quinta-feira, 30 de maio de 2013

As imperfeições da democracia segundo Pessoa

«O melhor regimen político é aquele que permita com mais segurança e facilidade o jogo livre e natural das forças (construtivas) sociais, e que com mais facilidade permite o acesso ao poder dos homens mais competentes para exercê-lo. É escusado acentuar que esse regimen variará de nação para nação, e, em cada nação, de época para época.
Sucede com o regimen democrático que, tendo, por sua mesma natureza, a primeira vantagem, é, por essa mesma natureza, o pior com respeito à segunda. A sua base liberal, dando azo a que as forças individuais se expandam sem constrangimento, garante a plena valorização destas forças, quanto nelas caiba. Mas o basear o seu sistema de governo num apelo a maiorias, forçosamente ignorantes e incultas - ou absolutamente, ou pelo menos, em relação ao resto do país - faz com que o acesso ao poder seja quase limitado a homens dotados para dominar ou sugestionar as maiorias, e as qualidades exigidas para esse fim não são as mesmas - são até por vezes contrárias - às que são exigidas para o governo de uma nação. Se a transmissão de poderes da maioria para o governo tivesse nos dominadores e sugestionadores das maiorias, não o seu termo, mas um ponto intermédio - isto é, se os eleitos do povo fossem, não seus governantes, mas apenas os que escolheriam os governantes, eleitos não para governar mas para escolher - então se poderia admitir uma certa facilidade de acesso ao poder de homens realmente competentes para exercê-lo. (...)
 
A república aristocrática é o sistema mais perfeito, porque é o mais estável. A monarquia absoluta depende de um homem; a república aristocrática é já uma instituição. Todos os outros sistemas de governo são maus. A chamada «democracia» é apenas uma oligarquia complexa, ou uma complexidade de oligarquias. A monarquia constitucional é má porque é a média entre o que morreu e o que não pode existir.»
 
In Teoria do Estado Moderno de Fernando Pessoa.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ao que chegou a democracia

Quando se chega a um ponto em que se pretende justificar tudo o que existe, seja bom ou mau, com a democracia é sinal de que não existe democracia. É paradoxal esta afirmação pois, como pode uma coisa não existir se se diz que ela existe? Analisando com alguma profundidade esta questão, a democracia existe formalmente mas nunca existe num patamar do qual as simples "massas" possam retirar daí algum provento. E como muito bem sabemos, a democracia dita parlamentar, que é mais ou menos a que vigora por todo o lado, baseia-se numa série de pressupostos e teses que nunca foram muito democráticos. A história explica muito bem porquê.
 
A democracia hoje, serve todo o tipo de torpezas inimagináveis, serve ambições sarcásticas e propósitos muito duvidosos. É ver como qualquer político de qualquer partido utiliza hoje o termo democracia: "uma muleta muito útil para outros voos". Enquanto o simples eleitor é "esfolado" no simples acto de se ver constrangido ao direito de voto, é "esfolado" economicamente e "esfolado" psicologicamente. A democracia actual sustenta-se sobre dois pilares que lhe dão forma, os interesses económicos monopolistas mundiais (Plutocracia internacional) e a agenda muito antiga de "passar a tratar a humanidade como gado" (governo único mundial de inspiração maçónico-satânica).
 
Todo aquele que manifestar "frescura de espírito" denunciando o óbvio, e volto a referir, O ÓBVIO, é acusado de antidemocrata, inimigo da liberdade. A democracia é ré e carrasco ao mesmo tempo, conforme as conveniências e a flutuação das opiniões. A cada nova investida, uma deslocação massiva de rebeliões democráticas, como não podia deixar de ser, tratam de anular dissidências lançado para a frente as palavras de ordem´: «Estamos em democracia», e como estamos em democracia vale tudo, até retirar legitimidade democrática a todos os que não concordam com a agenda globalista, sobretudo a que diz respeito à transgressão gravíssima da genealogia e da biologia intrínseca do ser humano, sem esquecer o aborto, a eutanásia, o utilitarismo radical e a inversão da moral e dos costumes.
 
