quarta-feira, 6 de junho de 2012

O socialismo do ponto de vista fascista

«O defeito capital do método socialista foi claramente demonstrado pela experiência destes últimos anos e consiste em que, ao não ter em linha de conta a natureza humana, se coloca, por isso mesmo, fora da realidade. A realidade é que o impulso mais forte das acções humanas se encontra no despertar do interesse individual e que, eliminar do corpo económico o interesse individual, significa introduzir a paralisia naquele. A supressão da propriedade privada do capital implica a supressão do capital, uma vez que o capital se forma com o aforro, e ninguém pretende aforrar, antes pretende consumir, quando não se lhe dá o poder de conservar e transmitir o fruto do próprio aforro. Mais: a destruição do aforro é o fim do capital, é o fim da produção; em quaisquer mãos que esteja, o capital é sempre um elemento indispensável de produção. A organização colectiva da produção significa a paralisia da produção, pois, suprimido o mecanismo produtivo, o estímulo dos interesses individuais, a produção torna-se mais escassa e dispendiosa. O socialismo - a experiência assim o confirma - conduz ao aumento do consumo, à diminuição da produção e do capital, ou seja, à miséria. De que vale, pois, construir um mecanismo para uma melhor distribuição da riqueza, se é a própria riqueza que aquele mecanismo seca nas suas fontes? O erro fundamental do socialismo é fazer da propriedade privada uma questão de justiça, quando se trata de um problema de utilidade e necessidade social. No reconhecimento da propriedade individual não é o ponto de vista individual que triunfa, mas o ponto de vista social.»



In " Para a compreensão do fascismo" - António José de Brito.

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