sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A maçonaria é a madrinha da revolução de 1789

«A alta nobreza do reino, estava em peso na maçonaria, facto que serviu para alguns historiadores excluirem a maçonaria dos conluios da revolução e dos respectivos horrores que se lhe seguiram.
Os que não concordavam com a acima exposto, consideravam que não haveria revolução sem a acção da maçonaria. Estamos perante uma das questões mais controversas não somente da história de França, mas também da vida política mundial até aos nossos dias, se a maior parte das obediências maçónicas e nomeadamente o Grande Oriente e a Grande Loja entendem que possuem poder sobre a política, outras afirmam seguir a tradição apolítica, segundo as mesmas, da maçonaria tradicional, negando que estivessem por detrás da Revolução de 1789. Sem paradoxo, encontramos acordo para defender a afirmação da sua participação na Revolução, franco-maçons que não se cansam de exclamar pertencer à Ordem que fundou a República e, com nuances na análise, de pensadores e historiadores contra-revolucionários. Citemos a propósito o célebre discurso de Lamartine, que não era maçon, no Hotel de Ville de Paris a 13 de Março de 1848 perante cerca de mil maçons que celebravam a vitória da revolução republicana que indubitavelmente tinha sido conduzida pelo Grande Oriente de França: é do fundo das vossas lojas que emanam primeiramente, na sombra, depois a meia-luz e por fim em plena luz, os sentimentos que provocaram a sublime explosão de que fomos testemunhas em 1790. Os vossos princípios tornaram-se nos princípios da República Francesa (Histoire des francs-maçons en France, Daniel Ligout, Privat, p.222)
Expressão que se escuta com mais frequência em milhentos discursos de maçons, e nas salas de recepção do Eliseu. Afirmação de que a essência, a especifidade da República Francesa,  são de índole maçónica. O antigo Grande Mestre do Grande Oriente, Bauer, repetia frequentemente: a franco-maçonaria é a igreja da república.
 
Lamartine tinha muito coisa em comum nas suas ideias e discursos com as teorias do abade Barruel, autor das Memórias para servir à história do jacobinismo. Em total oposição à afirmação da consubstancialidade da maçonaria e da Revolução, se revelou o grande Joseph de Maistre, ele próprio maçon, iluminista (termo que encerra diferentes proveniências) que afirmava: A franco-maçonaria que data de diversos séculos não tem certamente nos seus princípios nada de comum com a revolução francesa.
 
Notemos imediatamente a expressão "nos seus princípios". Aqui é que se encontra o nó cego da questão. Não está fora de questão a participação de muitos maçons não apenas no germinar das ideias revolucionárias mas também na acção propriamente dita. O debate centra-se não sem incidência, sobre o papel da franco-maçonaria enquanto instituição que desempenhou ou não um uma acção decisiva, na subversão do antigo regime.
 
Continua.
 
 
Tradução feita do livro Vérités sur la Franc-Maçonnerie de Bernard Antony

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