sexta-feira, 17 de maio de 2013

O que é a Direita Portuguesa?

O que restou da direita política portuguesa é algo de muito indefinível, sem coluna vertebral. Esta situação origina-se por via da mesma ter começado a negar a sua essência, assim como se recusa a assumir-se de direita. Permeável ao politicamente correcto e muito densificada, esta mesma direita "estatelou-se" por completo sob a dominação cultural de esquerda.
A esquerda ganhou o combate cultural porque a direita se demitiu das suas obrigações, e a imposição das palavras e do vocabulário de esquerda permitiu que os seus esquemas intelectuais sejam hoje prática corrente. A dialéctica esquerdista é muito contraditória, não só em termos como também na sua acção concreta. A demagogia esquerdista não quer saber dos interesses colectivos superiores e apenas admite a existência do interesse particular, a chamada «atomização da sociedade».
 
Os sofistas actuais, tal como os antigos, usam e abusam das subtilidades intelectuais, desvirtuam o significado dos conceitos, mantendo-os num estado de indefinição até não saber do que se fala, e assim, a possibilidade de tudo dizer e contradizer permite à esquerda "encostar" a direita a um estado de pavorosa inexpressão.
A esquerda maneja as palavras com grande perfeição, conhecendo muito bem o poder da palavra, e sabendo-se que algumas palavras, mais do que outras, são "portadoras" de uma grande carga afectiva se associadas a alguns períodos negros da história.
 
Os chavões da esquerda, racista, fascista, homófobo, discriminador são litanias invocadas por via da pobreza argumentativa da esquerda, embora a mesma ganhasse o combate cultural, até ver, o seu suporte ideológico é formal e incoerente, recorrendo à descredibilização sistemática dos seus adversários, pela via da colagem dos tais chavões acima falados e/ou pela desconstrução permanente dos termos, sobretudo os que podem transportar a tal carga afectiva.
Numa sociedade de "doentes mentais" como a nossa, que ainda por cima se acha muito evoluída e não se cansa de dizer que vive no século XXI, o indivíduo de direita conservadora, a única que existe e que sempre foi de direita, é visto como o "mau" colando-se-lhe etiquetas estereotipadas e anátemas usados. Esta desqualificação do indivíduo de direita liga-se a um processo maior de desconstrução: é o fim do debate político saudável e do rebater de ideias.
 
O que a esquerda faz, de uma forma subtil, é suscitar a emoção generalizando e "adormecendo" o discernimento político do eleitor com a ideologia atomista, o interesse particular em detrimento do interesse colectivo superior. E como a direita não existe, o projecto da esquerda tornou-se muito tentador, e os que são contra este projecto são vistos pelos da esquerda como uns "filhos da puta" retrógrados, salazarentos e rançosos de baba fascista.
 
O que a esquerda esqueceu, assim como a direita pantanosa, é o facto de não poder existir sociedade política sem uma visão partilhada dos interesses que dizem respeito ao bem comum. Nenhuma sociedade pode ver o bem comum como uma soma de bens individuais, os quais não representam nenhum bem partilhado por todos, mas é isto que a esquerda quer; uma sociedade reduzida a uma adição de indivíduos e uma justaposição de minorias.