sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A questão democrática e a ditadura do capital

Não vá dar-se o caso de alguém pensar que sou anti-democrata, esclareço desde já que por princípio não o sou, mas questiono, veementemente, o significado da palavra democracia, isto é, a sua evolução ao longo dos tempos. E evolução aqui engloba diversos campos.

A palavra democracia é a contínua catarse das relações humanas, nada é concebível fora dessa realidade, e como em tudo no politicamente correcto, a sua utilização de forma irresponsável para justificar coisas que não são justificáveis e para encherem egos e manterem ideologias, nada possui de intrinsecamente democrata. Se já nos planos meramente teóricos o conceito é de difícil expressão, como já o sabiam os autores da antiguidade clássica, nos planos puramente materiais, a situação torna-se explosiva. Deu lugar à ditadura do capital.

Quando alguém vem propôr que o 1º de maio seja um dos dois feriados a ser abolido, logo os do costume vêem alardear que querem acabar com a democracia e com os trabalhadores, sempre com o grande ideal democrata. Pode dar-se o caso, desses do costume, pretenderem festejar a sua condição de ESCRAVOS, e a dulocracia onde vivem, mas isso é com cada um. Um verdadeiro acto de democracia seria deixar precisamente de festejar esse feriado, mas é preciso grandeza de espírito para se ver isso, e todos os que perfilham ideologias muito libertinárias não a conseguem ter. Mas algumas perguntas são necessárias para quem passa a vida com a palavra democracia na boca: Mas, ele existe democracia? Onde está ela? Ele existem trabalhadores? Onde? 
A democracia deveria ser uma série contínua de consequências positivas e de realizações elevadas, não podemos ser como os ingénuos (os abrilinos) que só pelo facto de termos muita liberdade de expressão, de acção e de movimentos, somos livres e muito democratas e vivemos em democracia. Esse cenário seria bom numa sociedade elevada, mas numa sociedade como a nossa onde a ditadura do capital dita leis, ela torna-se dulocrata e não serve quem diz servir.

A palavra democracia não sofre apenas os efeitos de uma etimologia desajustada, sofre igualmente de desfigurações antropológicas e sociológicas sérias. A (des)evolução do conceito democrático, do qual uns poucos tiram grande proveito, mostra a seguinte situação, que não deixa de ser irónica, quanto mais alguém, um país, região ou sociedade berra pela democracia - MAIS INJUSTA É.
E só não vê quem não quer.

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