quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Da falocracia à liberdade - o panteísmo geométrico

Nos primórdios da civilização a humanidade era andrógina, não tinha sexo, na acepção actual da palavra, mas possuía um estado intrínseco, hoje perdido, de liberdade. Era uma liberdade natural, que não estava manchada pelo dogma político nem pela filosofia degenerativa dos movimentos revolucionários que se seguiram à época das luzes. Naquelas épocas a humanidade não tinha um cérebro tão virado para o exterior, como agora, tinha uma clarividência interna mais ou menos alargada, sentia-se feliz na sua condição, não perfilhava dogmas, nem ideologias tontas, nem panteísmos geométricos como o de Espinoza. Este tontinho, Espinoza, costumava revoltar-se com a ideia duma providência que cuidasse do mundo criado por Deus, para além de considerar que a utilidade na natureza era nula, ou quase nula, pois não se podia sobrepôr à utilidade da matemática. Quando a humanidade sofreu a sua queda, a separação dos sexos, a humanidade entrou num novo ciclo, mais denso, cada vez mais material e menos espiritual.

O culto fálico foi uma realidade em muitas culturas, na mesma medida em que hoje o é a liberdade, ora Espinoza idealizava um mundo onde tudo fosse tratado como se de linhas, círculos, superfícies e volumes se tratasse. Com a liberdade actual passa-se exactamente o mesmo, tratado como um barbarismo tecnocrata qualquer, sujeito às disparidades e aos conluios da agenda.

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