sábado, 29 de outubro de 2011

O tomismo e o poder temporal

O tomismo como doutrina política teria podido evitar uma reviravolta das tendências. Mas, como se sabe, as concepções do Doutor evangélico lograram ultrapassar o seu tempo, o que constituiu ao mesmo tempo uma força e uma fraqueza.
A doutrina tomista dando ao sacerdotalismo uma feição equilibrada e aceitável para as duas partes, chega no entanto demasiado tarde para salvar o Santo Império. A forma política original que se anunciava na idade média e que então teria podido nascer, diferente, quer em relação à cidade antiga e em relação ao estado moderno, morreu institucionalmente à nascença. Apenas a organização da igreja, que progredira muito depois da época dos papas de Avinhão, virá a beneficiar do vasto movimento intelectual que aqui se fala.

O tomismo chega demasiado cedo para combater a violenta reacção temporalista do século seguinte e impedir que as tendências laicas se manifestem sob a forma de um anti-sacerdotalismo radical, rígido, esmagador, que marcou, de diversas formas, os primeiros esboços do absolutismo real.

O ideal de unidade, que falhara com a decadência do sacerdotalismo, sofre uma mudança de posição, dando origem a um temporalismo, o qual provém, segundo algumas opiniões, do facto de os papas estarem em constante conflito com os imperadores o que levou à ruína o Santo Império. A partir daqui, e muito naturalmente, o poder temporal assume as rédeas para atingir o fim proposto, a oposição vitoriosa propõe uma mudança completa da tese sacerdotalista. Afirma a primazia e mesmo a exclusividade do poder temporal. Dante Alighieri (1265-1321), Marsílio de Pádua (1280-1341) e Guilherme de Occam (1270-1347 ou 9), foram os seus principais defensores.  

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