financeiramente os Jacobinos aquando da Revolução Francesa.
Em pouco tempo, os três primeiros integrantes da seita iluminista tornam-se tão ímpios e tão ateístas quanto Weishaupt que, passados poucos dias, os considerou dignos de admissão nos mistérios. Foi-lhes conferido o mais alto grau: «consultores do Aerópago».

A igualdade e a liberdade começam a ser pregadas nas lojas maçónicas a partir de 1730, bem antes da revolução de 1789, o que levaria Weishaupt a declarar o seguinte: «A igualdade e a liberdade são os direitos essenciais que o homem, na sua perfeição original e primitiva, recebeu da natureza; o primeiro atentado contra a igualdade deve-se à propriedade privada e o primeiro atentado contra a liberdade deve-se às sociedades políticas e aos governos. Os únicos suportes da propriedade privada e do governo são as leis civis e religiosas; assim sendo, para restabelecer ao homem os seus direitos primitivos de igualdade e liberdade é necessário começar a destruir a religião, a sociedade civil e abolir toda a propriedade privada.»

O discurso é absurdo, recheado de ignorância e de fanatismo ateísta. Weishaupt era um misto de comunista, gnóstico e naturalista. O que hoje poderíamos talvez apelidar de NeoDarwinista.

A seita em si, tornou-se uma central de espionagem. Todos os novos membros tinham instruções precisas dos seus superiores para procurarem novos membros, anotando num caderno fornecido pela seita, todos so pormenores sobre os seus conhecidos, amigos, família, inimigos e vizinhos. Deviam registar todas as particularidades de tudo e de todos. 
Esta monstruosa seita deu forma a uma radical reinterpretação da história, onde a impiedade e o ateísmo fanático eram norma.

Continua.  

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Para que serve um tribunal constitucional ? - II

Se das minhas afirmações no post anterior ficou implícito que eu defendo a não existência do tribunal constitucional e que o mesmo não serve para nada, devo esclarecer que na verdade não defendo tal posição. Mas vejamos bem o que está em causa: a constituição está bem feita? A constituição adapta-se aos tempos actuais? A resposta é não para as duas perguntas. A nossa constituição precisa urgentemente de uma revisão. 
Portugal vive tempos muito conturbados que exigem medidas muito difíceis e a constituição não permite que certas medidas sejam tomadas. 

Não estou aqui de forma nenhuma a defender o actual governo, nem nenhum outro, mas é notório que a actual coligação pretende, com o tempo, "mexer com as infindáveis regalias" de certas classes, não o conseguindo por via precisamente da constituição. Qualquer medida que não esteja "em linha" com o que afirma a constituição é chumbada, pois a lei é para ser respeitada. Até aqui tudo certo. Mas quem fez (ou faz) as leis? E que espécie de critérios são considerados válidos e em que se baseiam esses mesmos critérios? 

Situações excepcionais tendem para medidas excepcionais, e a lei, neste caso, é cega! Não existe nenhum parâmetro que permita a inclusão de situações excepcionais, e a nossa actual situação é excepcional. Nunca se resolverá sem medidas ditas anti-constitucionais. É este, na minha opinião, o grande problema. Não se trata de forma nenhuma de desvalorizar o tribunal constitucional e considerá-lo inútil e sem sentido, mas sim de estabelecer um "revisionismo" com a integração de algumas alíneas ditas "inconstitucionais" para fazer face a situações excepcionais como já mais acima ficou dito.


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Para que serve um tribunal constitucional?

Dá que pensar, numa democracia, existir órgãos específicos para fiscalizar o cumprimento da constituição. A existência desses órgãos pressupõe um não cumprimento da lei e da constituição, e isto é devido a dois factores independentes entre si, mas só na aparência. Se não se cumpre a constituição é porque no subconsciente das pessoas está bem claro que a constituição está completamente desactualizada e por outro lado, esta desactualização serve na perfeição o modelo de corrupção que hoje impera. 
Ninguém se atreve a mexer na constituição porque existe um "pacto de silêncio e de atitude" sobre o qual se fundou a democracia coxa do pós-Abril. Há muitos interesses em jogo. O saque do país não aconteceu fortuitamente nem por "imponderáveis políticos". É sintomático a "dita constituição e o dito tribunal" nunca tenham feito nada para impedirem ou limitar os estragos! É evidente que o que estou aqui a dizer é que o tribunal constitucional é parcial, muito forte, como todos os outros tribunais, com os fracos e muito fraco com os fortes. 
Um tribunal deste tipo e nas actuais condições político-sociais não fiscaliza nada nem faz cumprir qualquer constituição, pois, ao ficar-se apenas pelo que está escrito, não tem em conta uma série de outros factores. Para interpretar a constituição não é necessário aquela bátega de juízes a ganhar milhares e milhares de euros por ano. 

