quarta-feira, 11 de julho de 2012

As formas do poder segundo S. Agostinho

Agostinho considerava que tendo a justiça na base e a caridade no topo, a Cidade proporciona a felicidade aos cidadãos. O seu programa assenta na trilogia, ordem, união e paz. 

Estes deveres são absolutamente necessários a todos os chefes de Estado, seja qual a forma de governo. Pelo que lhe diz respeito, Agostinho não vê vantagem decisiva, nem inconveniente que leve a recorrer a um governo em detrimento de outro, ou a afastá-lo. Pouco importa, pensa ele, desde que o depositário do poder não arraste os governados para actos de imoralidade, injustiça ou impiedade. Todo o governo será, se não bom, pelo menos aceitável, na óptica do bispo de Hipona. Sempre na condição de, em matéria moral e religiosa, respeitar Deus e respeitar o homem.

Agostinho serve-se de muitos exemplos da antiguidade clássica para fundamentar os seus raciocínios.
À pergunta: como foi escolhido o rei? respondia Agostinho dizendo que não foi o mais rico, nem o mais antigo ou o mais valoroso, mas sim , o melhor e foi a natureza a impor essa escolha.

O rei injusto é tirano; a aristocracia injusta é uma facção, o povo injusto merece, como o rei injusto, ser classificado de tirano, dizia S. Agostinho nos seus sermões. Segundo o mesmo, a perda da justiça e o seu desconhecimento, acarretava consequências muito severas. O Estado que desconhece o Direito não é apenas um estado corrompido, é um Estado aniquilado.

Só com a reserva da manutenção da justiça e do respeito pela religião, todos os regimes políticos se equivalem, todos têm os mesmos direitos e a mesma autoridade e podem reclamar a mesma submissão.
Não podia ser mais eloquente, S. Agostinho, em relação ao que deve ser um governo e, transpondo para a nossa época, estamos nos antípodas.

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