Não existe democracia, porque a democracia tem de ser muito mais do que um jogo perverso, onde uma agenda inimiga dos povos pretende ditar leis.
 
 
 

A inversão moral de um país - a Geneofobia

Depois de ontem ter visto uns resumos do "prós e contras" de segunda feira última, porque não vejo televisão, era capaz de me passar com o que ouviria e partiria a televisão e claro que ela não teria culpa. Mas do que vi e ouvi desses tais resumos, de diversas fontes, aquilo parecia a coisa mais natural e absurda do mundo em simultâneo. Natural porque os que defendem (não chamo coadopção mas sim "Geneofobia") a Geneofobia, estão convencidos e imbuídos de uma "fé" que os faz acreditar que é possível mudar a ordem natural das coisas. Vivem num paraíso gnóstico onde a norma comum é o combate a tudo o que diga respeito às mais altas aspirações humanas, a moral para eles é um "trapo roto". Em nome de taras e perversões "pansexualistas" aplica-se ao homem uma realidade alternativa que não é mais baseada na genealogia e nem sequer num mundo onde a separação dos sexos e a complementaridade dos mesmos é imperativo biológico e ontológico. Não há dois pais nem duas mães, em lado nenhum do universo, nem em Andrómeda, nem na Grande Nuvem de Magalhães e nem tão pouco na espiral NGC298-A. Nem num possível universo de anti-matéria poderia haver dois pais ou duas mães, porque a dualidade sexual, a complementaridade macho e fêmea, é norma de qualquer mundo. Só mentes retrógadas, que desejam voltar a uma possível androginia, seriam capazes de imaginar e desenvolver tal projecto.
 
E esta tentativa absurda de mudar o mundo, indicia claramente que se pretende a prazo, e de uma forma ou de outra, terminar com a procriação natural, e atirar com todos os machos e fêmeas para as calendas. Bem vindo ao melhor dos mundos: "escolha o seu bébé por catálogo, os mais bonitos e fortes são mais caros, mas também temos bébés mais baratos, claro que são mais feios e não tão fortes".
 
Mas a coisa não ficará por aqui, além do corte genealógico, pretende-se igualmente o corte biológico, para de seguida se praticarem grandes orgias pedófilas, filhos com quatro ou cinco pais ou mães serão a coisa mais comum do planeta.
 
Os possíveis extraterrestres que por aqui passarem nestas órbitas, assustar-se-ão enormemente com estado de paneleiragem generalizado, mas o que mais os assustará será a pedofilia legalizada por lei, maldirão os nossos pecados, perdoai-lhes senhor, pois estes não sabem mesmo o que fazem.
 
De animais racionais regredimos a bestas, e aqueles que desenvolveram as teorias do "cagar para dentro" e "do mijar para o ar" são aqueles mesmos que usam um "rolo de massa" e "triângulos" com fartura, prumos sem fio e talocha sem cabo, avental de jerico e penico de quintal, colher de trolha, A VERDADEIRA ENTRADA PARA O INFERNO, SE O INFERNO ESTÁ NA TERRA COMO SE COSTUMA DIZER, ENTÃO, A ENTRADA PARA O INFERNO, FICA MESMO ALI AO LADO, ONDE SÍMBOLOS SÃO PROFANADOS E O HOMEM REDUZIDO Á SUA CONDIÇÃO DE SIMPLES BESTA, TAL COMO OS PRIMEIROS HUMANOÍDES ANDRÓGINOS.
 
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A democracia da ilga Portugal

«Não há nenhum valor democrático que possa ser invocado no sentido de inviabilizar a adopção de crianças por casais homossexuais», diz o presidente da ilga Portugal, Paulo Côrte-Real, numa notícia do JN.
Em primeiro lugar, não sei se este indivíduo sabe o que é a democracia, ou melhor dito, de que conceito de democracia enferma aquela cabeça. Em segundo lugar, esta afirmação deixa implícito que todos os que contestam tal decisão, da adopção de crianças por homossexuais, são anti-democratas primários. A subversão ideológica é o pano de fundo sob o qual se desenrola uma patranhice muito útil a certos planos.
Em terceiro lugar, não sei o que é um casal homossexual. E que venha lá quem quiser argumentar sobre a possibilidade de existência de qualquer "Casal" homossexual, porque a etimologia da palavra "Casal" o diz claramente: "Casal" é macho e fêmea, sempre foi e sempre será, independentemente das patologias ontológicas das mentes gnósticas.
 
