sábado, 10 de dezembro de 2011

O tratado de Versalhes e a austeridade

Após o final da primeira guerra, o tratado de Versalhes impôs negociações em que o inimigo vencido não foi consultado, apenas sendo intimidado a assinar o acordo sem qualquer questionamento do mesmo.
Norman Angell já o dizia muito antes da primeira guerra mundial : «O facto da parte vencida não ser tida nem achada é um problema irresolúvel de todos os países industrializados.»

E como pode um país industrializado e vencido pagar e suportar as indemnizações impostas?

Num livro muito insuspeito de John Maynard Keynes, intitulado "As consequências económicas da Paz", diz-se que os aliados não estavam preocupados com a capacidade de pagamento da Alemanha e com a reconquista da confiança, mas apenas com os seus próprios desejos, envenenando assim a europa económica e politicamente durante muito tempo. É ainda afirmado no mesmo livro que a guerra tinha destruído as relações económicas e, com o tratado de Versalhes, foram criadas situações de dívidas que iriam paralisar a europa a longo prazo, havendo ainda uma acusação de que os Americanos não se disponibilizaram para partilhar os encargos dos aliados e de se aproveitarem da vitória comum.
Este livro de Keynes tornou-o mundialmente conhecido,e em pouco tempo a opinião de Keynes de que a dívida não seria paga, passou a ser amplamente partilhada.

No início da década de 1920 a indústria começa a reduzir os seus investimentos, elas próprias já não tinham capacidade para empregar mais pessoas, e os seus trabalhadores, também eles, não aceitavam reduções salariais. Os salários reais aumentavam ao mesmo tempo que os lucros caíam, as insolvências foram inevitáveis, instala-se a grande depressão pós - guerra. Desde 1916 que Keynes estava convencido de que a Inglaterra, ou melhor dito Grã - Bretanha, iria perder a sua posição de centro financeiro mundial. Os EUA já possuíam a maior parte das reservas de ouro como se tinham também tornado credores de uma boa parte de países, inclusive a própria Alemanha vencida.


Os paralelismos são impressionantes transportando a coisa para a nossa época actual. Estamos praticamente a 100 anos dessa época e os problemas continuam a ser os mesmos. Com os mesmos intervenientes, apenas com papeís invertidos.

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