segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Maquiavel e a fundação do estado moderno

Nicolau Maquiavel nasceu no dia 4 de maio de 1469 nas margens do Arno, é aí que morre passados 58 anos , em 1527. Pertencente a uma família antiga mas sem pertencer a um meio rico, pode-se incluí-lo entre os popolani grassi, isto é, entre aqueles que possuem bens herdados. Maquiavel apresenta os traços do florentino típico do século XVI, que podem resumir-se a um imenso gosto pela vida e mesmo pela boa vida. Ama a beleza das coisas e dos seres, sobretudo das mulheres, que frequenta assiduamente; aprecia a boa cozinha, intriga e diverte-se; tem a paixão pela leitura e pelo poder. Ao imoralismo da sua doutrina política corresponde a imoralidade da sua conduta privada.

O objectivo central dos estudos de Maquiavel é o estado. Ele é o criador do termo. É ele que nas primeiras linhas do príncipe, emprega a palavra "estado" no seu sentido moderno, com o significado de que se revestirá mais tarde em todas as línguas europeias ocidentais.
Maquiavel introduz também uma distinção fundamental entre os estados: «Todos os estados que exerceram ou exercem o seu domínio sobre os homens foram ou são repúblicas ou principados.» Estabelece deste modo a diferença, que doravante se vai manter na linguagem política, entre república e monarquia.
O fenómeno da estatização não atinge com rapidez a maturidade. Usando a terminologia actual , dir-se-ia que se manteve bastante tempo na fase da institucionalização. No ideal do príncipe (obra escrita por Maquiavel), o Príncipe é o homem que deve vir, mas é também o homem que deve chegar no duplo sentido do termo. O príncipe é uma obra pequena, mas a literatura que lhe diz respeito é muito extensa. Charles Benoist, professor na escola de ciências políticas e deputado por Paris, descreveu o maquiavelismo em três volumes: Antes de Maquiavel (1907), Maquiavel (1934) e Depois de Maquiavel (1935).

O Maquiavelismo tem ainda uma característica inerente à sua própria época: Maquiavel aproxima-se das concepções recentes das «monocracias populares», que não admitem que o povo se governe mas que defendem que ele deve ser convencido. Este é um dos aspectos da modernidade de Maquiavel. Para além de se mostrar também hostil ao evangelismo do monge; sendo também inimigo do clero Romano, ao qual, paradoxalmente, censura a sua incredulidade. Maquiavel considera a fé como um meio de governar os estados, e, nestas condições, mostra-se severo para com os padres por a terem enfraquecido e arruínado. Também não vê o governo de Roma com bons olhos, porque considera a presença Papal como o grande obstáculo à unidade Italiana, sendo o papado ao mesmo tempo demasiado fraco para assegurar a unidade da Itália e demasiado forte, para a tolerar.  

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