Não só, contestar esta lei, é um acto muito democrático, como também essencial e apelativo. A única situação antidemocrática aqui é a ilga e o seu (des)responsável máximo, Paulo Côrte-Real, que pretende enviesar as opiniões contrapondo uma espécie de censura saída directamente de uma inquisição mental sem paralelo na nossa história contemporânea.
 
 
Chegou a altura de alguém dizer a estes indivíduos: ide cavar batatas e roçar mato para o monte; para dizer asneirolas destas mais valia ter-vos posto a "defensores da não castração dos animais".

terça-feira, 21 de maio de 2013

A incompatibilidade jurídica entre o povo e a democracia

Em um post anterior fez-se a transcrição de um excerto do livro O Culto da Incompetência de Émile Faguet, livrinho escrito há mais de cem anos mas com uma actualidade impressionante! De seguida segue mais um excerto desse livro que é, na minha opinião, arrasador!: «A fábrica das leis é um verdadeiro armazém de novidades; talvez, melhor ainda, um jornal. E, senão, vejamos. Todos os dias se faz uma interpelação, é o artigo da polémica; interrogam-se os ministros várias vezes no mesmo dia, acerca de pequenos casos que se deram em diversos pontos, é o romance de folhetim ou o conto da secção literária, faz-se uma lei a propósito de um caso passado na véspera, é o artigo de fundo; há murros nas carteiras e às vezes nos próprios deputados, são os acontecimentos do dia. Tal é a mais exacta representação do país, a sua imagem fiel; tudo que se passou de manhã é tratado no parlamento à tarde como no café de Casteltartarin; é a lupa do país tagarela. Ora uma Câmara Legislativa não deve ser a imagem do país, mas sim a sua alma e o seu cérebro; contudo, pelas razões já expostas, a representação nacional, representando apenas as paixões do país, não pode deixar de ser o que é, ou, por outros termos, a democracia moderna não é governada por leis, mas por decretos, por isso é que as leis de ocasião são simples decretos e nunca leis. Uma lei é uma disposição antiga, consagrada para uso prolongado, a que se obedece quase sem se dar por isso, disposição essa que faz parte de um conjunto meditado, coerente, lógico e harmonioso de prescrições. A lei baseada em circunstâncias de momento não é mais do que um decreto.»
 
Estas palavras, para quem ler o excerto com atenção, são não só proféticas como se ajustam na perfeição à nossa sociedade actual. Existe uma grande incompatibilidade entre o que afirma a democracia em termos de leis e a sua efectivação no plano social, para além de que com "uma qualquer fábrica de leis" qualquer tara e vício perverso passam por lei a ser legais e muito recomendáveis. É a lei *à la carte.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Grandes momentos do futebol mundial - Final da Taça de Inglaterra 1989

Uma tarde de maio de 1989, no velhinho Wembley, Liverpool - Everton, final da Taça de Inglaterra. Grande jogo de futebol, de um lado Grobellear, Hanson, Wheelan, Mc.Mahon, Steve Nicol, John Aldridge, Ray Houghton e claro, Ian Rush, e do outro, Sharp, Ratcliff, Southall, Kevin Sheedy, Steven.
 
O Liverpool liderou o marcador até aos 88 min. (1-0), mas o Everton consegue empatar nessa altura;
EXPLOSÃO DE ALEGRIA ENTRE OS ADEPTOS DO EVERTON, QUE INVADEM O RELVADO, ABRAÇANDO-SE AOS SEUS JOGADORES, LEVANTANDO-OS NO AR E DANDO-LHES BEIJOS. DEMOROU UNS DOIS MINUTOS A RETIRAR AQUELA GENTE DALI E CONTINUAR COM O JOGO. No prolongamento o Liverpool teve mais frescura física e conseguiu vencer por 3-2. Mas que foi um dos grandes jogos de futebol, não só pelo excelente jogo a que assisti, mas também pela involvência e pelo espectáculo que o evento ainda possuía.

