quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O humanismo cristão: Erasmo

Erasmo não conheceu o secretário florentino (Maquiavel), mas nem por isso deixa de retratar na perfeição, a contra corrente do seu pensamento. Face a uma política não só «laicizada» como também «descristianizada», Erasmo, como diz Charles Benoist «recria a tradicional imagem do Príncipe cristão».
A instituição aparece em 1516. Escrita em latim, é dedicada, segundo o uso da época, a uma grande príncipe- o imperador Carlos V. A obra, traduzida quase imediatamente para françês no reinado de Francisco I, será publicada segunda vez, numa edição famosa de 1665, chamada "La sphére".

Erasmo, de seu verdadeiro nome Desiderius Erasmus Roterodamus, nasceu em roterdão, holanda, em 1466, tendo morrido em basileia na suiça em 1536. É a figura mais notável do humanismo renascente. A sua obra, extraordinariamente extensa, exprime uma curiosidade universal. A esta corresponde uma aceitação universal para o seu tempo. Toda a europa conhece as suas obras que são lidas com paixão. Por meio dos seus escritos tão diversos, Erasmo propõe-se o objectivo fundamental do renascimento do homem, e através dele e de toda a sociedade, no duplo sentido racionalista e cristão. Tendo em conta as suas primeiras directrizes é muitas vezes considerado como um dos precursores e um dos principais representantes da corrente do livre pensamento, mas, na realidade, é um católico convicto. Uma grande parte da sua obra é dedicada à edição de textos religiosos, nomeadamente do Evangelho. Critica o comportamento da igreja romana na sua época, mas também não deixa por isso de pretender renovar a cultura e elevar o humanismo a um estado de perfeição, ligando a tradição clássica com a religião cristã.

À maneira dos autores medievais, Erasmo constroí idealmente um corpus christianum. 
O centro desse corpo é cristo. Em torno dele estão traçados concentricamente três círculos, dois pequenos e um grande. A primeira zona é ocupada pelos príncipes da igreja e pelos padres: é a zona interior. A zona exterior contém a grande massa dos simples laicos, profundamente ligados à terra, e que pertencem ao corpo da igreja. Entre estas duas zonas- interior ou eclesiástica e exterior ou laica- a zona intermédia é constituída pelos príncipes temporais; quando governam com justiça, servindo a Cristo, e quando proporcionam o repouso ao seu povo, partilham à sua maneira da dignidade sacerdotal e situam-se assim muito acima daqueles que formam a zona exterior do laicado. Todavia, seria errado inferir deste esquema a ideia de que Erasmo confere aos príncipes uma situação priveligiada. Para ele não há dois cristianismos: um para os princípes e outro para os homens vulgares. A religião de todos deve estar de acordo com o ideal evangélico. O príncipe, em virtude da sua posição mais elevada, deve suplantar os outros pelas suas virtudes, prudência e integridade. A lei do sacrifício é-lhe imposta, assim, como a todo o cristão. Se pretende seguir Cristo, deve levar a sua cruz. Não pode escapar à lei geral. Está-se muito longe do pensamento de maquiavel, que edifica uma moral especial para o prínicipe, colocando-o numa posição acima da moral universal; está-se também muito longe dos absolutistas para quem a conduta dos poderosos não está submetida a nenhuma espécie de controlo terrestre.

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