terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O povo e a democracia

«Portanto, a incompetência intelectual, e até a incompetência moral, é o que instintivamente o povo procura nos seus eleitos. Mas ainda há mais se possível é havê-lo. O povo adora a incompetência, não só porque não pode apreciar a competência intelectual, e aprecia a competência moral por um falso critério, mas também porque, como é muito natural, o que mais estima nos seus eleitos é o facrto de se lhe assemelharem.
(...) Uma outra razão há ainda, sem ser a sentimental, e que é da máxima importância, por dizer fundamentalmente respeito à própria essência do espírito democrático. O que quer o povo, após a tarântula democrática o picar?
Primeiro, quer que todos os homens sejam iguais e, portanto, deseja que todas as desigualdades desapareçam, quer essas desigualdades sejam artificiais, quer naturais. Não quer desigualdades artificiais ou convencionais, como a nobreza de nascimento, mercês do rei, riqueza de nascimento, e é partidário da abolição da nobreza, da realeza e das heranças; também não gosta das desigualdades naturais, isto é, não gosta que um homem seja mais inteligente, mais activo, mais hábil que outro.»


In "O culto da Incompetência" - Émile Faguet.

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