sábado, 3 de dezembro de 2011

Ainda sobre o 1º de Dezembro de 1640

No dia 1 de dezembro de 1640, quando soaram as nove horas da manhã, um grupo formado por poucas dezenas de fidalgos portugueses libertou Portugal do jugo asfixiante de Castela, numa operação militar que durou, apenas, alguns minutos durante os quais foram praticados actos de grande decisão e valentia.
(...) O rei adversário era Filipe IV de Espanha e III de Portugal, ocupante do nosso país através de um poder político sediado em Lisboa e um poder militar consubstanciado nas guarnições castelhanas das nossas praças fortes, principais argumentos para a cobrança de impostos cada vez mais pesados.
Como primeiro-ministro, usando e abusando de prerrogativas nunca antes vistas numa monarquia absoluta, decidia o espanhol Gaspar de Guzman, conde-duque de Olivares, pessoa inteligente e sagaz mas, simultaneamente, tão orgulhosa que exigia de toda a gente não só obediência mas também adoração.
Exercendo funções de rainha regente, a movimentar-se perigosamente já na nossa metade do tabuleiro, reinava e intrigava em Lisboa a duquesa Margarida de Mântua, viúva do duque espanhol Vicente Gonzaga e neta do rei Filipe II.
Para manifestar os eu rancor contra os portugueses, o conde-duque de Olivares encontrara um hábil mas abjecto instrumento na pessoa do escrivão do conselho da Fazenda, o traidor português Diogo Soares, de quem o próprio primeio-ministro madrileno dizia ser sagaz para enganar, humilde para obedecer e malicioso para inventar tiranias contra a sua própria pátria.
Por isso ofereceu-lhe o cargo de secretário de Estado de portugal, obrigando-o a residir em Madrid não só para lhe impedir algum rebate de consciência mas, principalmente, para o ter à mão de semear.
Idêntico título de secretário de estado de Portugal, mas residente em Lisboa, foi atribuído a Miguel de Vasconcelos, filho de Pedro Barbosa, e, para ficar tudo em família, cunhado do mesmo Diogo Soares. O perspicaz historiador Alemão Henrique Schaefer, autor de um dos melhores tratados de história portuguesa, considera Miguel de Vasconcelos homem soberbo e áspero no trato, inimigo da nobreza e perseguidor dos iguais e inferiores, parecendo que os dois cunhados, portugueses de nascimento, tinham jurado a ruína da sua pátria, empregando as boas relações com o conde-duque de Olivares apenas para a destruição dos seus concidadãos.
Existe um grosso dossier na Biblioteca Real de Madrid, cópia do arquivo de simancas, onde constam as cartas recebidas por Gabriel Zayas, secretário pessoal de Filipe II, endereçadas ao rei espanhol por muitos portugueses pondo-se às ordens do usurpador e pedindo compensações pela traição.
(...) A casa de Bragança fora fundada pelo casamento de um filho bastardo de D. João I com uma filha de Nuno Àlvares Pereira, representando em 1640 o ramo patriótico da dinastia de Avis, portanto o único nobre português com legitimidade para assumir o trono de e o poder era, então, o seu oitavo duque D. João de Bragança.

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