Já sabemos que tudo isto tem a ver com o direito positivo que minou a própria justiça por dentro. A ética ficou na penunbra e o que conta doravante são as normas e a "fenomenologia" associada à feitura das leis e da própria constituição. Isto é quase a mesma coisa como se a constituição não existisse, ela apenas serve os interesses duvidosos, semeia a insustentabilidade social derivada de uma falsa democracia e serve, como sempre os poderosos.



terça-feira, 3 de junho de 2014

Pode estar iminente um golpe de Estado em Portugal?

Depois da ressaca das eleições sobra realmente muito pouco. Da grande vitória socialista, a não passar na frieza dos números de uma derrota, segue-se o discurso mais ou menos previsível da actual coligação governamental. Nada que não fosse já expectável. A social-democracia comporta-se como um "navio em alto-mar, que a qualquer momento pode afundar". O navio tem um dilema, por um lado, precisa de uma certa carga para melhor estabilização mas, por outro lado, precisa, do mesmo modo, aliviar certa carga para não correr o risco de partir a meio. A social-democracia encontra-se precisamente numa situação destas.

Com o recente chumbo do tribunal constitucional, o governo prepara-se agora para mexer na tabela do IVA. Quer parecer que, a acontecer a subida do IVA, a medida revelar-se-à inconsistente e infrutífera. Portugal não aguentará mais subidas de impostos, pode ser o fim de milhares de empresas.

Por tudo isto começo a desconfiar da actuação do tribunal constitucional. O que é mais importante? a constitucionalidade ou não de determinada medida, ou o efeito que ela poderá ou não produzir? Não parece que se tenha em conta o que acima acaba de ser questionado. A lei e a constituição estão bem feitas?, estão bem formuladas? Existem muitas dúvidas e não se compreende que um tribunal recuse sistematicamente "isto e aquilo" escudando-se apenas na constituição. É preciso ir mais fundo nas questões e o tribunal constitucional não o faz. O que pressupõe que o mesmo está ao serviço de ideais não muito claros.

Há anos que a constituição precisa de ser mudada, ou mais especificamente, revista. Mas ninguém  quer tomar esse passo. De quem têm medo? De ser chamados "reaccionários"?

Uma das bandeiras do povo deveria precisamente ser esta: "Ninguém vota enquanto não houver revisão constitucional participada pelo povo". Tal decisão política iria dar cabo de uma série de regalias, tal como por exemplo, as "dos ratos" do palácio de Raton. É talvez isto que os membros do tribunal receiam, o fim das suas "plebugices" e "regalias sem fim". As deles e de toda a seita democrática, os fazedores de leis estúpidas, os fazedores de opinião, os fazedores de toda a merda em que acreditamos desde as falsificações históricas ao despotismo democrático.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O "Papão da direita" ao serviço da desinformação

O pré-anunciado discurso de vitória do PS esvaziou-se à medida que os resultados definitivos iam sendo conhecidos. Pouco mais de 3%, cerca de 100000 votos a mais, em relação aos sociais-democratas. Se isto é uma grande vitória!? Para quem vive do eterno "papão direitista" que não existe na realidade, não pode aspirar a muito mais e poderá ser uma questão de tempo o "ajuste de contas entre o povo e os socialismos".

Não podemos de todo desconsiderar esta jogada do ás de "trunfo" António Costa, precisamente como tentativa de mudança radical na "estética e na ética do discurso". Aproximam-se as legislativas e como sabemos em Partidocracia vale tudo, inclusive os partidocráticos decidirem que lugares serão ocupados e por quem. Os outros mais à esquerda do PS e começando pelo velhinho PCP ou CDU, diga-se que o mesmo mantém-se "em plena posse das suas faculdades", com uma linha dura actuante na sombra e uma linha renovada a dar a cara. Não partilho do ideário comunista , mas claro que dentro das suas limitações doutrinárias, o mesmo mantém-se dentro de uma lógica "nacionalista" da qual consegue retirar dividendos.
O outro partido, BE, irá desaparecer tal como apareceu, aos fogachos, o que está já a acontecer. Da aridez ideológica ao deserto de ideias e propostas válidas, passando pela incúria psicológica e pelo panteísmo biológico, demonstra bem que tipo de partido é este. Um partido de causas sem sentido, de políticas desconexas relativamente aos dados sensíveis que a experiência diária nos demonstra. 

