segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A tragédia do euro - prefácio à edição portuguesa

«Nao há como uma crise para desfazer dogmas e levantar interrogações. E se existe na Europa projecto político que, pelo seu dogmatismo e insensibilidade às realidades do dia a dia, precisa de ser interrogado, esse é sem dúvida o euro. Tanto mais que - não será exagero dizê-lo - se criou uma verdadeira religião do euro, com os seus fíeís e a sua liturgia.
A crise actual da zona euro, contudo, veio pôr em causa os dogmas da irreversibilidade da moeda única europeia e da sua adequação às necessidades dos estados membros da União.
Hoje, para alguns dos países que adoptaram o euro, pertencer à moeda única começa a ser crescentemente considerado um fardo insuportável e tem-se a sensação (especialmente nítida em Portugal) que continuar a fazer parte do euro significa, afinal, não ter futuro e perder as esperanças de reencontrar um caminho de progresso económico e social. Portugal precisa de sair do euro - se quiser voltar a ter esperança de um futuro económico melhor, se quiser manter o seu estado social, se quiser, afinal, voltar a acreditar em si próprio.
Não se trata de sair de qualquer maneira, de sair empurrado, mas sair de forma controlada e apoiada. Contudo, para se equacionar uma saída ordeira é preciso primeiro eliminar outro dogma: o da catástrofe.
Com efeito, os nosso fieís do euro, ao verificarem que começa a ser cada vez mais difícil justificar a nossa pertença à união monetária, em desespero de causa, inventaram um dogma que é a tradução caseira do dogma mais geral da irreversibilidade do euro: é o dogma da catástrofe da saída, ou seja, que qualquer abandono do euro, mesmo que controlado e apoiado, será um desastre para a economia nacional com falências em série e outras catástrofes que são anunciadas mas não concretizadas.
Estes arautos da desgraça nunca justificam por que é que a saída do euro terá de ser necessariamente um desastre. E se em muitos casos essa ausência de justificação pode indiciar uma lamentável incapacidade de análise, noutros é apenas fruto do não menos lamentável dogmatismo que se sobrepõe à racionalidade.
Todas estas questões eram tabu ainda há dois ou três anos. A realidade, no entanto, veio trazê-las à primeira linha do debate, onde deveriam ter estado desde o início. Por isso começam a ser cada vez em maior número as publicações que questionam os dogmas do euro, como é o caso deste livro de Philipp Bagus. Obra que é do maior interesse porque encara criticamente o euro, mas fá-lo de um ponto de vista liberal, do liberalismo por vezes chamado austríaco.»

O prefácio continua, limitei-me a transcrever aquilo que me parece mais interessante. Devo também dizer que o livro está escrito em acordês, mas como sou contra o acordês, fiz a transcrição em Português correcto.

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