A democracia detesta a perfeição

«O que o povo quer, após a tarântula democrática o picar? Primeiro, quer que todos os homens sejam iguais e, portanto, deseja que todas as desigualdades desapareçam, quer essas desigualdades sejam artificiais, quer naturais. Não quer desigualdades artificias ou convencionais, como a nobreza de nascimento, mercês do rei, riqueza de nascimento, e é partidário da abolição da nobreza, da realeza e das heranças; também não gosta das desigualdades naturais, isto é, não gosta que um homem seja mais inteligente, mais activo, mais valente, mais hábil que outro.
Não pode, é certo, o povo destruir estas últimas desigualdades; mas pode neutralizá-las, torná-las inúteis, afastando dos empregos públicos todos aqueles que as possuam. Portanto, o povo é levado natural e, por assim dizer, forçadamente a afastar os competentes, precisamente por serem competentes, ou, se quiserdes assim e como ele diria, não como competentes, mas como desiguais, ou, como o povo ainda diria se quisesse desculpar-se, não como desiguais, mas como suspeito de anti-igualitários, uma vez que são desiguais, o que, no fundo, vem a ser tudo a mesma coisa. Foi isto que levou Aristóteles a dizer que a democracia estava onde quer que houvesse desprezo pelo merecimento.»
 
 
Este pequeno trecho pertence ao livro de Émile Faguet, O Culto da Incompetência, livro escrito por volta de 1896, e passados mais de um século dessa data, não podemos deixar de ficar estarrecidos com a actualidade do que acima se descreveu.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O que é a Direita Portuguesa?

O que restou da direita política portuguesa é algo de muito indefinível, sem coluna vertebral. Esta situação origina-se por via da mesma ter começado a negar a sua essência, assim como se recusa a assumir-se de direita. Permeável ao politicamente correcto e muito densificada, esta mesma direita "estatelou-se" por completo sob a dominação cultural de esquerda.
A esquerda ganhou o combate cultural porque a direita se demitiu das suas obrigações, e a imposição das palavras e do vocabulário de esquerda permitiu que os seus esquemas intelectuais sejam hoje prática corrente. A dialéctica esquerdista é muito contraditória, não só em termos como também na sua acção concreta. A demagogia esquerdista não quer saber dos interesses colectivos superiores e apenas admite a existência do interesse particular, a chamada «atomização da sociedade».
 
Os sofistas actuais, tal como os antigos, usam e abusam das subtilidades intelectuais, desvirtuam o significado dos conceitos, mantendo-os num estado de indefinição até não saber do que se fala, e assim, a possibilidade de tudo dizer e contradizer permite à esquerda "encostar" a direita a um estado de pavorosa inexpressão.
A esquerda maneja as palavras com grande perfeição, conhecendo muito bem o poder da palavra, e sabendo-se que algumas palavras, mais do que outras, são "portadoras" de uma grande carga afectiva se associadas a alguns períodos negros da história.
 
Os chavões da esquerda, racista, fascista, homófobo, discriminador são litanias invocadas por via da pobreza argumentativa da esquerda, embora a mesma ganhasse o combate cultural, até ver, o seu suporte ideológico é formal e incoerente, recorrendo à descredibilização sistemática dos seus adversários, pela via da colagem dos tais chavões acima falados e/ou pela desconstrução permanente dos termos, sobretudo os que podem transportar a tal carga afectiva.
Numa sociedade de "doentes mentais" como a nossa, que ainda por cima se acha muito evoluída e não se cansa de dizer que vive no século XXI, o indivíduo de direita conservadora, a única que existe e que sempre foi de direita, é visto como o "mau" colando-se-lhe etiquetas estereotipadas e anátemas usados. Esta desqualificação do indivíduo de direita liga-se a um processo maior de desconstrução: é o fim do debate político saudável e do rebater de ideias.
 
