sexta-feira, 2 de março de 2012

Ética - Moral e obrigações do homem

Sócrates procurou resolver o problema ético atendendo ao conteúdo do bem moral. Este, a seus olhos, não era outro senão a felicidade, primordialmente felicidade, pelo que se pode classificar esse seu pensamento, na sua parte teórica, como um eudemonismo. Abandonando esta ética do bem, Platão optou por uma ética de fins. Se estes são bons, também o são a intenção, o saber e o poder.
Acaba por ser Aristóteles a transmitir-nos a primeira versão sistemática da época. Segundo ele, o núcleo do bem moral consiste na eudemonia, cuja essência coloca na actuação perfeita do homem, que, de acordo com a sua atitude específica, o há-de conduzir, mediante a inteligência prática ou prudência, a situar a virtude em rigorosa equidistância. Para os epicuristas, a ética, convergência de todas as investigações filosóficas, não seria o estudo de um bem objectivo em si. Sempre que o bem é expressão de uma relação das coisas com as nossas potências apetitivas, o prazer subjectivo converte-se em fonte do bem. Os estoícos, pelo contrário, acentuavam uma ética do dever e do ser.

O cristianismo interpretou historicamente a vida moral como se estivesse minimamente vinculada à essência e carácter divinos. A vida santa pressupõe a livre submissão a um plano de salvação traçado por Deus e animado pelo espírito. A ética cristã é, em primeiro lugar, ontológica e teleológica, e, por conseguinte, o bem ético encontra-se inserido na consecução dos próprios fins da natureza e da sua obra, nas virtudes específicas e no valor de cada ser. Desta maneira, esta lex naturalis, como princípio de moralidade, é inferior a outro princípio superior, a lex aeterna, de que participa a nossa natureza humana racional. A ética é considerada como o movimento da criatura racional para Deus, e, desde este momento, como uma moral de vida constituída por um conjunto ordenado de juízos de valor que têm, no centro, o reconhecimento da dignidade da pessoa humana e seu núcleo de liberdade e espiritualidade.
As virtudes, em especial a prudência, são consideradas como inspiradoras da acção e criadoras de formas concretas. A ética cristã não se converte nem num dogmatismo nem numa concepção autónoma, face aos valores objectivos do ser e das coisas; incluíndo sempre o ser e o valor.

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