quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Uma misantropia desesperada

"Classe política", "elite", "oligarquia", "violência", todos estes termos têm um som bem maquiavélico. Pretendem traduzir uma visão lúcida dos homens e dos acontecimentos conforme às lições do autor do príncipe. Mas, no que a este diz respeito, os seus sucessores têm geralmente uma visão parcial e exclusivamente pessimista do mundo.

Como muito bem diz R. Naves, o maquiavelismo funda as suas conclusões sobre «uma misantropia desesperada e um cinismo declarado...» Ora, Maquiavel primeiro e Mussolini depois, ao desempenharem papeís de homens maus e medíocres, perderam ambos a partida. Os heroís maquiavélicos acabaram mal: César Bórgia, morreu no exílio em Espanha, numa escaramuça, e Mussolini no balcão de um açougue em Milão. O maquiavelismo é assim julgado de acordo com o critério de valor que ele próprio adoptou para si: o sucesso.
Maquiavel, para expor uma doutrina política válida, deveria tê-la exposto de forma completa, porque, mesmo no seu tempo, havia felizmente no mundo outros homens além dos aventureiros que ele admirava. Havia pensadores e santos, havia Erasmo e Thomas More.

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