quarta-feira, 9 de novembro de 2011

S. Tomás More

De Erasmo a More a transição é fácil. Ambos humanistas, encontram-se além disso ligados por uma profunda amizade. Esta foi contestada a fim de aproximar Erasmo de Lutero, mas Henri Brémond (Le Bienheureux Thomas More-Paris-Lecofre, 1904) não encontrou na obra de More uma única linha em que transparecesse o mínimo desacordo com a obra e pensamento erasmiano.

Tomás More nasceu em Londres em 1640. Foi jurista e advogado de renome. Certos autores sugeriram que ele não gostava muito da sua profissão, no entanto, os rendimentos que lhe provinham desta, parecem mostrar que ele se revelava activo e hábil no seu desempenho. Humanista, brilhante conservador, dotado de muito espírito, poeta, artista, alcançou as boas graças de Henrique VIII em 1635. Foi declarado «bem-aventurado» pela igreja e depois «santo», em 1935.

O papel de More na política foi breve. H. Brémond, apesar da consideração que por ele mostrava, concorda e faz notar que a sua influência junto de Henrique VIII, monarca absoluto, foi extremamente limitada, até ao momento em que, tendo-lhe More oposto uma resistência respeitosa mas inflexível, o monarca condenou-o à morte. Em contrapartida, More ocupa um lugar considerável na história das ideias políticas como autor da obra escrita, "utopia". A palavra «utopia» vem do grego "ou topos", cujo sgnificado é «não lugar» ou «lugar inexistente». Sobre a obra propriamente dita, todos os personagens e lugares têm nomes imaginários que traduzem a irrealidade quer dos seus seres quer das coisas. A capital da "utopia" chama-se «Amaurota», a cidade fantasma. O rio que atravessa Amaurota chama-se anidris, «o rio sem águas». O rei de utopia chama-se «Ademos», o príncipe sem povo. Os cidadãos são os «Aleopolitas» ou sem cidade (hoje díríamos apátridas). Os habitantes dos países vizinhos são os «Acoreanos», atenção que é Acoreanos e não Açoreanos. Quanto ao viajante que descobriu a Utopia, More dá-lhe com humor o nome de «Hitlodeu», o vendedor de balelas.

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