sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Da fronteira de Deus à redescoberta do religioso

A palavra "fronteira de Deus" pode parecer um absurdo, pois, se Deus é omnipotente não há para ele qualquer fronteira. Na realidade, o que a humanidade tem vindo a fazer de há 150 anos para cá, é aumentar a sua fronteira para com Deus, eliminando progressivamente de suas vidas a noção de religião e de Deus.

Em consonância com os factos, o desligamento de Deus provoca o vazio pavoroso que habita na alma do homem dito moderno. Sem ideias, sem objectivos, sem interesses fortes, desenraízado, amorfo e conformista, fortemente formatado pelas falácias do progressismo e do naturalismo.

Martin Buber, filósofo austríaco, chamou a atenção para o estado lastimoso da palavra Deus. Dizia o mesmo que era a palavra mais vilipendiada de todas.
Em seu nome (de Deus) se matou e mata, se morreu e morre. Outros houveram ainda que enlouqueceram e ainda enlouquecem, como sejam os seguidores de Hegel, Feuerbach, Rousseau, Marx, Nietzche e outros. O que estes modernos pensadores nunca entenderam foram as palavras de S. Tomás de Aquino, que teve o cuidado na sua Summa Theologiae logo no início de esclarecer que não pretendia esclarecer o que era Deus, mas sim o que não era.

Nos meados do século XIX, vários pensadores europeus estavam convencidos de que a religião iria desaparecer e que haveria alternativa a Deus. As suas previsões quase que aconteciam, se é que não aconteceram já, mas o regresso do religioso é inevitável.