sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A democracia é sinónimo de cleptocracia segundo Maistre

«(...) os edifícios arruinar-se-ão, e por muito tempo não se ousará elevá-los de novo; os créditos serão fracos; o capital definhará consideravelmente. Já existem muitas coisas erradas deste género e aqueles que puderem reflectir sobre os abusos dos decretos, devem compreender o que é um decreto lançado sobre talvez um terço do mais poderoso reino da europa. (...)
Frequentemente, no seio do corpo legislativo, traçou-se quadros impressionantes do estado deplorável destes bens. O mal irá sempre aumentando, até que a consciência pública não tenha mais dúvidas sobre a solidez destas aquisições; mas que olhar poderá vislumbrar esta época?
Não considerando senão os seus possuidores, o primeiro perigo para eles vem do próprio governo. Que ninguém se iluda, não é indiferente tomar isto ou aquilo: o homem mais injusto que se possa imaginar não pedirá nada melhor do que encher os seus cofres fazendo o menor número possível de inimigos. Ora, sabe-se em que condições os compradores as adquiriram; sabe-se através de que manobras infames, de que agio escandalosos estes bens foram objecto. O vício primitivo e continuado da aquisição é indelével a todos os olhos; assim o governo não pode ignorar que sobrecarregando de impostos os seus compradores, ele terá a opinião pública a seu favor. Aliás, nos governos populares, mesmo legítimos, a injustiça não tem pudor; (...) o governo, volúvel como as pessoas e faltando-lhe identidade, não teme nunca voltar às suas próprias obras e alterar o que fez.»


Joseph de Maistre - Considerações sobre a França.

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