O que a esquerda faz, de uma forma subtil, é suscitar a emoção generalizando e "adormecendo" o discernimento político do eleitor com a ideologia atomista, o interesse particular em detrimento do interesse colectivo superior. E como a direita não existe, o projecto da esquerda tornou-se muito tentador, e os que são contra este projecto são vistos pelos da esquerda como uns "filhos da puta" retrógrados, salazarentos e rançosos de baba fascista.
 
O que a esquerda esqueceu, assim como a direita pantanosa, é o facto de não poder existir sociedade política sem uma visão partilhada dos interesses que dizem respeito ao bem comum. Nenhuma sociedade pode ver o bem comum como uma soma de bens individuais, os quais não representam nenhum bem partilhado por todos, mas é isto que a esquerda quer; uma sociedade reduzida a uma adição de indivíduos e uma justaposição de minorias. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Onde está a Direita Portuguesa?

É sabido desde há muito que a direita portuguesa foi desaparecendo aos poucos. Este desaparecimento começou ainda antes do fim da monarquia, e estendeu-se durante o século XX, exceptuando o período do Estado Novo. São por demais conhecidas e debatidas as causas desse desaparecimento, mas uma delas não tem tido a devida atenção; toda a acção política se baseia sobre a forma como as elites e não o povo entendem e idealizam a sociedade.
 
Considerar o homem como uma "entidade moral", subordinando a política à moral e a economia à política, são consideradas atitudes "antiquadas" e "privativas de liberdade". O núcleo central do conservadorismo é abandonado sem apelo nem agravo pela direita portuguesa. 
 
A direita portuguesa comete um "pecado" de dimensões desastrosas, pois a mesma deveria saber que o "bem comum" consiste numa certa perfeição moral, e privando o homem da sua dimensão moral o mesmo cai na «armadilha materialista», tornando-se num simples consumidor e/ou produtor. Quer o liberalismo dos inícios do século XIX quer o comunismo dos inícios do século XX, não contavam certamente com aliados destes..
 
 
A direita portuguesa, que há muito abandonou o conservadorismo, sendo co-responsável pela tese liberalista saídas das "fossas maçónicas" que recusando o carácter orgânico da sociedade, ignora que a mesma repousa na Família célula base de todas as sociedades, preferindo e exaltando o cidadão.
Cidadão esse cada vez mais isolado em si, mergulhado numa salgalhada de princípios em que o "social" é responsável por uma preocupante ausência de políticas de natalidade e familiares, mas considera o aborto como um serviço. Mas o "social" não se fica por aqui; é ver as dificuldades com as pensões o problema de uma imigração de substituição, uma crise bem "social", cultural, moral e identitária.  
 
O que restou da direita política portuguesa, está em vias de desaparecer definitivamente. O PSD, partido que segundo definições mais rigorosas, é mais de esquerda do que de direita, anda há meia dúzia de anos a "dar tiros nos pés", o que provocará o regresso do pior partido político do século XX e ainda curto XXI ao governo. O outro, CDS, segundo definições também mais rigorosas, é mais centrista do que de direita, e a sua "Democracia - Cristã" está nas calendas.
 
 
 
  

terça-feira, 14 de maio de 2013

A liberdade é falsa e sinónimo de materialismo

A partir de meados do século XVIII com a emergência da ciência moderna, o homem descobre a possibilidade de manipulação da matéria. Substitui assim o primado da contemplação desinteressada da natureza pelo primado da acção concreta sobre a natureza com fins utilitaristas.
Segundo a expressão cartesiana, o homem torna-se «mestre e possuidor da natureza», herdeiro de um novo fogo "Prometeano".
 
A liberdade passa a ser concebida em termos de potência e poder [de manipulação da matéria], preâmbulo da era das grandes invenções. Quando o Eticismo humano se reduz à sua inexpressão, a liberdade destitui-se da sua capacidade de amar e de consentir ao bem. A possibilidade do mal passa a ser a condição do exercício da nossa liberdade - e neste contexto materialista - a ausência de impedimentos exteriores, a liberdade nada mais representa que um puro movimento de inércia humana. O Maio de 68 representou o culminar da antropologia hobesiana e spinoziana: "É proibido proibir" .
 
