terça-feira, 24 de abril de 2012

Em vésperas do 25 da silva

«Em Março de 1928 os operários católicos de Coimbra realizam uma festa no recreatório Ozanan. Em determinado momento faz-se um grande silêncio. Um homem que foi deputado por um dia e ministro durante menos de uma semana; «sábio lente da Universidade de Coimbra», apontado já como «alta figura do movimento do rejuvenescimento nacional», comentador brilhantíssimo dos factos políticos, financeiros e económicos da sua época, educador, e mais do que educador - Inspirador da mentalidade de novas elites, sobe o estrado e, perante milhares de ouvintes ansiosos e crentes, começa a sua conferência «Duas economias».

Não tardará que a Nação solicite a sua competência, a sua exemplar honestidade, as suas qualidades excepcionais de pensador e o seu temperamento de homem de estado de formação extraordinária a fim de assumir nos destinos do País papel que as circunstâncias tornaram de dificuldade apavorante e só próprio e designado para uma figura de excepção no quadro de excepção dos valores nacionais.

O Professor Doutor Oliveira Salazar fala sobre estes dois falsos conceitos de riqueza: - «produzir para esbanjar - produzir para ser escravo do dinheiro». Depois de dizer que produzir é coisa diferente de ganhar explica largamente a sua ideia sobre a função da riqueza e o valor das pequenas economias; o valor da economia no lar; o trabalho da mulher e a verificação que não é só nas classes que se desmancham os lares. Evidenciados os princípios do Evangelho em matéria de economia termina: «Estamos em Portugal a braços com dificuldades graves que excitam o nosso patriotismo e fazem apelo à nossa dedicação. O patriotismo impõe-nos, certamente, deveres de vária ordem, mas permiti-me um conselho: não ponhamos no noss espírito o escopo, aliás elevado, de salvar a Pátria; deixemos essa missão aos governantes auxiliados pela Providência. Nós podemos todos fazer uma coisa mais simples e de muito maior alcance: trabalhemos o mais que pudermos - o melhor que pudermos; no nosso trabalho e na nossa casa economizemos, gastemos o melhor que pudermos. A missão dos governantes fica, por esse simples facto, extraordinariamente facilitada, e eles certamente no-lo agradecerão mais que discursos inflamados. Nós falamos tanto!...»


A personalidade política de Salazar que começara a formar-se na influência sedutora da doutrina social das grandes encíclicas do humanista Leão XIII, em 1900-1908; que depois se exterioriza expressivamente, nos dois anos seguintes, nas conferências de Viseu, avoluma-se em preparação, ganha mais alto sentido de aperfeiçoamento com a vida no C.A.D.C. e vem alcançar nos congressos de Lisboa, de Braga e de Coimbra, e também na campanha da imprensa, após alguns anos de professorado e de enriquecimento cultural, o expoente mais alto da sua vibração.
Estas referências de datas e lugares são pontos no curso normal da linha recta das suas ideias.»



In "Perfil de Salazar" - Luis Teixeira.

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