sábado, 3 de março de 2012

Pátria

«A ideia de pátria inclui a de raça, conforme o significado que demos a esta palavra. Todavia, esta ideia pode sobreviver àquela, na qual se contém a ideia de independência política. (...) Uma raça independente, sob o ponto de vista político, é uma pátria.

Há muitos povos independentes que constituem Reinos, Nações, Impérios, mas não uma pátria. A Áustria, por exemplo, é uma administração, conforme lhe chamava Mazzini. Queria ele dizer que lhe faltavam as qualidades próprias que definem uma Raça.
Os estados americanos representam pátrias ainda em formação. É natural que, sob a influência dos séculos e do meio, comecem a criar e a fixar um certo número de qualidades originais que os tornem verdadeiras Pátrias, no futuro.
A raça portuguesa, antes de ser uma pátria e mesmo nos primeiros tempos da sua independência, vivia como que latente e diluída nos outros povos da Ibéria. Mas o esboço primitivo definiu-se e a nítida figura apareceu. A língua e os sentimentos por ela traduzidos cristalizaram, destacando-se, em alto relevo, da confusão originária.

E Portugal é uma raça constituíndo uma pátria, porque, adquirindo uma língua própria, uma história, uma arte, uma literatura, também adquiriu a sua independência política.»


Teixeira de Pascoaes in "Arte de ser português"

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