quinta-feira, 16 de maio de 2013

Onde está a Direita Portuguesa?

É sabido desde há muito que a direita portuguesa foi desaparecendo aos poucos. Este desaparecimento começou ainda antes do fim da monarquia, e estendeu-se durante o século XX, exceptuando o período do Estado Novo. São por demais conhecidas e debatidas as causas desse desaparecimento, mas uma delas não tem tido a devida atenção; toda a acção política se baseia sobre a forma como as elites e não o povo entendem e idealizam a sociedade.
 
Considerar o homem como uma "entidade moral", subordinando a política à moral e a economia à política, são consideradas atitudes "antiquadas" e "privativas de liberdade". O núcleo central do conservadorismo é abandonado sem apelo nem agravo pela direita portuguesa. 
 
A direita portuguesa comete um "pecado" de dimensões desastrosas, pois a mesma deveria saber que o "bem comum" consiste numa certa perfeição moral, e privando o homem da sua dimensão moral o mesmo cai na «armadilha materialista», tornando-se num simples consumidor e/ou produtor. Quer o liberalismo dos inícios do século XIX quer o comunismo dos inícios do século XX, não contavam certamente com aliados destes..
 
 
A direita portuguesa, que há muito abandonou o conservadorismo, sendo co-responsável pela tese liberalista saídas das "fossas maçónicas" que recusando o carácter orgânico da sociedade, ignora que a mesma repousa na Família célula base de todas as sociedades, preferindo e exaltando o cidadão.
Cidadão esse cada vez mais isolado em si, mergulhado numa salgalhada de princípios em que o "social" é responsável por uma preocupante ausência de políticas de natalidade e familiares, mas considera o aborto como um serviço. Mas o "social" não se fica por aqui; é ver as dificuldades com as pensões o problema de uma imigração de substituição, uma crise bem "social", cultural, moral e identitária.  
 
O que restou da direita política portuguesa, está em vias de desaparecer definitivamente. O PSD, partido que segundo definições mais rigorosas, é mais de esquerda do que de direita, anda há meia dúzia de anos a "dar tiros nos pés", o que provocará o regresso do pior partido político do século XX e ainda curto XXI ao governo. O outro, CDS, segundo definições também mais rigorosas, é mais centrista do que de direita, e a sua "Democracia - Cristã" está nas calendas.