segunda-feira, 26 de março de 2012

O liberalismo segundo Paiva Couceiro

«Ensina a experiência histórica que há doutrinas que quebrantam os países, e degradam os homens, - como o cesarismo, o absolutismo, e o liberalismo;
Que há doutrinas que destroem civilizações e geram servos da gleba, - como o marxismo da Rússia soviética;
E que há doutrinas construtivas e engrandecedoras, que preparam homens viris, e porventura heroís, como o tradicionalismo Português dos primeiros séculos da monarquia. Concretizando a questão na actualidade portuguesa, poderá dizer-se sinteticamente que as causas da decadência bem se verificam no liberalismo, quer por si próprio, quer pelas suas ascendências absolutistas, e descendências socialistas e comunistas, - caminho da anarquia, porta aberta para a intervenção estrangeira, conforme sucedeu em Espanha entre 1931 e 1939.
Deve dizer-se em boa justiça que o nosso libelo contra o liberalismo, não visa as suas alegadas finalidades de liberdade e fraternidade, que são cristãs e justas, e como tais dignas de franca aprovação, mas sim e apenas as suas fórmulas de realização prática, por estas serem contraproducentes, e muito inferior às que empregou o tradicionalismo medieval.
De facto o regime liberal, particularmente nos países latinos, trouxe pelo seu individualismo, o prevalecimento da feição egoísta e comodista do homem; pela sua estrutura plutocrática, e pela entronização consequente do burguês capitalista, deu a primazia ao ouro e ao amor do ouro; pelo seu princípio do seufrágio inorgânico, trouxe o partidarismo e a corrupção eleitoral; pelo seu laicismo, - não diremos ateísmo, reuziu a religião a verniz externo, e formalístico, sem profundeza nas almas, o que provocou esfriamento da ideia de Deus, como luz, vida e caminho dos homens, das nações e dos estados.»


Henrique de Paiva Couceiro in Profissão de fé - Lusitânia Transformada.

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