quarta-feira, 27 de junho de 2012

Moderno conceito de democracia

«A democracia moderna, o sistema política que nasceu da Revolução Inglesa, e inundou a Europa através do fenómeno inglês chamado a Revolução Francesa, assenta em três bases: o princípio do sufrágio como base da vida política; o princípio chamado "liberalismo", cuja substância consiste na tendência para abolir os privilégios de certas classes ou pessoas, e de restabelecer entre os homens a maior igualdade possível; e o princípio a que melhor se pode chamar "pacifismo" que significa que a vida das sociedades, essencialmente comercial e industrial, é só episodicamente, ou por um resto de "atraso", guerreira, e que a paz entre os povos é o estado normal, ou que deve ser normal, na vida social. É isto que resume o lema "liberdade", "igualdade", "fraternidade", que a Revolução Francesa converteu em Santíssima Trindade para uso de quem não tem religião.
É fácil demonstrar que os "princípios" democráticos são essencialmente dirigidos contra a opinião pública, contra o povo e contra a própria essência de toda a vida social, que a Democracia é o resumo de tudo quanto seja antipopular, antisocial e antipatriótico. (...)

Num regímen natural - aristocracia ou monarquia pura - podem existir outros males e defeitos, mas nenhum tão grave como este. É que o princípio do sufrágio político é, na sua essência, como vimos, não só não-social, mas anti-social. Admiti-lo em uma sociedade é fazer-lhe escolher veneno para alimento.
Nas sociedades tradicionalistas são talvez os Mortos que mandam; nas sociedades democráticas, porém, é a morte que manda.
Demonstrado, assim, que a Democracia moderna é radicalmente anti-social, pois que um dos seus princípios fundamentais, o do sufrágio político, é substancialmente antagónico, por "intelectual", ao não-intelectualismo que caracteriza as manifestações do instintivismo social e da "opinião pública", manifestação dele e base reconhecida de toda a vida política.


In "Fernando Pessoa o antidemocrata pagão" - Ruy Miguel