quinta-feira, 19 de julho de 2012

Absolutismo luterano e individualismo calvinista

Uma vez supressa a presença da igreja na ordem temporal, o vazio passa a ser preenchido pelo Estado na nova perspectiva do absolutismo luterano, e pelo indivíduo, na perspectiva calvinista.
À esquerda de Lutero, o separatismo protestante encontrará a sua expressão na visão política das seitas religiosas dos séculos XVI e XVII, como por exemplo, os anabaptistas. Foram estes últimos o factor de transição entre o protestantismo e o iluminismo do século XVIII.

A autonomia da política e da moral, começada com o humanismo, preparou em numerosos Estados europeus a definitiva separação entre o poder secular e a autoridade da igreja católica.

A máxima evangélica e luterana de: "dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus", fundada na ruptura entre fé e razão, entre graça e natureza, conduziu à separação das duas ordens - temporal e espiritual - análoga à separação entre a moral e a política de Maquiavel.
A visão radicalmente pessimista da natureza humana comum a Maquiavel e a Lutero, tornou impossível governar em nome da filosofia do evangelho. Desta antropologia negativa e pessimista decorre a necessidade de conceder ao príncipe uma autoridade férrea, destinada a fundar o absolutismo na esfera política.

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