O "Papão da direita" serve todos os propósitos e todos os fins mais ou menos anunciados, e sempre de uma eleição, quando os partidos ditos de direita têm resultados menos bons, lá cantam eles: «vitória, a direita foi derrotada!» 
Logo depois do grande orgasmo, que foi a derrota do "Papão da direita", vem a desilusão e um sempre crescente sentimento de impotência, perante a cada vez mais longínqua «certeza do futuro».

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Eleições Europeias - Portugal e a Europa

Começando pelo nosso país, diga-se que os resultados em si não surpreendem de todo, exceptuando o caso do MPT. Como sempre acontece a massa amorfa de votantes vai recompensando os que causam os maiores distúrbios. O povo tem memória curta, cada vez mais curta, e o cenário para as próximas legislativas está já traçado! Digno de nota o resultado da CDU e de nota igualmente o progressivo "afundamento" do BE. Estes estão a pagar pelas ingerências biológicas e sociais.
Quanto ao MPT eu não sei se foi o efeito "mediático" do Marinho Pinto que levou a esse resultado, é provável que sim, mas de qualquer modo pode ser um bom sinal. A política portuguesa precisa de partidos de fora do arco do governo, do clube dos cinco se preferirem. É preciso "partir o sistema", provocar um rombo nos interesses partidocráticos instalados na camarilha que relampeia pelos corredores e assentos do parlamento.

Na Europa os resultados eleitorais ao contrário de Portugal, mostram grandes "cartões vermelhos aos governos", sobretudo aos socialistas, a dita extrema-direita ganha relevo, fruto como bem sabemos não do racismo e da xenofobia, mas sim da revolta dos naturais perante o desrespeito pelo que é seu de direito e por uma política de emigração totalmente descontrolada e com os recursos para a sobrevivência dos povos  a começarem a atingir o limite. Quer se queira quer não, são estes, no momento, os únicos partidos que "falam ao coração dos povos", que apresentam soluções (se viáveis ou não, isso é outro assunto) que vão de encontro aos desejos de muitas pessoas. Que ninguém se admire de ver a dita extrema-direita crescer ainda mais nos próximos anos. 

Isto é de certa forma consequência da falência do socialismo, que se revela ao fim de quase dois séculos de existência uma falácia em permanente estado de Ad Novitatem. Quanto à sua forma abastardada, a social-democracia, diga-se que a mesma perdida nos labirintos de uma direita que não o é e em permanente rebelião consigo mesma por ser considerada de direita, a mesma tem tido, pelo menos em Portugal e desde o 25 de abril, um papel quase sempre subalterno, situação que impediu que a social-democracia portuguesa atingisse outros níveis. Todos os governos da social-democracia tiveram de reparar os erros das gestões socialistas anteriores. Mas parece que esta tónica não é só portuguesa, em boa parte dos países da actual União Europeia todos os governos de social-democracia estiveram sempre condicionados pelos erros dos socialistas. 

Não faço aqui, de forma nenhuma, a apologia da social-democracia em detrimento do socialismo, porque ambos são socialismos e não servem. O que quero deixar claro é que nunca vimos qualquer governo socialista condicionado por erros da social-democracia, foi sempre ao contrário, e isto tem evidentemente um preço que uma grande parte dos votantes não tem em conta ou então manifestam uma grande falta de bom senso e análise minimamente cuidada dos factos.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A inevitabilidade socialista - as pragas são eternas

O socialismo enquanto "termo moderno" só se pode começar a aplicar a partir de 1789 ou até 1830 se formos mais rigorosos. Antes dessa época não existia propriamente um socialismo deterministicamente compreendido. Existia apenas a sua matriz ideológica que vem de longe. Alguns autores querem situar o aparecimento dessa matriz com os patriarcas bíblicos (o que não é bem verdade), outros estão convencidos que tudo começou na Grécia antiga com os filósofos gregos e outros pretendem ainda que só em meados da Idade Média (Okcham, Pádua, More e Bacon, sobretudo estes) começou o nascimento da matriz socialista.
Penso que devemos ver a matriz mais atrás no tempo, matriz essa que se manteve e que foi sofrendo distorções e erosões diversas ao longo dos séculos.

