quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Grandes verdades - Camilo Castelo Branco

«(...)  -Tens, portanto, cubiça de riquezas?
- Não. Tenho vontade de trabalhar para os meus filhos. Quero imitar meu pae.
- É louvável o propósito; mas duvido que presistas. Teu pae não morreu rico, segundo infiro do teu património.
- Tinha vinte contos quando morreu, porque os governos de Portugal aos quaes elle confiara a maior parte da sua «fortuna», roubaram-lh´a e deram-lhe um masso de papeis que se chamam títulos de diferentes côres. Eu devia ter cem contos, se Portugal não fosse uma cafrária.
- O resultado da ambição desmedida. Esse desastre foi uma lição que teu pai te deixou. Se elle se contentasse com cem contos, e não negociasse com os cafres portugueses, esperançado em dobrar o teu património, eras tu rico hoje. E serias mais feliz?
- Não.
- Cem contos compram muitíssimos gosos com muitíssimas phezes de tristesa, de doença, de remorso próprio e de alheias lágrimas.»
 
 
A Mulher Fatal - Camilo Castelo Branco - página 122.
 


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