quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A burla democrática

«A burla que caracteriza fundamentalmente o sistema, manifesta-se já antes da eleição, isto é, durante o período de propaganda mantém-se durante a eleição, e persiste após a eleição.
Antes da eleição o cidadão médio é levado a acreditar, sob a influência que nele exercem indivíduos intelectualmente superiores a ele, que lhe basta acorrer às urnas para assegurar para si uma suficiente participação no mando. Após a eleição, é vulgar vários partidos unirem-se para constituirem a maioria parlamentar, e estabelecerem um governo comum que realiza alguns dos pontos previstos nos respectivos programas. E o votante, que pôs no acto eleitoral todo o seu entusiasmo e dedicação, sente-se enganado, e pergunta porque o incomodaram com programas distintos e irredutíveis, obrigando-o a perder tempo e dinheiro - porque não há coisa mais cara na vida pública, do que umas eleições gerais. Mas se quiser protestar contra o abuso dos dirigentes partidários, só o poderá fazer no fim de um certo número de anos, passando-se para outro grupo mais à direita ou mais à esquerda, a menos que resolva, enojado, ficar em casa a engrossar a falange dos desiludidos.
Na prática - diz A. Frantzen - o governo democrático é um monopólio nas mãos de uma classe desprezada: a dos políticos.»
 
 
In "Para Um Verdadeiro Governo Do Povo" - Prof. Doutor Jacinto Ferreira
 
 
 

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