Um autor português muito insuspeito costumava dizer que «o socialismo é uma diacronia voltada para um futuro de contornos indecisos e imprevisíveis
Não é difícil ver porquê, e nem sequer é de estranhar porque a verdadeira diacronia tem a ver directamente com a etimologia do termo. O ideal socialista é um ideal impossível, a história prova-o a cada momento. 

Atentando um pouco ao significado de socialismo definido pela ciência política (que não sei de todo se será efectivamente Ciência, na verdadeira acepção da palavra), sabe-se que na sua vertente político-financeira defende a direcção e o domínio do Estado sobre os meios de produção e de consumo. Na verdade, em décadas de socialismo, o que vemos é uma actuação disforme, o Estado socialista tem-se "entretido" a destruir os meios de produção onerando-os com impostos e taxas e, ao mesmo tempo, distribui benesses nos sectores monopolistas.
Na vertente político-filosófica defende o predomínio da sociedade sobre o indivíduo, o que não deixa de ser curioso porque a filosofia socialista de hoje pratica a contínua exaltação do indivíduo em detrimento da sociedade. Por último, o socialismo defende a redistribuição da riqueza e o fim do capital. O socialismo quer que todos tenhamos os mesmos rendimentos, os mesmos hábitos, as mesmas taras, manias, clichés, estereótipos, etc. A igualdade pura e dura. A «certeza desse futuro» socialista criou uma utopia cuja malignidade não pára de se fazer sentir.

Definindo agora o socialismo em condições temporais mais recentes, de há 40 anos para cá, podemos dizer que o socialismo tem sido o "grande aliado" da finança internacional (os que mandam no mundo). Os socialistas passaram a vida a destruir o chamado Estado Social através da manutenção de "uma série de parasitas" e de instauração de uma cultura de "não trabalho", e agora berram pela destruição desse mesmo Estado Social. A isto é que se chama "atira areia para os olhos", os partidos socialistas não têm moral nem o mínimo de decência para reclamarem do que quer que seja, foram eles os principais responsáveis pela destruição do Estado Social, pela destruição do sistema educativo, pela destruição da justiça, pelo alto nível de endividamento do país. Não acreditam?? Então investiguem, deixo aqui dois momentos charneira, meados da década 1980 com um governo socialista primeiro grande rombo económico e 2005 em diante com novo governo socialista, o segundo e definitivo rombo económico do país.

A bipolarização governativa portuguesa tem uma explicação muito simples. Ambos os partidos que têm alternado no governo são maus, mas um é ainda pior que o outro. O que se tem passado em 40 anos de democracia é o seguinte: O PS está no governo e começa a destruição, a seguir vem o PSD para consertar as asneiras anteriores, mas como o faz sempre da pior forma, de seguida lá vem o prémio para aqueles que só fazem merda - a eleição do PS, para voltar a escacar o que os anteriores do PSD conseguiram amealhar. Tem sido assim desde há 40 anos. Só não vê quem não quer.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Democracia sem democratas - A gamela eleitoral

Decorre neste momento a campanha eleitoral para as próximas eleições europeias. O que se conclui do se ouve e vê por aí?
Conclui-se que, para não variar, a democracia e os seus representantes não estão preocupados com a democracia mas antes estão preocupados com as "gamelas" e com completar o máximo possível de lugares entre os seus "rapa-gamelas".

As acusações entre os diversos candidatos são patéticas, roçam a boçalidade mais primária, são mais do mesmo no pântano democrático em que se transformou a política portuguesa. A irresponsabilidade dos candidatos é assustadora sem que ninguém possa disciplinar e moralizar o debate político. O desprezo por esta gente é brutal, só os mesmos e os seus aparelhos partidários, que se estão cagando para os eleitores e para a democracia, pensam que não e que o povo continua a ligar alguma coisa ao que dizem e fazem.

Já se sabe que a abstenção vai ser altíssima, na ordem dos 70%, eu até acho que no momento actual ela deveria chegar aos 100%. No entanto, isso será impossível os aparelhos partidários e as clientelas assegurarão sempre os votos necessários. Assim sendo, o que fazer? Evidentemente votar, mas não em partidos que tenham representação parlamentar. A democracia parlamentar portuguesa continua a ser um partido único com cinco secções diferentes. Claro que alguns partidos fora do arco eleitoral não servem, mas outros poderão servir e é nesses que é preciso votar, em massa!

A União Europa e a democracia parlamentar portuguesa precisam de uma lição, e nada melhor do que aproveitar estas eleições para essa lição lhes ser aplicada.