sábado, 10 de novembro de 2012

Liberdade e liberdades

«Só a ingenuidade ou a engenhosidade política de Jacques Maritain, nos poderia levar a abrir um capítulo deste género na autópsia da democracia individualista.
Para Maritain, a sociedade democrática tem sempre de estar alerta, porque aqueles que se lembram das lições da História, sabem que uma sociedade democrática não deve ser uma sociedade desarmada, que os inimigos da liberdade pudessem tranquilamente conduzir ao matadouro, em nome da liberdade.
 
Este período do conhecido filósofo progressista é uma triste apologia da sociedade democrática, porque admite que haja nela homens actuando em nome da liberdade, inimigos da liberdade, o que é paradoxal...»  -  Prof. Doutor Jacinto Ferreira -  Para Um verdadeiro Governo do Povo, pág. 88.
 
 
Triste apologia da sociedade democrática, porque admite que haja nela homens actuando em nome da liberdade, inimigos da liberdade.
 
 
«Por outro lado, aceita que a sociedade democrática possa ser abatida em nome da liberdade, o que constitui uma confissão implícita de que ela, em dado momento, possa encontrar-se em oposição à liberdade, ainda que mais não seja para defender a sua existência.»
 
Ainda segundo o mesmo autor, é destas situações altamente paradoxais que nasce a célebre frase, de cunho abrilino, "de que não há liberdade contra a liberdade".
 
Sempre segundo o autor antedito, os patifes que aspiram a dominar os homens, apresentam-se sempre como os servidores dos mesmos, para os tornarem livres (aqui e sempre, qual o verdadeiro significado de livre?). Não há homem nenhum, por mais democrata que seja, capaz de, deliberadamente, se entregar nas mãos de qualquer patife, os patifes só se revelam tais, depois de terem ludibriado os cidadãos.
 
 
 
Este livro não é muito antigo, foi publicado em 1963, no tempo do "fascista", mas uma coisa é certa, qualquer semelhança com estes ditos aqui transcritos não é ficção nem obra do acaso.
 
 
 

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