Paradoxalmente, ou talvez não, o determinismo físico ao qual se reduz a concepção de liberdade [liberdade(s) negativa(s)] opõe-se ao exercício propriamente dito de liberdade, que supõe com efeito um certo indeterminismo da vontade.
 
O homem sendo livre, segundo os cânones modernos, não existe à "maneira do mundo físico", a natureza humana não existe, o homem é apenas um projecto. Evidentemente que o termo natureza se presta a várias interpretações, por causa das suas diversas acepções, que se tornaram fonte de problemas e equívocos. A natureza humana não era muito evocada no tempo da filosofia clássica, apenas se tentaram algumas aproximações ontológicas relativas ao ser, mas nunca foi evocada em termos científicos. A natureza era vista em termos qualitativos e não em termos quantitativos.
 
No domínio ético, a lei natural não se opõe à liberdade individual (é ver a mentira dos nossos dias que afirma o contrário): ela não é uma lei física que determina os comportamentos, mas sim uma lei moral que serve sobretudo para disciplinar as nossas consciências. Neste plano, a liberdade é considerada como uma condição da responsabilidade, uma capacidade de síntese entre as exigências humanas e a recta razão, para assim se poder criar um «bem propriamente humano».
 
 
Inexistente ou impenetrável, privada de consistência ontológica, a natureza deixou de ser vista pelos modernos um princípio de determinação ética. O racionalismo dos nossos dias proíbe toda a perspectiva qualitativa da natureza: o homem apenas se representa tendo em conta a matéria e o número, em suma, a quantidade.
 

sábado, 4 de maio de 2013

O Estado Novo e a Mitologia à portuguesa pós-modernista

Já se sabe que aqui no cantinho muito democrático, de cada vez que se fala no Estado Novo e "naquele indivíduo", o "estado de comichão" é tal que quase poderíamos ser linchados.
 
A mitologia portuguesa continua a dizer e a ensinar que a causa do atraso de Portugal deve-se "àquele senhor" e ao fascismo do Estado Novo. Só que a realidade é bem o contrário disso tudo, e são muitos os estudos que o provam; Portugal nos anos 1950 começa a crescer a um ritmo imparável. E o atraso de Portugal começa em dois períodos diferentes, no «longo século XIX português», e nos vergonhosos primeiros dezasseis anos da república portuguesa. Com  Salazar começa a convergência em relação ao resto da europa. Por muito que possa custar ouvir isto, esta é a realidade, e só lastimo que o homem não tivesse vivido mais tempo, para ver um Portugal muito mais moderno do que aquele que os "panteístas democratas" cá do sítio efectivaram.
Quanto ao patético epíteto de fascista, o mesmo nunca se poderia aplicar ao Estado Novo, pois como é sabido, o fascismo foi um fenómeno exclusivamente italiano. Não deixa de ser irónico que a esquerda portuguesa dos anos 1920 tenha glorificado Mussolini e o seu movimento, e hoje, passados quase cem anos, a esquerda utilize o termo unicamente para descredibilizar e achincalhar quem não pense como eles. É pena que a ignorância pública (opinião pública), esteja ao lado dos circuitos politicamente correctos...
 
Como os portugueses são um povo desconhecedor da sua história, quer por iniciativa própria quer por influência externa aos mesmos, as diversas teses anti - salazaristas foram obviamente muito fáceis de preparar e germinaram como erva luzidia num dia de primavera, a tal ponto, que a mentira mais descarada e desescrupulosa toma conta dos espíritos muito voláteis e frágeis, muito propensos à mentira e à manipulação gratuita.
 
E os três grandes mitos dos "panteístas democratas" cá do sítio: O orgulhosamente sós  anti - europeu, o Estado Novo e o Fascismo como causa de atraso de Portugal, e o Salazar "bonequinho" da igreja católica caíram por terra há muito tempo.
 
Claro que aos sectores politicamente correctos, e sobretudo, aos esquerdistas empedernidos e paternalistas, tais factos são muito difíceis de "engolir" e causam muita mossa, como tal, a mentira tem de continuar