segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Primórdios do liberalismo em Portugal - III

Segundo Luís A. de Oliveira Ramos no seu livro "Sob o Signo das «Luzes»" a páginas 151 é dito o que se segue: «No Porto, em Lisboa, os mações mais avançados, no que toca a opções políticas, além de se constituírem, no dizer de um relatório, em filósofos da presente época, vergastavam, declaradamente, o trono e o altar e abonavam o governo dos franceses, assim preparando o caminho para a sociedade liberal. (...) Em 1803, os inquisidores de Lisboa increparam os pedreiros-livres por só amarem os padres e reis enquanto virtuosos, doutrina que consideravam injuriosa da suprema autoridade de um e de outro poder, isto é, do poder civil e eclesiástico, e agravada por patentes sinais de indeferentismo religioso.»

Por estas e por outras é que os inquisidores diabolizaram a maçonaria, considerando-a como atentatória da segurança, do estado, da monarquia e das instituições católicas. Sendo assim merecedora de um exemplar castigo a executar pela justiça temporal. Ao contrário do que pretendia Barruel, a maçonaria não foi a principal causa da revolução de 89, mas teve grande contribuição na difusão dos ideais revolucionários, revolução essa que desencadeou um processo de blocos internacionais e de objectividades comerciais, cujo resultado final se cifrou numa amálgama de interesses, muito mal interpretados quando se reduzem à sua expressão mais simples.
 
Até às invasões napoleónicas, Portugal manteve-se fiel à sua estrutura absolutista, quer no campo social e político, quer no campo do poder e da economia. Os intérpretes do absolutismo, oriundos dos mais diversos extractos sociais, perfilhavam, na sua grande maioria, a fidelidade à monarquia pura vigente na metrópole e no império.
Só no período pós-invasões napoleónicas se começa a comentar a necessidade de substituir o regime absoluto por um regime de liberdade, análogo ao de outros países europeus. Os partidários do liberalismo buscavam e anseavam uma «nova ordem política» que restaurasse Portugal, que promovesse a sua regeneração e melhorasse as condições de vida do seu povo. Tal «nova ordem política» revelar-se-ia falsa e aziaga, como a história se encarregaria de demonstrar.
 
A situação de Portugal entre 1807 e 1821 era extremamente confusa. O soberano residia no Rio de Janeiro para onde fugira juntamente com a Corte em 1807, para não ser caçado pelos franceses, tentando governar de lá, sem força e sem eficácia. No continente, a regência encarregue do reino de Portugal mostrava-se totalmente incapaz de resolver os problemas do país, e para agravar a situação, seguia em tempo de penúria dinheiro para o Brasil para sustentar a Corte e para as tropas defenderem esse reino dos vizinhos. Esta situação gerou um amplo descontentamento na metrópole, e os portugueses já viam o país como uma colónia do Brasil. A indústria sem investimentos e com equipamentos antiquados, definhava, os agricultores, em época de abundância, não conseguiam vender os seus produtos a preços consentâneos, e a burguesia comercial que via os seus negócios decrescer a olhos vistos, estava muito descontente com a situação do país. Temia-se que o poder saltasse para a rua.
É assim que em 1918, no Porto, nasce o Sinédrio associação secreta que se propõe mudar o curso da história, criando a revolução liberal de Agosto de 1820 e dando oficialmente  início à era liberal de Portugal.


Continua.
 

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