quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A crise e o desemprego pós - 2º guerra mundial

Em 1929, os números do desemprego situavam-se nos 12%, tendo subido para os 15% em Maio de 1930 e 20% em Dezembro desse mesmo ano. Os economistas são muito simplificativos nas suas análises, escrevia Keynes. Em tempos conturbados é usual dizer-se que depois da tempestade vem a bonança, mas numa situação como a acima descrita, não adianta muito apontar uma tendência a longo prazo - a longo prazo, estaremos todos mortos, afirmava Keynes.

Os economistas da época, tal como acontece hoje, não tinham uma explicação do desemprego de longa duração. Pela lógica deles, o mercado, enquanto instrumento de autorregulação criava automaticamente o pleno emprego. A teoria clássica seguia a lei de Say, segundo o qual cada oferta encontra uma procura ao preço de mercado. Porém, era mais do que óbvio, que os fornecedores de trabalho, mesmo após mais de dez anos, não tinham encontrado qualquer oferta da parte das empresas. O mercado de trabalho demonstrou assim ser bem diferente, pois os trabalhadores, consciencializados pela guerra, já não se deixavam contratar por salários mais baixos.

No sistema clássico Britânico, tal como em todos os bens, os custos do trabalho eram originados pelos custos de produção. Ignorando o «sabão, materiais de aquecimento, velas, chã, açucar e sal», Adam Smith sunstituíra ocasionalmente o factor trabalho simplesmente por cereais, ou seja, considerava que os custos dos cereais tinham uma importância crucial para a produtividade do trabalhador. Foi por isso que começaram a ser rejeitadas as taxas alfandegárias sobre os cereais, defendendo-se o comércio livre. A importação de cereais tornava-se mais barata, podendo-se assim, ajudar a baixar os salários reais.


O abaixamento dos salários tinha sido conseguido e aumentado, os salários já não eram medidos pelo preço dos cereias, e os trabalhadores começaram a exigir direitos e salários que lhes possibilitassem levar uma vida burguesa. Porém, era difícil refutar a lógica clássica, que não era apenas um argumento intelectual, correspondendo antes à atitude habitual do grupo a que os cientistas pertenciam. Todas as doutrinas dominantes são sempre mais do que uma fórmula que possam ser questionadas, são tradições de conhecimento amplamente divulgadas em textos e manuais, exigida em provas e recursos, ganhando assim um grau de validade mais equivalente a um dogma do que a uma ciência. Todos aqueles que questionarem esses dogmas, tornam-se estranhos, forasteiros. Mas os forasteiros são necessários em tempo de crise da doutrina ortodoxa, pois têm consciência do problema, escreveu Dennis Robertson, colega de Keynes e professor em Cambridge.

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