segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A maçonaria é a madrinha da revolução de 1789 II

«Quando se começa a estudar com seriedade a franco-maçonaria e a revolução de 1789, duas obras essencias surgem como principais informadoras, a do abade Barruel, contemporâneo dos acontecimentos e um século mais tarde, a do historiador Auguste Cochin. A considerável obra de Barruel desenvolve a ideia, e os factos que a provam, segundo a qual o antigo regime foi dinamitado pela acção de quatro homens: Voltaire, d´Alembert, Frederico II da Prússia e Diderot. São considerados por Barruel como os fundadores do jacobinismo, considerada como uma seita fundada sobre os valores subversivos da igualdade e liberdade e muito eficazmente estruturada a partir das redes das diversas lojas maçónicas, nas quais os quatro citados circulavam. Segundo Barruel, eles recrutavam, e propagandeavam as suas ideias, arrebanhando muitas pessoas com uma hábil subversão pela acção dos núcleos dirigentes que ajudaram a manobrar a revolução. A tese da conspiração foi considerada exagerada por grande parte dos historiadores da Revolução e da maçonaria. Um século mais tarde, a obra de Barruel foi duramente julgada até por Auguste Cochin, designando-a por "Uma conspiração do melodrama e um sabat de fundo de loja". Os escritos de Barruel foram bastante criticados, sobretudo por aqueles que consideram que a maçonaria nada tem a ver, em essência, com  a Revolução. Mas, lendo-se a obra e os severos julgamentos no seu devido lugar, parece-nos que muita gente que o critica nunca leu uma página dos seus escritos. [...]
A tese de Barruel apoia-se sobretudo nas duas afirmações seguintes:
1- A primeira tem a ver com a influência do chamado "partido filosófico", onde se deve incluir Rousseau, Montesquieu, Condorcet e outros enciclopedistas; apesar das diferenças, das divergências e das invejas e até da raiva que uns sentiam pelos outros.
2- A segunda diz respeito à subversão que a franco-maçonaria utilizou para seu proveito usando os jacobinos para esse efeito. Barruel "não deixa de desenvolver as distinções entre os franco-mações" e não ataca a maçonaria inglesa, o que nada quer dizer, pois a maçonaria moderna nasceu em Inglaterra! Barruel exila-se na Inglaterra no ano de 1792, essa Inglaterra tão maçónica do final do século XVIII, estando o mesmo já precavido por via dessa incongruência dizendo:

O governo e todo o Cristianismo estariam há muito perdidos em Inglaterra, se os maçons tivessem sido iniciados nos últimos mistérios da seita. Há muito tempo que existem numerosas lojas neste país, que lhes permitiu cumprir um papel significativo na sociedade inglesa. (...)
Numa só palavra, as excepções a ter em conta por via dos maçons honestos, foram e são ainda tão numerosas, que se tornam elas mesmas um mistério inexplicável para todos os que não compreenderam a história e os princípios da seita (memórias para servir a história do jacobinismo, Augustin Barruel, Diffusion de le pensée Française, p.412)

Lembremos aqui que depois de se exilar em Inglaterra Barruel foi acolhido por Edmund Burke o grande e brilhante historiador e contra-revolucionário inglês. Burke era membro da Jerusalem Lodge nº44, não tinha grande estima por Barruel e relativamente à maçonaria francesa manifestava a maior repulsa.
Excepção feita à Inglaterra e aos seus honestos maçons, a oposição exprimida por Barruel à maçonaria tem a ver com a seita jacobina desenvolvida segundo o mesmo nas "lojas traseiras". Aqui segue o que o mesmo entende por "loja traseira":

O que entendo por loja traseira tem a ver com os últimos graus da maçonaria, abarcando em geral todos os maçons que, após terem passado os três primeiros graus, se encontram excessivamente zelosos para serem admitidos aos graus seguintes, e por fim ao grau onde o veú é rasgado, onde não há mais emblema nem alegoria, onde o duplo princípio de igualdade e liberdade se explica sem equívocos, reduzindo-se a estas palavras: "Guerra ao Cristo e aos seu culto, guerra aos reis e a todos os tronos".


Continua.


Tradução feita do livro Vérités sur la Franc- Maçonnerie de Bernard Antony.
 

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